A América do Sul vai bem, já o Brasil… Volta futebol brasileiro!

Torcida do Newell's Old Boys faz festa e joga papel no gramado do estádio Marcelo Bielsa, em Rosário
Torcida do Newell's Old Boys faz festa e joga papel no gramado do estádio Marcelo Bielsa, em Rosário

O futebol sul americano é realmente apaixonante: estádios míticos, cenas por vezes gloriosas e por vezes lamentáveis, raça, paixão, torcidas que são verdadeiros exércitos, foguetes, fumaça, cachorros… enfim, nós somos diferentes, nós temos o sangue quente, nós somos sul americanos.

O velho continente, como o nome já indica, comporta-se como um ancião quando o assunto é futebol: times voltados para o lucro, ~arenas~, elevado poder de investimento, ingressos caros, rígido padrão tático, pouco ou nenhum espaço para ousadias e por fim, uma torcida muita das vezes apática. Evidentemente existem as exceções, afinal de contas o futebol é muito mais que um esporte. Porém, quando o assunto é emoção, meus caros confrades, nos estamos ganhando.

Dito isso, volto os olhos à terra brasilis e, infelizmente, as coisas não andam bem por aqui. Estamos sucumbindo ao estilo europeu, o que já é péssimo, pois nosso sangue é latino. Pior, estamos absorvendo a pior parte do estilo europeu: ~arenas~, ingressos caríssimos (em um país aonde grande parte do povo sobrevive com um salário minimo), torcedores geração “self 7×1”, enfim, uma goumertização daquilo que um dia se disse popular. Cada dia mais se vê em nossas ~arenas~ pessoas mais preocupadas com as postagens nas redes sociais do que torcer e apoiar o time, somos testemunhas de uma geração de “coxinhas”.

Evidentemente uma maior organização do futebol brasileiro é necessária e será muito benéfica para as nossas pretensões de um futuro melhor. Porém isso passa longe do que é feito. Hoje se tem uma nítida elitização do futebol. O pobre, mais uma vez, é excluído do espetáculo, em nome de uma falsa “modernização”, nada mais que a velha e boa hipocrisia da elite brasileira, mostrando suas garras agora no futebol, que era até pouco tempo, a diversão das massas. A verdadeira mudança está longe de ocorrer e passa por horários decentes, segurança, preços acessíveis, facilidades de acesso e, principalmente, pelo fim do monopólio exercido pela emissora mais suja, deturpada, podre e manipuladora dessa nação. Claro que não poderíamos nos esquecer da CBF, uma organização que representa a mais triste faceta de um povo: corrupta, ineficiente, autoritária, arcaica e senil. Uma organização que deveria (e tenho fé que será) sucumbir ao poder judicial e ser eliminada de vez.

Por isso a importância da Taça Libertadores em nossas vidas, pois ela serve de espelho, caminho, parâmetro e esperança de um dia voltarmos a ser o país do futebol. É lá, confrades, que aprendemos como deve ser o comportamento de um torcedor em seus domínios. Apoiar o time durante toda a partida, intimidar o adversário das mais diversas formas, mostrar aos que vem de fora que aquilo não é um passeio no parque e sim uma guerra, pular e cantar de forma incessante, mesmo com o time tomando um vareio do adversário; lutar… afinal de contas a Libertadores, que homenageia Simon Bolívar, tem como lição maior isso: lutar, lutar e lutar.

Confio no povo dessa nossa terra, e acredito que essa fase tenebrosa pela qual estamos passando nos mostrará o caminho correto que devemos percorrer. Um dia voltaremos a impor temor aos nossos adversários, a “canarinho” voltará a ser respeitada e seremos exemplos de torcedores, perante aos nossos irmãos sul americanos e perante ao restante do mundo. A largada já foi dada, caros confrades, nossa amada CL representa o motor dessa mudança.

Não aceitaremos torcedores gourmet, não usaremos chuteiras coloridas, denunciaremos a podridão e o descaso das nossas autoridades com a nossa maior paixão, o futebol; homenagearemos aqueles que transformaram o esporte em uma arte, em um estilo de vida, em algo maior. Enfim, lutaremos…, pois essa é a nossa sina, esse é o nosso destino e essa é a nossa missão. Transformar o futebol brasileiro no que ele foi um dia: potente, sublime, referência, em algo que transcende a vida e entra para a história, em algo que forma caráter.

Texto: Pedro Portugal

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*