A epopeia do Fortaleza rumo ao grito de campeão

Fortaleza retorna de forma imparável a Série A do Campeonato Brasileiro

Fortaleza bate Avaí no fim do jogo e conquista o título da Série B (Foto: Divulgação)

Por: Victor Silva, CE.

Início dos anos 2000, o Fortaleza é soberano no cenário estadual com conquistas seguidas do campeonato cearense e dois acessos a Série A do Campeonato Brasileiro (em 2002 e 2004). Parecia ser a década de ouro do clube, elencos fortes, dinheiro em caixa, um rival combalido e a perspectiva de crescimento com o honroso 13º lugar na primeira divisão de 2005. Parecia.

Entretanto, em 2006 as coisas começam a mudar com o rebaixamento para a Série B. Começava o martírio do torcedor do Leão. Em 2007 o clube até alcançou o 5º lugar, mas não foi suficiente para retornar. Em 2008 escapou do rebaixamento pelo número de vitórias e em 2009 ocorreu o impensável. O retorno para a Série C dez anos depois. Para piorar, o time quase foi rebaixado para Série D em 2011. Ali, somente o amor de sua apaixonada torcida não faria a equipe voltar aos dias de glória, era preciso mais.

A partir deste momento traumático o clube começou a entender suas limitações financeiras, planejou elencos mais baratos e eficientes ao formato da Série C. Foram quatro eliminações traumáticas para o Leão do Pici dentro de sua casa até chegar à redenção do acesso em cima do Tupi-MG em 2016. Para isso, foi necessário decidir fora de seus domínios à vaga para a Série B do ano seguinte e assim se libertar de sua sina nas decisões da Terceirona.

Classificado para Segunda Divisão, era preciso um bom planejamento. O objetivo inicial era não cair novamente, mas por que não sonhar mais? Rogério Ceni foi contratado ao final de 2016 para dar início a montagem do elenco, a modernização da estrutura deficitária do clube e começar a mudança de mentalidade – pensar grande de novo, mas com cautela. Os passos da direção do Leão pareciam muito ambiciosos para um clube que acabara de ascender, mas eram necessários para o ano do centenário do time. O alto gasto financeiro com o novo treinador, as contratações de jogadores relativamente caros, a reestruturação das instalações esportivas e a valorização do programa de sócio-torcedor (talvez a grande revolução do Fortaleza nos últimos anos), foram os grandes investimentos da agremiação.

Rogério Ceni foi um dos grandes responsáveis pelo título do Fortaleza (Foto: GloboEsporte.com)

O Campeonato cearense foi um grande laboratório para Rogério Ceni entender o elenco que possuía em mãos, as qualidades, os defeitos e como poderia colocar seu time para render ao máximo – uma pré-temporada de luxo. Entretanto, esta foi à visão do comandante e da diretoria, visto que a impaciência da torcida quase chegou a custar o cargo do treinador ao não conseguir chegar à final do Estadual. Em meio ao turbilhão de tensão que o clube terminava a primeira competição do ano, já se iniciava a Série B e o maior desafio tricolor do ano.

13 de abril de 2018, Arena Castelão, jogo empatado até o último minuto contra o Guarani, falta na entrada da área e Gustavo se coloca para bater – há o estranhamento da torcida por ele não ser o batedor oficial. 50 minutos do segundo tempo e o estádio entra em transe com o gol que selava a primeira vitória tricolor no primeiro jogo da Série B. A partir daí foram mais oito jogos de invencibilidade e o melhor início da competição na história, o time estava livre de pressões por tudo o que já havia passado no ano anterior, por não ser o favorito na segundona e demonstrava isso jogando com muita tranquilidade.

Pareceu natural a liderança do Fortaleza na competição, tamanha superioridade do time liderando desde a 2ª rodada. Mas claro que houve percalços: perdas de jogadores importantes, a necessidade de se contratar durante a Série B, repensar novos modelos de jogo para as novas peças e tentar controlar a ansiedade pelos novos objetivos que iam surgindo. Primeiro era não cair, depois subir e por último ser campeão, mas uma mudança de mentalidade assim demanda tempo e nem sempre é fácil.

No dia 10 de novembro de 2018, um empate em 0 a 0 com o Avaí em Florianópolis se arrastava até os minutos finais. Até que aos 49 minutos do segundo tempo começa a se desenhar um contra-ataque leonino, o último do jogo, bola de pé em pé (característica marcante do time na competição), Rodolfo dribla o marcador e fuzila no canto do goleiro sacramentando o título do Leão. A loucura da comemoração dos jogadores no campo, da torcida na arquibancada e dos torcedores em Fortaleza.

Começava a festa pelo maior título da história do futebol cearense, caía a ficha do improvável que estava acontecendo com o Leão do Pici – dois acessos seguidos e o maior título da sua história em pleno o ano do centenário do clube – e a percepção da torcida, mais fiel do que nunca nos anos de penumbra, de que irá poder desfrutar da Primeira Divisão novamente. Foi preciso quase tocar o fundo do poço, passar anos no calvário que era a Série C e só então conseguir a redenção máxima. O Fortaleza está de volta a Série A, mas ainda mais do que isso, está de volta aos seus dias de grandeza. Pois como já diz o hino: Fortaleza, time de glória e tradição…

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