A expectativa e o contraste botafoguense no ano

Desempenhos.. distintos (?)

Foto da partida Botafogo 1 x 3 Cabofriense. Luiz Fernando foi o destaque alvinegro. Foto: (Vitor Silva / SS Press / BFR)
Por José Augusto Bastos, RJ

O Botafogo deu adeus de forma precoce ao Campeonato Carioca. Nas fases finais da competição, não conseguiu marcar seu lugar na disputa para o segundo turno, muito menos teve alguma chance na classificação geral. Considerando que o regulamento proposto pela FERJ te dá a possibilidade de disputar o título sem ganhar nenhum dos dois turnos – como foi feito pelo Alvinegro na última temporada – podemos falar que foi uma grande decepção.

Ao mesmo tempo que o time mostrava dificuldades com times de muito menos tradição no Estadual, conseguiu somar um agregado de 4 a 0 em cima do Defensa y Justicia/ARG, pela Sul-Americana. Não é um clube histórico, mas estava na sua melhor fase em mais de 100 anos no Campeonato Argentino, lutando pelo título contra gigantes do futebol, como Racing/ARG e Boca Juniors/ARG.

O que leva um time a vencer um candidato a campeão argentino para empatar com o Americano? Falta ritmo? Atitude? Individualidade? Ou todas estas coisas juntas? O técnico Zé Ricardo terá que encontrar as respostas no decorrer da temporada.

O time de General Severiano chegou  em 2019 empolgado: após vencer o Campeonato Carioca em 2018 e se livrar do rebaixamento com antecedência no Brasileirão, se movimentou no mercado. Renovou o empréstimo com Erik, além de conseguir o empréstimo do volante Alex Santana. A negociação envolveu o retorno de Rodrigo Lindoso ao Internacional. Brenner e Kieza, com 10 gols cada, também eram esperanças da torcida, mas o primeiro não teve seu contrato renovado e o time perdeu um dos seus principais goleadores.

Torcida do Botafogo após a vitória sobre o Internacional, que garantiu a permanência na série A. (Foto: Vitor Silva / SS Press / BFR)

O início da temporada não poderia ter sido pior: Na Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca, o time conseguiu apenas quatro pontos em cinco rodadas, com uma vitória, um empate e três derrotas: Perdeu para Cabofriense, Flamengo e Resende. Só não ficou em último lugar no grupo B graças ao saldo de gols, garantindo o “feito” na última rodada ao bater o Boavista por 3 a 0.

Erik comemora seu primeiro gol na temporada, o segundo do time na vitória contra o Boavista.
(Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Após um desempenho pífio no primeiro turno, viria um desafio maior: a Copa Sul-Americana. No ano anterior, o time venceu o Audax Italiano e o sempre intimidador Club Nacional com um agregado de 3 a 2, até parar nos pênaltis contra o Bahia. O Defensa Y Justicia, time adversário, vinha de 11 jogos sem derrota e estava invicto no Campeonato Argentino após 19 rodadas. O Botafogo estava pressionado por resultados e nunca tinha vencido em solo hermano, então precisava fazer de tudo para criar algum resultado no Nilton Santos. Conseguiu na raça. Ligação direta de Gatito, vitória de Ferrareis no alto e a individualidade do garoto Erik brilhou, em um drible espetacular seguido de uma bomba, no último lance do jogo: 1 a 0.

Para animar ainda mais os seus adeptos, fez questão de se livrar da zebra na Copa do Brasil: emplacou um 2 a 0 contra o Campinense, fora de casa, pela primeira fase do torneio. Com isso, o time que teve sua defesa vazada seis vezes em quatro jogos, agora estava impenetrável, muito graças a Joel Carli, titular nas três oportunidades, estaria fora do próximo jogo. A mística de nunca ter vencido na Argentina assustava os mais supersticiosos. Contudo, o placar parecia a confirmação que os jogadores tinham engrenado: 3 a 0 no Tomaghello, com dois gols de Erik e uma pintura de Alex Santana, uma das boas surpresas em 2019. É um resultado para iludir qualquer torcedor, se venceram tão bem um jogo grande, não deveriam ter dificuldades para conseguir vaga no segundo turno do Estadual. Mas o placar engana.

Erik comemorando seu segundo gol, na partida de volta da Sul-Americana contra o Defensa Y Justicia. (Foto: Vitor Silva / SS Press / BFR)

Observando o jogo e suas estatísticas, o Defensa Y Justicia teve 77% da posse de bola, chutou seis vezes mais que o Botafogo e acertou duas vezes mais. Em quatro oportunidades, o Botafogo emplacou três e ainda teve Marcinho expulso aos 23 da segunda etapa. Para quem estava torcendo a favor do êxito brasileiro, foi uma partida extremamente tensa de ver, com o Botafogo sem conseguir colocar ritmo, mesmo com a vantagem construída no Engenhão.

Estatísticas do jogo Botafogo x Defensa Y Justicia. Crédito: Google

Após a vitória na Argentina, parecia que algumas tensões tinham se aliviado: empate com Vasco e boa vitória contra o Cuiabá na segunda fase da Copa do Brasil. A irregularidade começou a pesar, e o time precisava de uma referência no ataque, alguém que pudesse dividir o protagonismo com Erik, que até o momento tinha feito mais da metade dos gols alvinegros em mata-matas no ano e estava praticamente sozinho, já que Kieza estava numa fase terrível: Até o tento na vitória contra o Madureira, estava há mais de 16 partidas sem marcar, a última vez tinha sido 30 de setembro, no empate contra o São Paulo. Então, contrataram por empréstimo o experiente Diego Souza.

Diego Souza sendo recebido com festa pela torcida alvinegra. (Foto: Vitor Silva / SS Press / BFR)

33 anos, um jogador rodado, com passagens pelo mundo todo e acostumado a lidar com pressões, Diego parecia a opção perfeita, mas o time precisava de resultados, e mesmo com a sua estreia sendo boa no clássico vovô, dando a assistência para Alex Santana, o time não conseguiu a virada e apenas empatou com o Fluminense.

Faltando duas rodadas, o time já dependia de resultados externos de outros dois times, além de precisar reverter um saldo de sete gols, sem contar com o goleiro Gatito Fernández, convocado para a seleção Paraguaia. Não conseguiu: venceu bem a Portuguesa por 4 a 1 com o atacante participando bem, atuação que não conseguiu repetir contra o limitadíssimo Americano. Os resultados já tinham eliminado o Botafogo, mas a falta de raça e empenho deixaram os torcedores extremamente frustrados, reflexo que ecoou de forma sombria no estádio: apenas 1405 presentes no jogo contra a Portuguesa, último jogo em casa do time pelo Carioca de 2019.

Número de ingressos vendidos em Botafogo x Portuguesa. Foto: Fred Gomes

No próximo jogo, pegará o Juventude, pela terceira rodada da Copa do Brasil, com o fator casa. Olhando atentamente para o desempenho do time até agora, a partida se torna uma incógnita. Tem coisas que só acontecem com o Botafogo, agora não sabemos se para bem ou para mal. Hoje, às 21h30, saberemos a resposta.

Fontes: globoesporte, Botafogo, CBF, Lance!

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