A melhor partida de futebol desse fim de semana no RS ocorreu em São Leopoldo

Guarany vence o Sapucaiense por 8 a 0
Guarany vence o Sapucaiense por 8 a 0

Muitos, com certeza, vão apontar com o dedo em riste e a boca a cuspir: não, a partida mais importante do fim de semana foi a final do Gauchão! E terão razão. Porém, a melhor ocorreu, de fato, em São Leo. Por quê?

DESCUBRA.

Em Caxias do Sul, no Alfredo Jaconi, o Juventude entrou em campo com a honrosa missão de terminar com a hegemonia da dupla Gre-Nal. Ou melhor, com a superioridade colorada, que pode culminar no hexacampeonato estadual. O último título conquistado por um clube do interior ocorreu em 2000 com o Caxias, arquirrival do Papo, à época comandado por Tite.

Enquanto o Internacional saía na frente com Andrigo e o Juventude assistia, boquiaberto, a um pênalti não marcado a seu favor, ocorria em São Leopoldo – mais precisamente no Monumental do Cristo Rei, casa do Aimoré – uma goleada homérica.

Pela terceira divisão, o único bicampeão gaúcho do interior, o Guarany de Bagé, marcava um gol atrás do outro, sem pudor nem misericórdia. Com campanha expressiva no certame (mesmo sem ter disputado ainda partidas no próprio estádio), o índio alvirrubro marcou solenes oito gols contra nenhum do Sapucaiense.

Para o Guarany da cidade de Bagé, 7 a 1 realmente foi pouco. Na verdade, não foi nada – e sentar na bola de costas para a meta não vai mudar essa realidade, meu caro.

Ora, além de ter levantado o caneco mais importante do estado por duas vezes, em 1920 e 1938, é também o maior vencedor do clássico Ba-Gua; que, por sua vez, é o clássico mais disputado do Rio Grande do Sul, com 420 jogos, deixando para trás Gre-Nal, Bra-Pel e Ca-Ju, por exemplo.

Esses fatos, por si só, já fazem da goleada histórica do Guarany uma consequência natural das coisas. Também são argumentos impossíveis de serem questionados sobre a questão levantada no título desta nossa charla. Quem pensa diferente de mim não tem o meu perdão, mas Didico suplicou aos céus: que Deus perdoe essas pessoas ruins.

Guarany vence o Sapucaiense por 8 a 0
Guarany vence o Sapucaiense por 8 a 0

Os destaques foram Castilho, com quatro gols, e Welder, com três. Ângelo, de pênalti, também marcou o dele.

Provavelmente, esse placar vai ser divulgado como algo folclórico, ou até como “bizarrice de uma competição de baixa estirpe”, o que nos revela bastante sobre como as coisas são tratadas. Na verdade, a monstruosa goleada evidencia um bicampeão gaúcho caminhando a passos largos rumo ao acesso. Mesmo assim, o Guarany olha para a frente e enxerga com cólera nos olhos o maior rival como líder do grupo B. O ludopédio é, realmente, a maior invenção humana.

O jalde-negro Bagé tem 10 pontos. O Guarany, 8. Ambos estão voando e as projeções para uma possível final entre eles são as mais aceitáveis, numa competição que reúne campeões estaduais, como o Farroupilha, de Pelotas, e o clube brasileiro mais antigo em atividade, o Rio Grande. Vale mencionar também o interminável Gaúcho de Passo Fundo e o próprio Sapucaiense, que precisou buscar inacreditáveis oito vezes a pelota no fundo do barbante.

É muita história, tradição e futebol reunidos. Para poucos felizardos.

Ba-Gua no Estrela Dalva
Ba-Gua no Estrela Dalva

Texto: Pedro Krüger

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