A pressa é a inimiga de um São Paulo campeão

TRICOLOR PRECISA DE UM RUMO PARA SE RECUPERAR NA TEMPORADA

Por: Carlos Garcia, SP

Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Pois a torcida do São Paulo tem pressa, e muita, de ver o time voltar ao período de títulos e glórias que, como diz o hino, vem do passado. E torcedor pode ter pressa, afinal qual são paulino não gostaria de sentir tudo isso de novo? E a diretoria do São Paulo, até por pressão da arquibancada, também parece ter pressa para resolver as coisas. O problema é que dirigente não pode ter pressa para não fazer tudo de qualquer jeito. E olha que no São Paulo tudo parecia diferente quando o clube decidiu planejar o futuro tendo em André Jardine o cara que aprenderia tudo o que pudesse para comandar o São Paulo daqui alguns anos, e de preferência por muito tempo.

Parecia o projeto perfeito. Um dos clubes grandes que mais demitiu técnicos nos últimos anos encontrou alguém na base com ideias novas e mostrando ótimo trabalho. Tal qual se faz com os bons jogadores das categorias inferiores, o clube resolveu preparar André Jardine para o time principal. Além do fato de se observar um bom talento na base, o clube estaria disposto a investir em sua preparação, dando tempo ao tempo para que ele amadurecesse enquanto profissional. Mas a mão pesada – e burra – da diretoria se fez presente mais uma vez quando no fim do ano passado resolveu demitir Aguirre, que realizou um bom trabalho e chegou a liderar o Brasileirão.

02 – André Jardine, agora ex-técnico do São Paulo (Foto: UOL Esporte)

O problema é que para o lugar de Aguirre, o jovem Jardine, de apenas 39 anos, foi efetivado no cargo ainda no final de 2018, quando havia se passado menos de um ano do início de sua preparação. Aí em 2019 investimentos vieram, bons jogadores foram contratados, Hernanes, que era o sonho da torcida, voltou para o Morumbi. Mas o planejamento da diretoria foi por água abaixo quando, ainda mostrando falta de liderança para comandar jogadores do time profissional, alguns com idades próximas à sua, ele simplesmente não conseguiu fazer o time jogar bola e a principal competição do ano, a Libertadores, escorreu pelo ralo junto com toda a ideia de futuro planejada pelo clube.

Agora Jardine perde o cargo, embora continue no clube, e para seu lugar vem Cuca. Mas não exatamente agora, já que um procedimento médico realizado em seu coração o impede de voltar ao trabalho por enquanto. Segundo a diretoria Cuca chega em abril e segundo os médicos ele chega em maio. Até lá quem dirige o time é Wagner Mancini, que foi contratado no início do ano para a função de coordenador técnico. Ou seja, Aguirre foi demitido em 2018 e substituído pelo interino, que depois foi efetivado, não deu certo, foi substituído por outro, mas por enquanto o time fica na mão de um novo interino.

Há um ano o técnico do São Paulo era Dorival Junior. De lá até a chegada de Cuca, que deve acontecer até maio, terão sido cinco treinadores a passar pelo comando do time principal. Milhões e milhões saíram do caixa nesse meio tempo a contratação de jogadores que teoricamente chegaram para resolver, como Diego Souza, Everton, Nenê, Pablo e Hernanes. Há um novo estatuto no São Paulo, novos jogadores, verba para investir, mas a pressa para resolver as coisas ainda parece ser a mesma. Tudo, novamente, feito às pressas e com pouco cuidado. E assim o São Paulo segue fazendo tudo de qualquer jeito.

Cuca em sua primeira passagem pelo Tricolor, em 2004 (Foto: globoesporte.com)

Cuca se tornou um dos principais treinadores do Brasil nos últimos anos e sua contratação parece ter sido uma decisão acertada da diretoria. Vale lembrar que foi Cuca que recolocou o São Paulo nos trilhos na fase que antecedeu o segundo período mais vitorioso da história do clube. Foi ele que acertou o time para Autuori – após curta passagem de Leão – conquistar o mundo em 2005 e é nisso que são paulino se apega. Mas a pergunta que fica é: que tipo de São Paulo Futebol Clube Cuca enfrentará no dia a dia? Aquele que tem os olhos no futuro ou aquele que tem pressa de resolver os seus problemas? A segunda opção pode ser perigosa tanto para o treinador quanto para o clube.

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