A vitoriosa e polêmica carreira de Viola

O MATADOR ANDARILHO

Por Lucas Oliveira, MG

O nome Paulo Sérgio Rose soa familiar para você? Acredito que não. Viola. Esse você já ouviu falar, certo? O ex-atacante com notórias passagens em clubes do futebol brasileiro e também pela Seleção. Paulo, ou melhor, Viola, iniciou a carreira na década de 1980 nas categorias de base do Sport Club Corinthians Paulista. De lá para cá foram muitas as camisas vestidas, algumas com grande destaque, outras com pouco brilho, mas em todas a irreverência e a personalidade do craque chamaram a atenção dos torcedores.

O início como profissional

Formado nas categorias de base do Timão, Viola recebeu a primeira oportunidade como profissional em um jogo memorável para os alvinegros. O Corinthians voltava à final do Campeonato Paulista um ano após ter perdido a decisão para São Paulo.  Dessa vez o oponente era o Guarani de Campinas. O primeiro jogo terminou 0 a 0. O segundo confronto, disputado no Brinco de Ouro, ficou novamente no empate sem gols no tempo regulamentar. No entanto, logo aos quatro minutos da prorrogação o garoto Viola, com apenas 19 anos, marcou o gol do título corintiano.

Após ser o destaque da conquista alvinegra em 1988, o atacante teve dificuldades em se manter na equipe profissional do Parque São Jorge e foi emprestado para clubes do interior paulista, retornando somente em 1992. As passagens por equipes de menor expressão do futebol ajudaram a ganhar experiência. O jogador voltou ao Corinthians para ser o goleador que todos esperavam. E assim foi. Em sua segunda passagem pelo Timão marcou 91 gols em 212 partidas. O retorno às origens também rendeu os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 1995.

A mais icônica comemoração de Viola, imitando um porco após marcar no Derby (Foto: Site Agência Estado)
A mais icônica comemoração de Viola, imitando um porco após marcar no Derby (Foto: Site Agência Estado)

Devido a grande fase vivida pelo atacante no início dos anos 1990, foi convocado por Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos. Sua única atuação no Mundial foi justamente na final do torneio. No início do segundo tempo da prorrogação, Parreira sacou Zinho e mandou Viola a campo, que ainda conseguiu deixar Romário em uma boa situação de gol, mas o baixinho não conseguiu capitalizar a oportunidade. Nas penalidades não foi escolhido como um dos batedores, mas acabou tetracampeão.

 

A breve estadia na Europa

Chegar ao futebol europeu é um sonho almejado por grande parte dos futebolistas sul-americanos, com Viola não era diferente. Após anos de destaque no Corinthians e a passagem pelo elenco campeão da Copa de 1994, o Valecia-ESP despertou interesse no atacante brasileiro e o levou para integrar seu elenco. Viola teve dificuldades com a adaptação ao Velho Continente, e também ficou marcado por alguns casos de indisciplina que repercutiram negativamente na imprensa espanhola. O brasileiro teve desafetos em todas as esferas do clube, desde o capitão da equipe, até com o então presidente. Tais ocorrências fizeram com que o treinador Luís Aragonés o afastasse das concentrações para os jogos.

Imprensa espanhola destaca a chegada de Viola ao Valencia (Foto: Reprodução/Twitter)
Imprensa espanhola destaca a chegada de Viola ao Valencia (Foto: Reprodução/Twitter)

Devido ao isolamento perceptível quanto ao resto do elenco, a torcida valenciana logo apelidou o atacante de Prince of Bell Air, alusão a semelhança entre o brasileiro e o ator Will Smith, protagonista do seriado americano The Fresh Prince of Bell Air. Ainda havia o fato que Viola passava boa parte do tempo no clube isolado com seu walkman, lembrando assim o artista estadunidense.

A volta ao Brasil

Após um ano na Europa, em 1996, Viola rescindiu seu contrato com o Valencia e desembarcou na cidade de São Paulo, porém, o atacante não voltou para o clube onde era ídolo, o Corinthians, mas sim para seu maior rival. Ficou por duas temporadas no Palmeiras, ambas sem conquistas. Não conseguindo repetir o bom desempenho que teve com o Timão ele se transferiu para o Santos. No alvinegro praiano teve uma passagem com mais destaque e alcançou a artilharia do Campeonato Brasileiro de 1988 e ainda o título da Copa Conmebol daquele mesmo ano.

Após duas temporadas com o Peixe, Viola desembarcou no Vasco da Gama, onde também teve uma passagem com títulos de expressão. Com o Cruzmaltino foram duas importantes conquistas: Copa Mercosul e Campeonato Brasileiro do ano de 2000. Após a passagem pelo Rio, o atacante voltou ao litoral paulista para defender o Santos novamente. Ainda passou brevemente pelo Gaziantepspor-TUR. Em 2004 retornou ao futebol nacional para assinar com o Guarani.

Polêmicas

A carreira de Viola foi marcada por muitos envolvimentos em polêmicas que repercutiram negativamente em sua imagem. No ano de 2006, foi detido por posse ilegal de arma, após três dias em reclusão os advogados do jogador obtiveram o relaxamento de sua prisão e conseguiram soltar o atacante. Em 2008 outra polêmica, naquele ano defendia o Duque de Caxias e foi acusado de xenofobia após proferir inúmeras ofensas ao então goleiro da equipe, Dusan Djokic. O caso não foi à justiça. Quatro anos após as acusações de xenófobo, o nome de Viola mais uma vez ganhou as manchetes do país. Dessa vez envolveu-se em uma discussão com sua então esposa e acabou sendo acusado por porte ilegal de arma de fogo (reincidente), desacato à autoridade e também violência doméstica. Foram mais cinco dias retido, contudo, os advogados do ex-jogador conseguiram a liberação do atleta para responder ao processo em liberdade.

Viola deixa presidio após cinco dias em reclusão (Foto: Site Folhapress)
Viola deixa presidio após cinco dias em reclusão (Foto: Site Folhapress)

 

A iminente aposentadoria

A partir da temporada de 2004, o rendimento de Viola, que já vinha despencando, caiu de forma considerável. Naquele ano, o atacante balançou as redes dez vezes em 25 jogos, no entanto, não conseguiu livrar o Guarani do rebaixamento para segunda divisão. A partir de 2005, a carreira entrou em uma fase de total instabilidade e muitas passagens curtas que foram pouco produtivas. A lista é grande: Flamengo, Juventus, Uberlândia, Duque de Caxias, Angra dos Reis. No período que vestira a camisa do Tubarão, foi o protagonista na campanha da equipe pela segunda divisão do Campeonato Carioca, totalizando dez gols em 14 partidas.

Após um ano em Angra, Viola rodaria ainda por Resende, Brusque, voltaria ao Juventus, Morrinhos, Pesqueira, Grêmio Osasco, Tanabi, Portuguesa Santista e em 2016 se aposentou na equipe de Taboão da Serra. Na última temporada de sua carreira, disputou a quarta divisão do futebol paulista pelo Tricolor da Serra, marcando nove gols em nove partidas. Um gol por partida. Nada mal para um veterano de 46 anos de idade.

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