Abel Braga: o tiozão do churrasco que conquistou o Mundo

Abel Braga foi campeão Brasileiro, da Libertadores e do mundo (foto: Alexandre Lopes/AI Inter
Por: Cristóvão Vieira, SC

Tiozão do churrasco é aquela figura conhecida: não mede as palavras e vive cheio dos trocadilhos infames, mas é cativante e, no fim das contas, todos querem que esteja por perto. Nada melhor para definir também Abel Carlos da Silva Braga, o técnico que surpreendeu o mundo há 10 anos.

O Abelão deixou um rastro de felicidade e é bem vindo em praticamente todos os times por qual passou. Campeão de pelo menos oito estaduais em quatro federações diferentes, o técnico é conhecido pelas apostas de fé e esperança, muitas vezes consideradas malucas, que por fim acabam certo. Afinal, quem além de Abel Braga apostaria em Adriano Gabirú na final de um Mundial?

Abelão arrasando os ataques adversários nos tempos de zagueirão (foto: Arquivo/CRVG)
Abelão arrasando os ataques adversários nos tempos de zagueirão (foto: Arquivo/CRVG)

Da zaga para a prancheta

Zagueirão de ofício, Abel foi revelado e formado pelo Fluminense. Como atleta, suas conquistas se resumiram a campeonatos estaduais – foi pentacampeão com o tricolor nos anos de 1971, 1973, 1975 e 1976, e depois campeão com o Vasco em 1977. Contudo, esse período lá na defesa observando todo o campo e a técnica dos demais jogadores, fizeram de Abelão um estrategista de primeira.

Já em 1985, começou a treinar o Goytacaz, time do Rio de Janeiro que havia acabado de defender como atleta. Fez alguns intercâmbios para Portugal, onde conseguiu seus primeiros grandes resultado. Treinando o Farmalicão, Abelão colocou a equipe na primeira divisão do Portuguesão. No início dos anos 90, Abelão colocou o Belenenses na elite da competição lusitana.

Primeiras conquistas

O primeiro caneco de Abelão foi com o Santa Cruz, no campeonato pernambucano de 1987. Depois disso, contudo, demorou para que o ‘professor’ votlasse a erguer um troféu. O início da carreira de Abelão não foi tão promissor. No regresso ao Brasil após o período em Portugal, atuando pelo Vasco, os resultados foram pífios. Pra piorar, criou-se um tabu de que o técnico não levantava troféus, apesar do Pernambucano. Até que o técnico carioca foi conhecido pelo futebol paranaense.

Com o Atlético, ele levantou o título estadual de 1998. Após 10 anos, o Coritiba conquistou o título estadual, e foi com as mãos – e a cabeça – de Abel Braga que isso foi possível, em 1999. No início dos anos 2000 é que o lado polêmico do técnico se revelou. Ele chegou a deixar o Botafogo, em 2002, por afirmar diante da imprensa que o elenco era muito fraco.

No Flamengo, Abelão teve sua primeira grande conquista e também seu maior tropeço na carreira. Em 2004, ele foi campeão carioca com o rubro-negro. Porém, no mesmo ano, perdeu o título da Copa do Brasil para o Santo André após empatar em 2 a 2 fora de casa e levar 2 a 0 em pleno Maracanã. Na época, Abelão afirmou que essa foi a maior derrota de sua carreira.

Em 2005, ele completou o ciclo de treino dos quatro grandes times cariocas ao comandar o Fluminense, conquistando o título estadual naquele mesmo ano.

 

A conquista do mundo

Depois da conquista do Carioca, seus maiores feitos na carreira estavam por vir na próxima temporada. Abelão decidiu treinar o Internacional, então abatido pela considerada injusta derrota do título do Brasileirão 2005 pelo Corinthians na polêmica da Máfia do Apito.

Porém, o elenco teve boa parte mantido e o trabalho seguiu no Beira-Rio. O primeiro trimestre de Abel no comando colorado não foi dos melhores, com a perda do Gaúchão para o Grêmio. A diretoria do Inter decidiu seguir apostando em Abel para a Libertadores, competição a qual ele vinha levando o time às classificações.

Com uma campanha surpreendente, Abelão chegou à grande final da competição continental, dessa vez para jogar contra o São Paulo, simplesmente o time que era atual campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes.

O favoritismo era todo para o lado tricolor, mas Abel e seus comandados provaram que futebol é decidido em campo. Em um jogo duro no Morumbi, após duas expulsões, Rafael Sobis fez o crime. Ele marcou os dois gols da vitória fora de casa, e deixou tudo mais tranquilo para a decisão no Beira-Rio. Em casa, o Colorado de Abel segurou o 2 a 2 e conquistou seu primeiro título da Copa Libertadores da América.

Naquele mesmo ano, o técnico colorado seria consagrado campeão do Mundo em uma campanha que até grande parte da torcida do Inter se surpreendeu. Na estreia, nas semifinais da competição, despachou o Al-Ahly por 2 a 1, gols do então debutante Alexandre Pato e de Luiz Adriano, hoje no Milan.

A grande final era contra nada menos do que o Barcelona, que em 2005 já podia ser chamado um dos melhores clubes do mundo em atividade. O elenco catalão contava com o capitão Puyol, Ronaldinho Gaúcho (o Bruxo estava no auge da carreira), Deco e Zambrotta. Para que se tenha uma ideia da disparidade, o banco do Barça tinha nomes como Iniesta, Xavi e Belletti, e o banco do Internacional tinha Perdigão.

Mas Abel Braga colocou na cabeça de seus comandados que o título seria vermelho e branco. Jogando com raça e colocando a vontade acima do talento, o colorado segurou a pressão adversária. Em mais um de seus planos mirabolantes, colocou Adriano Gabirú no lugar de, simplesmente, o goleador e ídolo Fernandão. E deu certo. Aos 36 do segundo tempo, Iarley recebeu bola na frente da área, pedalou e tocou para Gabirú que dominou tirando do marcador e bateu pras redes.

Há quem diga que Gabirú bateu errado e por isso marcou, mas ele nega isso até o fim:

 

 

Tìtulo brasileiro

Faltava, na carreira de Abelão, um título nacional para chamar de seu. Ele veio com sua segunda passagem pelo Fluminense, em 2012. Com um time repleto de astros, como Deco, Fred, Thiago Neves, além de atletas que ele já havia comandado, como Rafael Sobis, e o jovem destaque Wellington Nem, ele foi campeão carioca de 2012 e também campeão brasileiro daquele mesmo ano.

A campanha no nacional foi impressionante, e o título veio com três rodadas de antecedência em uma partida contra o Palmeiras, que acabou rebaixando o adversário alviverde. Depois disso, Abelão foi visto poucas vezes em solo brasileiro. Chegou a voltar ao Internacional em 2014, sem vingar no clube, e em 2015 foi para o Al-Jazira, também sem sucesso. É um dos técnicos mais monitorados pelos grandes clubes, mas em 2016 ficou sem trabalhar.

 

A simpatia da grande figura de Abel Braga (foto: Arquivo/FFC)
A simpatia da grande figura de Abel Braga (foto: Arquivo/FFC)

 

Fontes: Fifa; O Globo; Diário de Cuiabá; GloboEsporte

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*