Adeus, Luisinho Lemos: o maior craque do América-RJ

Morre Luisinho Lemos, um dos grandes do futebol carioca

Luisinho Lemos foi um dos destaques do Brasileirão de 86. (Fonte: Revista Placar)

Por: Wagner Ponce (SP)

O futebol do Rio de Janeiro amanheceu mais triste na manhã de ontem, faleceu aos 66 anos após um infarto, o maior artilheiro do América Futebol Clube, Luisinho Lemos, também conhecido como Luisinho Tombo. Um jogador que despertou a paixão da torcida carioca além de qualquer clubismo.

O futebol estava DNA de Luisinho, irmão dos também atacantes Caio Cambalhota e César Maluco, jogadores que também fizeram história no futebol brasileiro, Luisinho estreou no futebol profissional pelo América aos 21 anos, tendo marcado um total de 311 gols com a camisa vermelha do clube carioca, é também o terceiro maior artilheiro do Maracanã, ficando atrás apenas de Zico e Roberto Dinamite.

Com passagens também por Flamengo, Botafogo, Internacional e Palmeiras, entre outros clubes, teve em 1976 sua única chance para vestir a camisa da Seleção Brasileira, quando à época atuava pelo time rubro-negro. Ele que chegou a dizer que não cortaria barba e cabelos compridos para atuar pelo Brasil, uma das exigências do Almirante que comandava a CBD (Confederação que comandava o futebol brasileiro na época). Na Gávea, jogou ao lado dos irmãos Zico e Edu, marcando um total de 95 gols durante as três temporadas que atuou pelo Flamengo. Do Rio de Janeiro se transferiu para Porto Alegre, onde jogou com outra grande camisa vermelha, sendo campeão gaúcho pelo Internacional em 1978.

Luisinho foi contratado pelo Flamengo em 1975 (Foto: Divulgação/Flamengo)

Toda sua carreira foi marcada por constantes retornos ao América, ao todo foram quatro passagens, com quatro importantes títulos: Taça Guanabara de 1974, Taça Rio, Taça Rio de Janeiro e a Copa dos Campeões, todas no ano de 1982. Ainda foi artilheiro de duas edições do Campeonato Carioca, em 1974 e 1983, e Bola de Prata do campeonato Brasileiro de 1974. Após uma breve passagem pelo Palmeiras, Luisinho retornou ao América em 1985, onde no ano seguinte ajudou seu time a realizar a maior campanha da história do clube em Brasileirões, chegando até à semifinal, caindo apenas para o São Paulo, campeão daquele ano.

Luisinho Lemos com a Bola de Prata na seleção do campeonato brasileiro de 1974 (Foto: Revista Placar)

Já em fim da carreira, o craque foi se aventurar no futebol árabe, numa época em se tinha pouca informação sobre o futebol local, e eram raros os jogadores brasileiros que se transferiam para lá. Jogou pelo Al- Wakrah e pelo Al-Sadd, encerrando a sua carreira oficialmente atuando pelo Qatar SC. Após pendurar as chuteiras, voltou ao Brasil para ser treinador, mais ainda teve a oportunidade de trabalhar por mais de dez anos no “mundo árabe”, mostrando o grande respeito que adquiriu em um futebol que ainda era pouco explorado pelos ocidentais.

Após dez anos longe dos campos, aceitou o desafio de comandar o seu clube do coração, com a difícil missão de reerguer o América, após seu quarto rebaixamento no Campeonato Carioca. Sua identificação com o clube fazia com que qualquer chamado que recebesse do time Rubro se tornasse uma missão. Mais uma vez, ele cumpriu o que todos almejavam e conseguiu o pronto retorno à primeira divisão do futebol carioca.

Luisinho Lemos recebeu a missão de levar o América de volta a Série A (Foto: Divulgação)

Rebaixado no início desse ano, após sua equipe não conseguir avançar dentro da seletiva estadual – torneio preliminar que classifica duas equipes para a fase principal da Série A do Rio de Janeiro – Luisinho Lemos foi mantido no cargo pela diretoria do América com um grande apoio da torcida, que reconhecia o bom trabalho do treinador, mesmo após o quinto rebaixamento.

Na estreia da Série B, no último dia 25 de maio, aos 28min do segundo tempo, Luisinho passou mal enquanto comandava seu time. A partida foi paralisada e ele foi removido de ambulância para um hospital próximo ao estádio. Vítima de um infarto, o coração do maior ídolo da história do Mecão parou de bater fazendo aquilo que ele mais gostava de fazer: liderando o América Futebol Clube. Assim como diz o hino do América, “hei de torcer até morrer…”

Sem dúvidas, Luisinho é um dos maiores capítulos de tudo que o clube da Rua Campos Sales construiu no futebol. Mesmo com mais lágrimas do que glórias ao longo dos últimos anos, a paixão da torcida americana mantem-se intacta, pois as derrotas fazem parte do que é o esporte, o sonho de retornar e se manter na elite carioca continua, e que agora seja em nome do seu grande jogador, treinador e torcedor.

Fica a saudade e a história daquele que nunca morrerá no coração de quem ama o futebol e de quem tem o sangue do América correndo em suas veias!

 

 

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