Agustín Delgado: um artilheiro desbravador

Com 31 gols, “Tín” é o maior goleador da história da seleção equatoriana

Agustín ajudou o Necaxa a conquistar a Liga dos Campeões da CONCACAF (Foto: Mexsport).
Por Dudu Nobre, PR

Ser artilheiro é a glória máxima para qualquer jogador de frente. Seja no interclasse, na pelada com os vizinhos ou no campeonato varzeano da cidade. Agora imagine você ser o cara que mais fez gols na história da seleção do seu país? Uma honra e tanto. No Equador, esse privilégio é de Agustín Javier Delgado Chala.

“Tín” – como é conhecido pela torcida – nasceu em Ambuquí, cidade localizada no Valle del Chota onde nasceram outros atletas como Ibarra e Guerrón. Começou a carreira em 1991 no Espoli-EQU, clube que havia sido fundado cinco anos antes. Após duas temporadas e boas atuações no jovem time da capital, desceu à beira do pacífico e acertou com o poderoso Barcelona de Guayaquil-EQU.

A adaptação não aconteceu logo de cara e em 1996 voltou à Quito, dessa vez para jogar pelo El Nacional-EQU. Delgado mostrou sua qualidade, anotando 19 gols e conquistando o título equatoriano. Diante do desempenho que teve, Tín ganhou mais uma chance nos Canarios, e não a desperdiçou: foi bicampeão nacional e comandou o Barcelona à final da Libertadores de 1998, quando perdeu o título para o Vasco da Gama. Um duro golpe que o artilheiro só vingaria 10 anos depois.

Agustín ajudou o Necaxa a conquistar a Liga dos Campeões da CONCACAF (Foto: Mexsport).
Agustín ajudou o Necaxa a conquistar a Liga dos Campeões da CONCACAF (Foto: Mexsport).

Após a decisão, Agustín foi desbravar o futebol mexicano. Não teve uma boa passagem pelo Cruz Azul-MEX e recebeu uma segunda oportunidade no Necaxa-MEX, onde jogava o compatriota Álex Aguinaga. Junto com o meia, o atacante viveu nos Rayos o melhor momento da carreira.

Em 1999 conquistou de forma inédita a Liga dos Campeões da CONCACAF, o que foi o passaporte para o Mundial de Clubes da FIFA em 2000. Dentre tantos times tradicionais do futebol mundial, o Necaxa-MEX eliminou o Manchester United na primeira fase e ficou em terceiro lugar após vencer nos pênaltis o galático Real Madrid-ESP. Delgado marcou o gol de empate e acertou da marca da cal. Naquele ano ainda seria o artilheiro do Torneo de Verano mexicano com 14 tentos feitos.

Ao mesmo tempo em que escrevia seu nome na terra dos mariachis, Tín desandava de fazer gols com a camisa de La Tri nas eliminatórias para a Copa da Coréia e do Japão. O Equador fazia uma campanha surpreendente, à frente de Brasil e Uruguai na tabela.

No dia 7 de novembro, em um Olímpico Atahualpa pulsante, a seleção empatou com a Celeste em 1 a 1 e fez história. La Tri sairia do alto de Quito para alcançar o topo do futebol global pela primeira vez, muito pelos nove gols de Delgado – artilheiro das eliminatórias.

A campanha no Mundial não foi tão boa: com um triunfo e duas derrotas, o Equador ficou na lanterna do grupo G, mesmo com chances de classificação. Delgado, no entanto, botou seu nome na história do país ao anotar o primeiro gol da seleção em Copas do Mundo. Todo esse bom momento foi recompensado com uma proposta do futebol europeu.

Seleção que disputou o primeiro mundial da história do Equador. (Foto: Reprodução/Andes).
Seleção que disputou o primeiro Mundial da história do Equador. Delgado é o primeiro da direita pra esquerda. (Foto: Reprodução/Andes).

Agustín desembarcou na Inglaterra no começo do milênio, contratado pelo Southamptom – sendo o primeiro equatoriano a jogar na terra da rainha. O que era para ser o trampolim ao estrelato acabou em decepção. Problemas pessoais e lesões no joelho atrapalharam o centroavante, que disputou apenas 15 jogos em três anos de Saints. O único lampejo foi ter marcado na vitória sobre o Arsenal, de Henry e companhia, por 3 a 2 na temporada 2002/2003.

A situação era crítica, até porque o Mundial de 2006 se aproximava e o Equador tinha de somar pontos nas eliminatórias. Mais uma vez Tín precisava de um voto de confiança, e Hernan Dario Gomez apostou no faro do matador. Mesmo sem jogar uma partida internacional desde a Copa, o treinador o convocou em 2004.

Como sempre, Agustín não desapontou. Com cinco gols, foi o artilheiro da seleção e a levou a mais um Mundial. Mas a imprensa internacional não sabia o que pensar, já que Delgado chegava à Alemanha após ter rodado por alguns clubes equatorianos e pelo Pumas do México. Mas os 5 gols na Liberta de 2006 pela LDU eram um sinal positivo.

O que eles não sabiam é que Delgado se transformava quando vestia o manto de La Tri. Com isso, participou ativamente da melhor campanha equatoriana em Copas. Fez dois gols e uma assistência nas duas vitórias contra Polônia e Costa Rica, triunfos que asseguraram a vaga nas oitavas. Mesmo com a derrota por 1 a 0 para a Inglaterra, “Tín” e seus companheiros têm motivos de sobra para se orgulhar.

Após o Mundial, Delgado já pensava na aposentadoria. Mas os deuses do futebol ainda lhe reservavam uma última desforra. O atacante integrou o elenco da Liga em 2008. Final da Libertadores, time brasileiro… Você já viu isso nesse texto!

Mas dessa vez o final foi feliz. Após superar o Fluminense na disputa por pênaltis em pleno Maracanã, Agustín ganhara sua medalha com dez anos de atraso. Mesmo no banco, colocou no currículo de feitos inéditos o primeiro título continental do Equador.

Delgado participou do jogo de ida da decisão da Libertadores de 2008 (Foto: Reprodução/El Comercio).
Delgado participou do jogo de ida da decisão da Libertadores de 2008 pela LDU (Foto: Reprodução/El Comercio).

Delgado encerrou a carreira em 2009 no C.D. Valle del Chota-EQU, clube da região onde tudo começou. Ele pode não ter brilhado na Europa como outros equatorianos que vieram depois. Mas Tín fez algo grandioso: foi ídolo do seu povo. Com seus 31 gols com a camisa de La Tri, ensinou que com garra e ambição você pode ir mais alto que o Chimborazo (pico mais elevado do Equador com 6.268 metros).

Fontes: BBC, FIFA, El Universo, Terra, UOL.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*