Alberi Ferreira, o anjo do futebol potiguar

Quando perguntado por um jornalista da Revista Placar se seria ele um Deus do futebol, não titubeou em responder que era de uma categoria inferior, e era apenas um anjo do futebol

Alberi Ferreira (Foto: Divulgação)

Alberi José Ferreira de Matos, nasceu em Recife, em 28 de janeiro de 1945. Ao longo de sua trajetória, Alberi marcou 210 gols pelo ABC e é hoje o segundo maior artilheiro do clube, atrás apenas de Jorginho com 219 gols.

Apesar da resposta ser em tom de descontração, não é difícil encontrar no Rio Grande do Norte quem confirme a tese que ele era realmente um ‘Anjo do futebol’. Alberi iniciou sua carreira um pouco tarde para os padrões do futebol. Apenas com 23 anos, ele resolveu se aceitar como jogador depois de muita insistência de cartolas do Santa Cruz-PE. Ele relutava em assumir essa profissão, vendo que a possível carreira nos gramados ainda era uma incerteza. E assim ele preferia buscar outros trabalhos para poder contribuir com as despesas do lar.

A insistência dos cartolas tricolores valeu a pena, e começou sua carreira no Santinha, mas ainda em 1968, ele foi comprado por Cr$ 10.000 (dez mil cruzeiros) pelo ABC FC, time de Natal-RN, onde ele viria a se tornar ídolo e alcançar as suas maiores conquistas pessoais.

Alberi e Pelé antes de um ABC 0 x 2 Santos no Machadão em 1972 (Foto: Reprodução/ Blog ABC Natal
Alberi e Pelé antes de um ABC 0 x 2 Santos no Machadão, em 1972 (Foto: Reprodução/ Blog ABC Natal)

Na sua estreia pelo ABC, o atacante marcou dois gols e deu a vitória ao alvinegro natalense por 3 a 2 contra o Ferroviária-RN, pelo campeonato estadual. Começava, assim, a trajetória de Alberi no ABC FC. Com algumas idas e vindas, ele somou quase dez anos com o manto do alvinegro natalense.

Nesses dez anos, Alberi conquistou cinco vezes o Campeonato Potiguar,  e mais duas vezes, a Taça Cidade do Natal. Além desses títulos coletivos, ele também conquistou títulos pessoais pelo ABC, desde artilharias de campeonatos até um lugar na tão famosa ‘Seleção Bola de Prata’, da Revista Placar, que premia os melhores jogadores de cada posição no Campeonato Brasileiro desde o ano de 1970.

O atacante conquistou sua Bola de Prata em 1972, fazendo companhia a outros nomes consagrados do futebol nacional, como Emerson Leão,  Marinho Chagas, Figueroa, Paulo Cesar Cajú e Ademir da Guia. Que Seleção, amigos!

Seleção Bola de Prata 1972. Alberi é o segunda esquerda para a direita agachado (Foto: Reprodução/Revista Placar 1972)
Seleção Bola de Prata 1972. Alberi é o segunda esquerda para a direita, agachado (Foto: Reprodução/Revista Placar 1972)

Após a conquista da Bola de Prata, Alberi recebeu uma proposta muito valiosa para jogar no Fluminense-RJ. Um representante do clube carioca chegou em sua residência, em Natal, e lhe trouxe uma proposta salarial de Cr$ 15.000 por mês. O salário do atacante no ABC era de Cr$ 1.800, e mesmo com tamanha diferença salarial, ele escolheu ficar no Alvinegro Potiguar com a justificativa de que “o que importa é nos sentirmos bem”. E naquele momento, o lugar onde sentia isso era em Natal, no ABC FC.

Outro fato curioso relacionado a Alberi e sua paixão pelo ABC aconteceu quando o atacante voltou ao Santa Cruz no fim da década de 70. Antes de ir, ele disse que estava saindo do ABC, mas que um dia voltaria, e ele cumpriu sem demora a promessa. Pelo Santinha ele conquistou o Campeonato Estadual, e o tricolor deu para cada atleta um Fusca zero Km, que era o carro do ano. Mas o atacante não resistiu à saudade e voltou para o ABC antes mesmo de receber o seu Fusca, abrindo mão, assim, de sua premiação pelo título conquistado em Recife. Após isso, o ABC deu-lhe um carro do mesmo, compensando-o pelo que o atleta abriu mão para voltar a Natal.

Alberi no estádio Juvenal Lamartine, um dos primeiros estádios de Natal (Foto: Reprodução/Blog ABC Natal)
Alberi no estádio Juvenal Lamartine, um dos primeiros estádios de Natal (Foto: Reprodução/Blog ABC Natal)

 

Texto: Jaqueilton Gomes  @_jackdm3

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