America Football Club: O campeão com a pelota nos pés

Tradicional clube carioca contém 111 anos de muitas glórias e craques

O mais antigo America de todo o Brasil surgiu em 1904, após o desentendimento de cartolas do Clube Atlético Tijuca – que era responsável por promover corridas a pé -, o que resultou na dissolução do clube. Depois disso, uma equipe formada por Alfredo Koeler, Oswaldo Mohrstedt e Jaime Faria Machado decidiu formar uma outra associação.

Logo depois de assistir um jogo do Fluminense, Oswaldo Mohrstedt teve a certeza que o novo clube seria de futebol. Por fim, foi feita uma reunião na casa de Koeler, com a adição de mais quatro jovens, sendo eles:  Henrique Mohrstedt, Gustavo Bruno Mohrstedt, Alfredo Mohrstedt – sim, todos da mesma família, todos irmãos – e Alberto Klotzbücher, para que assim fosse fundado, em 18 de setembro de 1904, o America Football Club.

Diferentemente do que a maioria acha, o Mecão não foi vermelho e branco em toda a sua história. Nos primeiros anos, era adotado o alvinegro. O seu uniforme era com camisa e meias pretas e calção e gravata branca. Apenas em 1908, influenciados pelo uniforme do colégio paulista Mackenzie, o zagueiro do clube carioca, Belford Duarte, deu a ideia de mudar para as cores que conhecemos hoje.

Os sete fundadores do America: Alberto Klotzbücher, Oswaldo Mohrstedt. Sentados da direita para a esquerda: Henrique Mohrstedt, Gustavo Bruno Mohrstedt, Alfredo Mohrstedt, Jaime Faria Machado e Alfredo Guilherme Koehler (Foto: Divulgação/ Site Oficial América)
Os sete fundadores do America (Foto: Divulgação/ Site Oficial América Football Club)

Em 1911, o Haddock Lobo Football Club, equipe que disputava os primeiros Campeonatos Carioca, passava por dificuldades financeiras, por conta disso a solução foi fundir-se ao America. Por consequência dessa fusão, o Rubro teve, por sua primeira vez, um estádio próprio, o estádio da rua Campos Sales, além de ter ganho reforços de maior qualidade técnica, como o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, que foi o primeiro arqueiro da história da Seleção Brasileira.

Atualmente, o Mecão utiliza o Estádio Giulite Coutinho, conhecido também como Edson Passos, por se localizar a 200 metros da estação ferroviária com esse mesmo nome. O Estádio é assim nomeado em homenagem ao ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Giulite Coutinho, que esteve a frente da Confederação no período de 1980-86. Ele foi inaugurado em 23 de janeiro de 2000, em um amistoso entre o America e a Seleção Carioca, que terminou em 3 a 1 para o time alvirrubro, com primeiro gol na história do estádio sendo do atacante americano Sorato.

Em seus 111 anos de história, o Diabo – terceira e última alcunha do clube – abrigou inúmeros craques, alguns conhecidos mundialmente, como Romário e Zagallo, sendo o segundo formado pelo clube. Porém, indiscutivelmente, o maior ídolo da história do America é Edu Coimbra, irmão mais velho do Galinho de Quintino, que jogou no clube de 1966 até o ano de 1974, e nesse período se tornou, como é até hoje, o maior artilheiro do time. Edu era um exímio ponta de lança, tinha um drible curto refinado e distribuía passes como um autêntico camisa 10.

Se falado de craques do clube é necessário um espaço à parte para falar de João Evangelista Belford Duarte, ou apenas Belford Duarte, que foi o primeiro grande ídolo da história americana, o capitão jogou de 1908 até 1915 no América e em toda sua trajetória nunca recebeu um cartão vermelho. Um exemplo para qualquer atleta, Belford uma vez alertou ao árbitro da partida um pênalti que ele mesmo tinha cometido e o juiz não marcou. O zagueiro era um xerife completo, não apenas dentro das quatro linhas, conhecido também por proibir bebidas e cigarros dentro do clube e por permitir a entrada de jogadores negros no Rubro. Além disso tudo, ajudou o time a ganhar seu primeiro Campeonato Carioca, em 1913, cujo título é citado no belíssimo hino americano. Belford foi muito mais que apenas um jogador, até hoje é eternizado no prêmio em seu nome (“Prêmio Belford Duarte”), que homenageia os atletas futebolísticos mais limpos em campo. O jogador, capitão, técnico, diretor-geral do futebol, e tesoureiro do America morreu assassinado, em 27 de novembro de 1918, no dia de seu aniversário, por conta de uma disputa de terras.

O considerado maior título do America aconteceu apenas quase 70 anos após o título carioca de 1913, foi o Torneio dos Campeões de 1982, organizado pela CBF. A competição abrangia todos os campeões e vices de campeonatos oficiais já disputados no Brasil, mas como o total de clubes eram 17, o Mecão entrou também, por ser o time que mais participou de competições da Confederação Brasileira. Na primeira fase o clube se encontrou no Grupo C junto com o Atlético-MG, Cruzeiro e Grêmio. Após seis jogos complicados, conseguiu passar para o mata-mata e pegando o próprio Atlético-MG nas quartas.

Na fase final, vieram quatro jogos que foram extremamente complicados, no primeiro deles, ganhou do time mineiro de 1 a 0. Nas semifinais, seu adversário foi a Portuguesa Paulista, onde foi vencedor apenas nos pênaltis, sendo o tempo regulamentar 2 a 2, e nas penalidades ganhou por 4 a 3. Seriam dois jogos decisivos na final, contra o campeão brasileiro de 1978, o Guarani, a primeira partida acabou em empate, 1 a 1, levando assim para o Maracanã decidir o título, e isso aconteceu apenas na prorrogação, quando Gilson Gênio fez o gol que decretou o placar 2 a 1 para o America e sagrou o time carioca campeão.

Além do Torneio dos Campeões em 1982, o clube carioca possui mais 30 títulos oficiais, sendo os mais importantes os 7 de Campeonatos Carioca (1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935 e 1960), a Taça Guanabara de 1974 e a Taça Rio de 1982.

 

Texto: Augusto Araujo (@AugustoLdeA)

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