América Futebol Clube de Pernambuco: um gigante adormecido

O América não nasceu América Futebol Clube. No dia 12 de abril de 1914, 26 homens se juntaram na Rua Jõao de Barros e fundaram o João de Barros Foot-Ball Club e no mesmo dia da fundação do clube foi escolhida a primeira diretoria do América que contava com: Aristheu Accioly Lins (Presidente), Luiz Accioly Lins (Primeiro Secretário), Ubyrajara Accioly Correia (Segundo Secretário), José Acciolly Correia Lins (Tesoureiro), José Reis e Silva (Diretor Esportes) e Ayres Valente (Vice-Diretor Esportes).

Um ano depois, João Evangelista Belfort Duarte veio ao Recife em busca de apoio da Liga Sportiva para fundação da Federação Nacional de Esportes, antecessora da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Belfort Duarte foi recebido com muita festa e foi convidado para a assembleia geral do dia 22 de agosto, na sede do João de Barros. Naquela noite, Belfort Duarte foi distinguido, para sua surpresa, como capitão honorário do clube e mudou o nome do clube para América Futebol Clube, em homenagem ao seu clube de coração: o América Football Club do Rio de Janeiro.

ANOS DE GLÓRIA

No ano de 1918, o América iria para sua quarta participação no Campeonato Pernambucano, no anterior a equipe acabou em segundo lugar do Grupo A e não conseguiu a classificação para a final do estadual. Mas, aquele ano reservava surpresas para o clube, com uma campanha impecável o América sagrou-se campeão estadual pela primeira vez, foram 10 jogos, 8 vitórias, 1 empate e uma derrota. A equipe terminou como melhor ataque, 44 gols marcados e melhor defesa, 10 gols sofridos. Resultados impressionantes marcaram esse estadual, como o incrível 10 a 1 do América sobre o Náutico e também sobre o Torre, e o 6 a 1 frente ao Sport.

Em 1919, começava o favoritismo ao América, afinal, a equipe sagrou-se campeão de forma indiscutível no ano anterior, e o América não decepcionou sua torcida, confirmando o favoritismo, o Mequinha conseguiu o bicampeonato estadual em uma campanha tão boa quanto a anterior, em 7 jogos a equipe venceu 6 e perdeu 1, acabando com o segundo melhor ataque da competição, 25 gols feitos, e melhor defesa, 6 gols sofridos.

O América iniciava 1920 com a moral mais que elevada, vindo de dois anos maravilhoso a equipe era favorita ao título e consequentemente ao tri-campeonato, a equipe começou bem o campeonato, aplicou um singelo 4 a 1 no Sport, mas um fato iria mudar o rumo do América nesse campeonato: o Mequinha abandonou o campeonato. Aconteceu que, no dia 27 de junho, estava marcado o jogo entre a equipe esmeraldina e o Santa Cruz, a Liga indicou para arbitrar o jogo João Elias Bernardes. A direção do América contestou a indicação e pediu ao presidente da Liga para indicar um outro árbitro, alegando que João Elias sempre que apitava jogos do América prejudicava a equipe. A Liga ignorou o pedido e manteve o árbitro.

Durante o jogo, aconteceu o que a diretoria esmeraldina temia, João Elias errou bastante contra o América e para piorar a situação da arbitragem, o Santa Cruz venceu o América por 2 a 1. No final do jogo, os jogadores cercaram o árbitro e o xingaram barbaridades e João Elias só não apanhou porque ficou calado. Mas vingou-se na súmula. Resultado: A Liga suspendeu os jogadores Antônio “Perez” por seis meses, e seu irmão Felipe Perez, Bermudes e Alexi por três. O América recorreu ao Conselho Geral, sem êxito. A direção do América revoltados com a LPDT, abandonou o Campeonato, já que perdeu seus principais jogadores e desligou-se da Liga.

No ano seguinte o América voltou a disputar o campeonato, e como nos anos anteriores, a equipe era vista como um dos favoritos para levantar o caneco, e em um campeonato acirrado, América e Santa Cruz acabaram empatados com 19 pontos, como na época não tinha critério de desempate, as equipes disputaram uma partida extra no dia 12 de fevereiro de 1922, o local do grande clássico seria o Estádio da Avenida Malaquias, antigo campo do Sport Club do Recife no bairro das Graças. Nozinho, Rômulo, Ayres, Zizi, Licor, Lindolfo,Matuto, Jujú, Zé Tasso, Lapinha e Fabinho não tomaram conhecimento do Santa Cruz na partida final e fizeram 4 a 1, levando o América ao terceiro título estadual.

1922 surgia com dois favoritos ao título, América e Sport, no primeiro jogo do estadual o América fizera 7×1 no Sport, entretanto, a partida foi interrompida devido a falta de iluminação, naquela época os campos ainda não tinham iluminição artificial, com isso o campeonato seguiu e a partida foi deslocada para 19 de novembro, quando todas as outras rodadas já haviam sido disputadas. O América chegava com 10 pontos e o Sport com 11, mas, o clube começou ganhando por 7 a 1, após o reinicio da partida. O Sport se lançou todo ao ataque em busca de um empate heroico, sem sucesso, a partida terminou 7 a 1, e o América era, novamente, bicampeão pernambucano e conquistava a quarta taça estadual. Vale ressaltar que em 1922, o Brasil comemorava o Centenário da Independência, e com o título, o grito que ecoava no Recife era o de Campeão do Centenário.

Se no Sul era disputado a Copa dos Campeões e o Torneio Rio-São Paulo, em Alagoas foi organizada uma competição diferente: a Taça Nordeste (o primeiro torneio inter-estadual da região Nordeste de que se tem notícias). A taça foi divida em dois grupos com 4 equipes, no grupo A tínhamos o América-PE, CRB-AL, Botafogo-BA e Cabo Branco-PB; no grupo B encontravam-se o Sport, Vitória-BA, CSA-AL e América-PB. CSA, Sport, Botafogo-BA e América-PE classificaram-se para as semifinais, o Mequinha aplicou 6 a 2 no Sport e o CSA derrotou o Botafogo por 2 a 1. A final seria disputada entre América e CSA. O primeiro jogo foi realizado no dia 4 de fevereiro, e o América venceu o CSA por 2 a 1, e no dia 6 de fevereiro, foi disputada a segunda partida, uma batalha colossal e uma das partidas mais emocionantes da história do América. Juju fez 1 a 0 para o América. Nelcino empatou e Bráulio fez 2 a 1 para o CSA. Zé Tarso empatou outra vez, daí Odulfo fez 3 a 2 e 4 a 2 para os alagoanos. Juju voltou a marcar para o América, fechando o placar e levando o América para o título, para muitos esse é o título mais importante do Mequinha até hoje.

O último título e o mergulho na decadência

O Pernambucano de 1944 foi disputado em 3 turnos, o América venceu o primeiro e o Náutico venceu os outros dois, com isso, as equipes iriam fazer as finais, ao todo, foram 4 partidas disputadas, na primeira o empate prevaleceu, 1×1. Daí por diante o América tomou conta do confronto, foram 3 vitórias – 3 a 2, 2 a 0 e 3 a 0 – o esquadrão composto por Zezinho, Capuco, Julinho, Djalma, Edgard, Oseás, Pedrinho, Barbosa, Leça, Galego e Rubens conquistou o último estadual do América.

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Equipe que conquistou o último título do América (Foto: Reprodução/Futebolpefotos)

Os anos seguintes foram de ascensão do Náutico, que tinha sua sede muito perto do América, enquanto o esmeraldino ia sumindo aos poucos, em 1959, o clube pediu licença e não disputou o Estadual daquele ano, a equipe se encontrava mergulhada em uma grave crise financeira. Era o mergulho na decadência. Em 1962 voltou a disputar o estadual, mas sem a força que já teve.

Em 1981, o alviverde transferiu seu futebol para Jaboatão dos Guararapes, cidade de grande porte geminada ao Recife. Era a tentativa de abrir um novo espaço e atrair o pessoal da terra. Não deu certo. Voltou para a Estrada do Arraial. Mais tarde houve outra mudança para Jaboatão. Mais frustração.

Tempos atuais

Atualmente o América manda seus jogos nos Aflitos, antigo estádio do Náutico, na verdade, o América nunca possuiu um estádio próprio, mandou seus jogos em vários estádios e em diversas cidades, muitos atribuem a falta de estádio a decadência do clube. Em 2010, após 15 anos de ausência, o América retornou para a elite do futebol pernambucano. Em 2015, batalhou para não ser rebaixado e viveu uma grave crise, a equipe perdeu sua sede, onde já estava há 65 anos e estava a deriva, entregue ao vento. Em 2016, no entanto, a equipe parece ter encontrado os rumos, conquistando a vaga para a Série D e voltando a disputar uma campeonato nacional após uma longa espera.

Escudos

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Evolução do escudo do América ao longo dos anos (Foto: Reprodução)

Rivalidade

Apesar de ter rivalidade com os 3 grandes da capital, Sport, Santa Cruz e Náutico, o América tem como seu principal rival o Sport, o clássico conhecido como, O Clássico dos Campeões, já proporcionou jogos históricos e emocionantes. Infelizmente com a grave crise que o América vem enfrentando, a importância do clássico diminuiu bastante, e hoje é praticamente inexistente.

Principais títulos

Campeonato Pernambucano: (1918, 1919, 1921, 1922, 1927 e 1944).
Troféu Nordeste: 1923
Torneio Início: (1921, 1930, 1931, 1934, 1936, 1938, 1941, 1943, 1955, 1967 e 1970).

 

Texto e pesquisa: Guilherme Batista

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