Arbitragem e tecnologia: precisamos da tecnologia no futebol?

O olho eletrônico pode ser a salvação para tornar o jogo mais justo

Trio de arbitragem da CBF na copa do mundo sub-17 (foto: Site Oficial CBF/Reprodução)
Por: Lucas Poeiras, MG

Um modelo que se esgotou

As últimas rodadas do Brasileirão vem botar em cheque o modelo de arbitragem vigente no  campeonato. As polêmicas envolvendo lances difíceis de serem apitados trazem capítulos extra campo que são rejeitados pelos torcedores e pelos profissionais envolvidos. Os homens do apito mostram o quanto a categoria não é preparada adequadamente como um todo para partidas de ponta. O nosso modelo atual trata os árbitros como não profissionais, já que não há legislação que regulamente a sua profissão, então não podemos demonizar apenas a pessoa por detrás do apito. Uma estrutura maior não permite sua formação adequada e aprimoramento e os coloca em situações difíceis.

Os critérios para qualificar um árbitro estão relacionados ao nível das confederações que eles atendem. Frequentemente nos deparamos com um árbitro FIFA, outros CBF e até mesmo com aqueles que são certificados pelas instituições regionais de futebol (FMF, FPF etc). As formas para avaliá-los são muito mal explicados para imprensa, torcida e até para os clubes, já que o  critério para esta ascensão é apenas político não sendo explicitado pelas federações para o público. A maioria se capacita por conta própria mas não tem o aprimoramento dessas qualidades resguardada pelas entidades do futebol. Muito mais que uma comissão interna de arbitragem que dá notas aos que trabalharam no jogo, é necessário um padrão em critérios e medidas para orientação de toda a comunidade entorno do esporte.

Além falta desses direitos básicos ao profissional,  temos medidas absurdas como a proibição do diálogo dos atletas com a arbitragem e a orientação. Soma-se isso a cultura esportiva que tenta ludibriar a arbitragem simulando faltas, “cavando” penalidades e tentativas de conseguir vantagens, há uma receita que pode ser explosiva em toda partida. O apito não serve apenas para regulamentar a ação corrente, e sim, para orientar os praticantes do esporte (profissionais ou não) garantindo justiça a partida e fluidez para o esporte. A realidade é apenas de uma figura autoritária que toma decisões sobre “o que pode e não pode” dentro das quatro linhas.

O sucesso da tecnologia na arbitragem de outros esportes

Tênis, vôlei, futebol americano, basquete são exemplos de esportes de ponta que já utilizam a tecnologia na arbitragem. Seja o replay para observar se a bola saiu de jogo ou não, para determinar a posse de bola ou anular uma pontuação, é fato que esses recursos tornam o jogo mais inteligível e mais justo. O olho humano não é capaz de captar tudo e muitas vezes o  homem não consegue acompanhar e tomar tantas decisões importante tão rapidamente.

O futebol americano é provavelmente o esporte que usa mais intensamente os recursos eletrônicos na comissão de arbitragem. Além de ter expandido para sete o número de árbitros em campo, o futebol americano ainda possui dois oficiais fora de campo assistindo aos replays das jogadas para tornar as chamadas disciplinares mais efetivas. Todos os lances polêmicos e ou lances em momentos chave do jogo são revistos eletronicamente para que haja o mínimo possível de falha. Os juizões americanos ainda são profissionais, tem rotina na comissão de arbitragem, treinam, procuram seus erros e seus acertos para aprimorar a sua função no jogo.

Arbitragem da NFL (Fonte: Site oficial NFL/Reprodução)
Arbitragem da NFL (Fonte: Site oficial NFL/Reprodução)

O exemplo que podemos absorver disso é que as principais ligas esportivas tornaram seus árbitros melhores assim que os profissionalizaram, capacitaram e deram as ferramentas certas. Não devemos invisibilizar o profissional da arbitragem, e sim, ele deve fazer isso por si tornando-se um árbitro transparente. O melhor juiz é aquele que faz a partida correr tranquilamente e corretamente sem aparecer. O dispositivo eletrônico certamente não eliminará os erros, mas ajudará a diminuí-los drasticamente.

A tecnologia no futebol

A maioria dos esportes dispõe de recursos tecnológicos para auxiliar a arbitragem e possuem uma experiência de sucesso. Os mais conservadores são contra esta utilização e ainda repercutem discursos atrasados que o futebol precisa da “mística” do erro, que faz parte do espetáculo a pergunta de “foi ou não foi?” quando tratamos os lances polêmicos. O que precisamos é refutar essa ideia e alimentar novas práticas para que o jogo seja mais justo e uniforme para todos quando tratamos da realidade da arbitragem.

A KNVB, a federação Holandesa de futebol, irá testar a utilização de replays na copa da Holanda para auxiliar seus trios de arbitragem.  Esta medida está sendo acompanhada de perto pela FIFA que espera que a experiência traga benefícios para a consolidação da prática. Na Copa do Mundo em 2014 o recurso do sensor interno a bola que marca o gol foi utilizado para evitar que lances como o gol não validado de Lampard aconteça.

O benefício que a mudança desse modelo de arbitragem e uso da tecnologia traria para o futebol é imenso. Não é necessário tornar o jogo um video-game onde toda jogada terá replay, mas se pelo menos os lances difíceis para o árbitro ou lance polêmicos como gols e penalidades forem revistos o jogo terá mais chances de ser justo. Estabelecidos critérios mais uniformes e qualificados os homens do apito evitaremos episódios como o recente Fla-Flu.

Fontes: ANAF, CBF, NFL e MSN

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