Arílson, o craque da vida boêmia

De passagem pela dupla GreNal a mim acher na seleção, um craque de carreira abreviada devido o gosto pela noite

(Foto: Ulisses Job)
Por: Jean Costa, RS

Caros confrades, caros leitores da única página possível. É realmente difícil encontrar jogadores que não curtiam se envolver em polêmicas em um dos ápices do futebol brasileiro, vulgo anos 90. Tempos incríveis, atitudes moralizadoras e jogadores com quantidades de história que daria pra fazer um livro. O “jogador tema” dos Gênios da bola de hoje fez parte dessa época maravilhosa que foi a década de 90. Arílson Gilberto da Costa, ou somente Arílson, nascido no dia 11 de junho de 1973, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul é mais um que tem histórias pra contar.

Arílson era um meia com muita técnica e era vigoroso, tinha tudo para ser um meia moderno. Mas devido problemas temperamentais, se meteu em vários problemas disciplinares. Chegou ao Grêmio em 1994, vindo do Esportivo de Bento Gonçalves, por uma quantia em torno de 30 mil dólares, isso aos seus 19 anos. Em 1994, chamou a atenção de Luiz Felipe Scolari e ganhou uma vaga no grupo principal. Junto com ele veio também o lateral esquerdo Roger Machado, o volante Émerson e o meia Carlos Miguel. A partir daí, iniciou sua trajetória de sucesso.

Arílson brilhou no Grêmio e com o destaque, vieram seleção e Europa (Foto: Reprodução/ Zero Hora)
Arílson brilhou no Grêmio e com o destaque, vieram seleção e Europa (Foto: Reprodução/ Zero Hora)

Naquela mesma temporada fez parte do elenco campeão da Copa do Brasil contra o Ceará. Em 1995 foi um dos destaques na conquista do bicampeonato da Copa Libertadores da América. Virou ídolo. O destaque chamou a atenção da Europa e do Grêmio, o meia foi para Alemanha defender o Kaiserslauten.

No mesmo ano, ainda ganhou chance no grupo de Zagallo para defender a seleção nas Olimpíadas de Atlanta. Sua estreia na Seleção seria emblemática: numa vitória do Brasil por 1 a 0 sobre a Argentina, em Buenos Aires, ele entrou no segundo tempo. Três minutos depois, foi expulso.

Arílson atuando pela seleção brasileira na Copa Ouro (Foto: reprodução / Getty Images)
Arílson atuando pela seleção brasileira na Copa Ouro (Foto: reprodução / Getty Images)
(Foto: Ulisses Job)
(Foto: Ulisses Job)

E em 1996, uma das maiores polêmicas de sua carreira. Na preparação para disputar o pré-olímpico pelo Brasil, Arílson aplicou um mim acher na concentração por estar insatisfeito pela perda da vaga de titular na seleção. A partir desse fato, o meia nunca mais seria convocado, já que na época, arrumou uma rixa com o então técnico da Seleção Canarinho, Mário Jorge Lobo Zagallo. “Ele nunca mais joga aqui”, anunciou na época, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

E as confusões não paravam. Após ser banido por Teixeira, o meia entrou em rota de colisão com o capitão do Kaiserslauten, Andreas Brehme. Segundo Arílson, após deixar o clube alemão, os jogadores tinham inveja do alto salário dele. Ele não teve chances na tentativa de bater de frente com Brehme, capitão e ídolo do time. Apenas seis meses depois de ter sido contratado, o meia foi dispensado, e Brehme continuou na equipe, saindo apenas em 1998 após completar doze anos de Kaiserslauten.

Ainda em 96 chocou o Rio Grande do Sul ao anunciar sua ida ao Internacional. Isso em menos de um ano após deixar o Grêmio, clube do qual é torcedor assumido. No Colorado foi o líder da equipe, que fez ótimo Campeonato Brasileiro no ano de 1997.

Arílson foi peça fundamental no período em que esteva no Beira-Rio (Foto: Sílvio Ávila: Zero Hora)
Arílson foi peça fundamental no período em que esteva no Beira-Rio (Foto: Sílvio Ávila: Zero Hora)

Na mesma temporada foi peça chave na conquista do Gauchão. O Inter venceu o campeonato que não conquistava desde 94. No brasileiro, levou os colorados ao terceiro lugar. No final da temporada, as lesões na fase final do campeonato, fizeram com que as negociações para que retornasse a Europa esfriassem, e Arílson acabou no Palmeiras.

Do Palmeiras para o Grêmio novamente. Chegou a Porto Alegre como o principal reforço gremista para 1999, apontado como o substituto de Rodrigo Mendes. Mas só que a sua segunda passagem pelo Tricolor foi discreta. Ao término do primeiro semestre, foi liberado pelo técnico Celso Roth, e assinou com o Real Valladolid, da Espanha. Lá não conseguiu demonstrar o futebol esperado, sofreu com o alcoolismo e o excesso de peso, passou grande parte do tempo no banco de reservas.

Em 2000, voltou para o Brasil. Assinou com o América Mineiro. Pelo clube mineiro conquistou a Copa Sul Minas em cima do Cruzeiro, e ajudou a equipe a manter-se na elite do futebol brasileiro. Em 2001, assinou contrato com o Universidad de Chile, aos 27 anos de idade. “A Arilson le encantaba el trago y la fiesta.” foi a frase estampada em um site chileno na qual noticiava as doze contratações mais decepcionantes no futebol chileno. Sua passagem ficou marcada por um fato que Arílson provavelmente gostaria de esquecer. Ele foi preso por dirigir completamente embriagado pelas ruas de Santiago.

Do Chile pra Campo Bom, onde defendeu o XV de Novembro. Do XV foi para lusa e da Portuguesa foi para o Avaí, onde ficou até o final de 2003. De Florianópolis para a Arábia, mais especificamente para o Al-Ittifaq. Jogou a temporada 2003 e foi dispensado por insuficiência técnica.

Com sérios problemas, incluindo vícios e falta de dinheiro, aceitou a proposta do Santa Fé, da Colômbia, com grande expectativa por parte do clube e, mais uma vez, decepcionou.Em 2004 veio a sua última grande chance, mais uma vez pelo Grêmio, o clube do qual sempre teve muito carinho. Mas naquele ano, o tricolor acabou sendo rebaixado. A carreira do meia chegava perto do seu final.

Sem clube, seus problemas financeiros aumentaram. Então vieram os clubes menores. Gauchão de 2005 pelo Farroupilha, passagem pelo América-RN. Em 2007, retornou ao Rio Grande para defender o Glória de Vacaria. Ainda passou por Santa Catarina, jogando por Imbituba e Cidade Azul. Depois São Luiz de Ijuí e Itinga do Maranhão e também defendeu o 14 de Julho de Livramento. Em 2009, mais uma polêmica. Foi considerado foragido pela Justiça de Bento Gonçalves (RS). Ele não pagava pensão alimentícia para o filho há cerca de cinco anos.

Foi no mesmo Imbituba que decidiu passar para o lado de fora do campo e projetar a carreira de treinador. Em 2011, treinou o time juvenil. Em 2012, como auxiliar-técnico do Imbituba, disputou a primeira divisão estadual. Em 2013 se mostrou arrependido em uma entrevista para a ZH. “Eu era irresponsável. Nunca dispensava uma cervejinha, dormia tarde, saía demais à noite. Minha carreira foi abreviada por isso.”

Hoje o veterano mora em São Leopoldo-RS e é de técnico da equipe sub-20 do Clube Esportivo Aimoré, onde busca reverter à imagem de sua época CL.

Fontes: txtsports, Estadão, Listeilor.com, Terceiro Tempo, Globo.com

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