As diferenças entre os programas de sócio-torcedor dos clubes da Série A

QUEM PAGA MENOS E QUEM TEM MAIS BENEFÍCIO?

Cada clube explora o programa de acordo com as particularidades da sua torcida

Por: Bernardo Argento, RJ 

O Brasileirão começa neste final de semana e a ansiedade bate à porta para a principal competição do calendário nacional. Ir ao estádio é uma tradição da nossa cultura. O ato de frequentar a cancha, no entanto, mudou um pouco nos últimos anos. Não só pela modernização dos estádios, mas pela forma de acesso ao gramado. Um dos principais motivos é a criação dos programas de sócio-torcedor. Os clubes viram nesta medida a oportunidade de aumentar a receita anual, a taxa de ocupação dos jogos em casa, além de lucrar com a bilheteria. Mas você sabe como funciona esta “plataforma”? A maioria das questões gira em torno da forma facilitada de adquirir ingresso e entrar no estádio, da possibilidade de votar nas eleições para presidente do clube e, claro, nos preços para ter tais benefícios. A CL resolveu fazer um levantamento e vai esmiuçar estes itens.

Primeiramente, a principal preocupação: o mínimo que o sócio-torcedor tem que pagar para receber desconto. A diferença pode ser grande. Há algumas variáveis como tamanho do estádio, torcida, meta de arrecadação e condição financeira da agremiação e dos torcedores. No Rio, por exemplo, o vascaíno desembolsa R$25 mensais para ter até 70% de desconto em um ingresso. O flamenguista, por sua vez, não paga menos que R$40 para ter no máximo 50% de abatimento no bilhete. Tricolores pagam R$35 pela quantia igual a da meia-entrada e botafoguenses são os maiores beneficiados, gastando apenas R$15 para um corte de até 60% para garantir o lugar numa partida.
Em São Paulo – a capital econômica do país –  com a população tendo um poder aquisitivo maior, a coisa muda de figura. Corinthians, São Paulo e Palmeiras têm planos a partir de R$16, R$19,  R$18, respectivamente. No entanto, o desconto fica na casa dos 20%, podendo ser maior em confrontos menos atrativos no caso do Tricolor e do Timão, e sem alterações no lado alviverde. Longe da metrópole de quase 15 milhões de habitantes, o Santos se assemelha aos cariocas e cobra R$27 para garantir metade do preço do bilhete para homens e R$13,50 para mulheres.
Em  Minas, os rivais possuem algumas diferenças nesta questão. O cruzeirense tem como valor mínimo R$30 por mês por 30% e o atleticano gasta R$35. O Galo, no entanto, não especifica a porcentagem de desconto que o torcedor recebe, ficando a critério de cada duelo jogado. A Raposa ainda reserva um setor do Mineirão para 2.850 sócios pagarem R$10 no bilhete.
Agora, os pioneiros no país. Inter e Grêmio foram os primeiros clubes a popularizar o programa de sócio-torcedor. O Colorado tem um plano chamado “academia do povo”, em que aficionados que ganham até dois salários mínimos podem pagar somente R$10 pelo ingresso. Sem essa categoria, o plano mais barato que dá 50% desconto custa R$50 mensais. O Grêmio, por sua vez, só dá 10% de desconto, a R$33 por mês.
Os clubes sem patrocínio master muitas vezes estampam o programa de sócio na parte mais nobre do uniforme – Crédito: Rafael Ribeiro/vasco.com.br
Com exceção do Goiás – que não lançou o programa para o Brasileirão até o fechamento desta matéria –, o restante dos clubes da Série A também possui o sistema de sócio-torcedor. O Avaí cobra no mínimo R$30 mensais para o livre acesso a um setor da Ressacada. A Chapecoense solicita R$20 por 20% de desconto, o Ceará requer R$60 para o alvinegro ir a todos os jogos de arquibancada, o Fortaleza cobra R$54,90 e disponibiliza o mesmo benefício do rival. O CSA têm planos de R$70 para homens e R$55 para mulheres, com direito a check-in em todos os duelos com mando do clube.
O direito ao voto
Apenas Atlhetico-PR e Bahia dão direito ao sócio-torcedor votar na eleição para escolha do presidente do clube. E os dois clubes já incluem esta opção no plano mais barato, sendo um atrativo a mais para fazer a adesão. No caso do Furacão o sucesso foi tanto que o plano de R$90 está esgotado. Agora, os rubro-negros paranaenses terão que desembolsar pelo menos R$150 para ingressar no programa (menores e idosos pagam metade valor). Os tricolores baianos, por sua vez, gastam R$45 para se associar (torcedores de 12 a 15 anos têm desconto e pagam R$30).
A forma de acessar o estádio e outros benefícios
Todas as equipes da Série A dão a possibilidade de comprar as entradas pela internet nos planos mais baratos que dão abatimento no valor do ingresso. Os clubes também adotam o sistema de cartão-ingresso, em que a carteirinha de sócio é utilizada para passar na catraca na hora de entrar no estádio. Os mais saudosos lamentam o fato de não guardar o bilhete dos jogos especiais. A maioria, no entanto, agradece a facilidade. Além destas vantagens, os torcedores também ganham desconto em diversas empresas e estabelecimentos, de acordo com as parcerias feitas através do “movimento por um futebol melhor” e de outras negociadas pelos próprios clubes.
 O outro lado da moeda 
Nem tudo é ouro na popularização desta política de benefícios. Para alavancar o progresso de associados, muitos clubes optam por elevar o preço das entradas. O objetivo é forçar o torcedor a realizar a adesão, já que o valor dos bilhetes sem desconto pode pesar no bolso. Além disso, a obrigatoriedade de ter o cartão de crédito – com o limite liberado para parcelar o plano – também afasta interessados em contribuir com as equipes. Cabe aos times, no entanto, analisar esta equação para não elitizar o esporte mais popular do país. Afinal, sendo sócio ou não, todos compartilham da mesma paixão: o futebol.

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