As polêmicas da final do Brasileiro de 77

As suspensões dos artilheiros e como Muricy mandou Chulapa para um jogo que ele não jogaria

Time campeão brasileiro de 1977(Foto:Divulgação/ Site Oficial São Paulo FC)

O Campeonato Brasileiro de 1977 foi repleto de curiosidades polêmicas, como o fato de ter sido decidido em 5 de março de 1978 ou o numero excessivo de clubes na disputa. Porém, não falaremos disso e sim da polêmica suspensão de Reinaldo e de como o São Paulo agiu engenhosamente para desconcentrar o adversário.

Dentre os destaques do tricolor paulista estavam os amigos Muricy Ramalho e Serginho Chulapa, e no Galo o grande destaque, apesar de ter Cerezo e Paulo Isidoro, era Reinaldo, que seria artilheiro com 28 gols em 18 jogos. Contudo, os três estavam fora da final no Mineirão, sendo que Muricy machucado, Chulapa e Reinaldo suspensos. Chulapa tinha sido cortado por agredir um auxiliar que anulou um gol contra o Botafogo-SP pela terceira fase da competição, onze dias antes do Rei ser expulso contra o Fast-AM pela mesma fase.

Nesse ponto que reside toda a polêmica do caso, pois Reinaldo alega até hoje que foi expulso na primeira fase e seguraram seu julgamento para prejudicar a ele e ao Galo, pois ele era abertamente contra a ditadura que vigorava naquela época no país. Mas as fichas dos jogos mostram que na partida o Rei jogou a partida inteira e ainda marcou cinco dos seis gols do Galo naquele dia. Em 1977, já existia a regra de suspensão automática, sendo assim, o Rei não teria jogado a partida seguinte, mas ele jogou e marcou dois gols contra o América-MG.

Acontece que o Galo enfrentou o Fast novamente na terceira fase, venceu por 2 a 1, e foi nesse jogo que o Rei foi expulso segundo a ficha do jogo. Na ficha do jogo posterior, empate por 0 a 0 com o Botafogo-RJ, o Rei não jogou, cumprindo a suspensão automática e voltando contra o América-RN. A partir disso o julgamento dos dois ocorreu no mesmo dia, com Chulapa pegando 14 meses de suspensão e Reinaldo quatro jogos.

Ambos os times tentaram o efeito suspensivo, porém ambos foram negados. Se o julgamento ocorresse dias antes, o Rei poderia jogar a final, pois cumpriria os jogos antes. Isso parece ter chateado o Galo, que ameaçou colocar Reinaldo em campo mesmo assim. Ao saber disso, o tricolor também ameaçou colocar Chulapa em campo e aí que entra Muricy Ramalho.

Como a decisão de colocar Chulapa em campo foi em cima da hora e ninguém sabia onde ele estava, decidiram então chamar Muricy, mandá-lo procurar Chulapa e colocar o mesmo no avião. Então, Muricy rodou São Paulo atrás do Chulapa com seu fusquinha e incrivelmente conseguiu encontrá-lo depois de rondar a vizinha dele, e o despachou para Minas, pagando do próprio bolso. Chegando lá, todos ficaram surpresos com a presença dele, que até mesmo aqueceu com a equipe no vestiário, mas tanto ele quanto Reinaldo não jogaram. O resto da história é mais conhecido com o empate sem gols no tempo normal e o tricolor sendo campeão nos pênaltis, mesmo com o goleiro João Leite pegando duas cobranças.

Muricy relembra o caso:

Até hoje essa história é lembrada por ambos os lados, mas com sentimentos diferentes. Do lado do campeão São Paulo é vista com alegria, realçando o ar de idolatria em volta de Chulapa. Já para os atleticanos, ainda resta um pouco de amargura, principalmente por Reinaldo que até hoje acredita que houve intervenção política contra ele e o Atlético nesse episódio.

No vídeo abaixo, Reinaldo fala sobre o caso a partir dos 4 minutos:

Texto: Marco Aurélio

 

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