As polêmicas de Renato Gaúcho

Frases históricas e momentos marcantes do craque gaúcho que conquistou o Rio de Janeiro

Por Paulinho Rahs, RS

No Campeonato Brasileiro de Lendas e Figuras Mitológicas, a artilharia é disputada de maneira ferrenha. Homens como Romário, Edmundo, Túlio, Jardel e Viola, entre outros, estão em extinção no futebol e são grandes culpados por nosso saudosismo dos incríveis anos 90. Não era apenas dentro de campo que estes nos traziam alegria ou desespero. Fora das quatro linhas com declarações polêmicas e provocações que incitavam a boa rivalidade, estas figuras nos premiavam quase que diariamente. Acendiam fagulhas de vontade que o domingo de futebol chegasse logo. Davam mais cor para as largas camisetas de futebol e faziam o esporte ter graça, algo que está se perdendo nos últimos anos. Entre os figurões e fanfarrões que remetem todo esse sentimento que citei, um desponta na lista dos primeiros. Um homem de ego inflado, mulherengo, apaixonado pela praia, falador e amigo íntimo da pelota: Renato Gaúcho.

Renato Portaluppi nasceu em Guaporé/RS na fria Serra Gaúcha em 1962. Começou sua carreira no Esportivo de Bento Gonçalves/RS e com menos de 20 anos de idade chamou a atenção do Grêmio, onde se tornaria o maior ídolo de todos os tempos da equipe, pois foi no Tricolor de Porto Alegre que sua consagrada trajetória começou a deslanchar. Com 21 anos foi o principal atleta do Imortal nas conquistas da Libertadores e do Mundial de 1983, este último o maior título da história do time gaúcho até hoje. No 2 a 1 contra o Hamburgo da Alemanha, ele foi o autor dos dois gols que fizeram do Grêmio campeão mundial. Renato ainda foi ídolo no Flamengo e no Fluminense, onde marcou o antológico gol de barriga do título carioca de 1995 para o Flu. Atuou também no Botafogo, Atlético/MG e Cruzeiro. No exterior, no Roma da Itália. Encerrou a carreira como jogador no Bangu. Como treinador foi campeão da Copa do Brasil de 2007 com o Fluminense, finalista da Libertadores 2008 com o mesmo e campeão da Copa do Brasil de 2016 com o Grêmio, encerrando uma seca gremista de 15 anos sem títulos de expressão e reforçando sua idolatria no clube.

Neste post, estão listados sete casos polêmicos do camisa 7 fanfarrão, Renato Gaúcho. Uma figura folclórica, eterna do futebol brasileiro, que nunca teve papas na língua e nem meias palavras.

Rei do Rio

Nos anos 90, os atacantes dos grandes cariocas disputavam um “título” informal entre eles. A cada ano o artilheiro campeão do estadual ficava conhecido como “Rei do Rio”. Depois de um Fla-Flu de 1995 vencido pelo Tricolor, Renato pegou seu carro ironicamente rubro-negro e foi para a rua “procurar” por Romário numa bem-humorada matéria do GloboEsporte.

Corte da Copa do Mundo de 86

No seu auge, aos 24 anos, Renato foi convocado por Telê Santana para a Copa do Mundo do México. Titular nas eliminatórias, Portaluppi foi para a noitada e não respeitou o toque de recolher imposto pelo treinador da seleção. O jogador, acompanhado do lateral Leandro, outro titular absoluto daquele time, estenderam a comemoração às vésperas da viagem ao México. Vários outros jogadores ficaram acordados até as 4 horas da manhã, esperando por Renato e Leandro. No fim, ninguém acordou a tempo do treinamento na Toca da Raposa, em Belo Horizonte, onde o Brasil costumava se concentrar. Telê ficou furioso. Decidiu punir Renato Gaúcho e cortou-o da seleção. Leandro foi perdoado, mas decidiu deixar a equipe em solidariedade ao companheiro de time. Josimar, então do Botafogo, acabou sendo chamado para substituir Leandro – e chegou a marcar um golaço contra a Irlanda, mas estava longe da categoria e experiência do titular. O Brasil avançou até as quartas-de-final, mas perdeu nos pênaltis para a França depois de empatar com um gol para cada lado.

Flores no Dia dos Namorados

Conhecido como “mulherengo” desde os anos 80, com várias namoradas espalhadas pelo Brasil, Renato inovou quando fez sua declaração no meio do Globo Esporte, apresentado por Fernando Vanucci. Na Toca da Raposa (CT do Cruzeiro), abriu a matéria dizendo que “um jogador procurou a equipe aflito para dar sua mensagem no Dia dos Namorados”. O detalhe é que os nomes das “namoradas” citadas por Renato eram os das mães dos seus colegas de equipe.

O rebaixamento e a Libertadores no Fluminense

A primeira experiência de Renato Gaúcho como técnico foi em 1996, de forma interina, quando ainda era jogador. O Fluminense lutou contra o rebaixamento e usou Renato como interino em dois momentos distintos – no início e no fim do campeonato. O jogador-treinador prometeu desfilar pelado na praia de Ipanema em caso de queda para a Segundona. O time terminou em penúltimo lugar, mas um escândalo de manipulação de resultados envolvendo Atlético-PR e Corinthians cancelou o rebaixamento e manteve os cariocas na elite – e salvou Renato do desfile.

Já na Libertadores de 2008, 12 anos depois, Renato vinha embalado por ter levado o Flu ao título da Copa do Brasil um ano antes. Além disso, naquela mesma Libertadores, uma classificação incrível no último minuto contra o favorito São Paulo nas quartas e mais uma passagem inacreditável contra o bicho papão Boca Juniors, na semi, deixaram Renato cheio de moral para a final contra a LDU de Quito. Na ida, o Fluminense perdeu para a LDU por 4 a 2 fora de casa. E antes da volta, Renato mandou um recado para os times do Brasileirão que ele estava “a 5 metros da próxima Libertadores” enquanto eles estavam “a 5 mil quilômetros”. E em caso de título, o Fluminense ia “brincar” no resto do Brasileirão. No fim, o Flu levou o jogo para os pênaltis, mas deu LDU.

Mais de mil mulheres

Em coletiva na sua primeira passagem pelo Grêmio como treinador em 2010, Renato contou de uma passagem quando se encontrou com Pelé anos antes. Pelé teria dito à Renato: “São mais de mil gols”. Ao passo que o Gaúcho respondeu: “Cada gol teu, uma mulher minha”.

Melhor que Cristiano Ronaldo

Nos últimos anos, Renato afirmou repetidas vezes que é melhor que o português Cristiano Ronaldo. A última e que mais repercutiu nas redes foi no programa “Bola da Vez” da ESPN Brasil, em Fevereiro de 2017. Entre outras frases, Renato afirmou: “Eu queria ver Cristiano jogar nos clubes onde joguei, com três ou quatro meses de salários atrasados e ser campeão como eu fui”.

Estudar na Europa

Após a euforia do título da Copa do Brasil de 2016 com o Grêmio, Renato afirmou que “quem sabe, sabe.” Se referindo que quem não entende de futebol, é que precisa ir estudar na Europa. Enquanto quem sabe, não desaprende nunca, como “andar de bicicleta”. Ainda rebatendo críticas sobre seu amor pelo Rio, ele completou: “Quem sabe, pode ir para a praia e tirar umas férias”.

Estas são apenas algumas das incontáveis polêmicas que Renato se meteu. Certo ou errado, Renato é um cara que faz com que a gente conclua, sem medo de errar, que este se trata de um dos últimos futebolistas que passa a verdadeira essência do futebol.

Fontes GloboEsporte.com, ESPN.com, GQ.com, GazetaDoPovo.com.br, Youtube.com

1 Comentário em As polêmicas de Renato Gaúcho

  1. Caro Renato.
    Duas coisas que você precisa urgentemente corrigir na sua vida profissional.
    Primeira: Acabe com esta sua soberba.
    Segunda:Controle estes arroubos de chutar copos e garrafas a beira do gamado.
    Faça isto e voce será um grande treinador e agregador de grupo. Aceite porque
    digo isso de coração e sou seu fã. ab.

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