Assim como Neymar, eu joguei pelo rival

A história de um jogador com a história igual a do Neymar - mas diferente

Neymar e Palmeiras
Neymar e Palmeiras
Por Lyncon Pradella, SP

Esta semana as redes sociais e veículos de imprensa martelaram com veemência no  fato do astro da seleção brasileira Neymar, conhecido no Brasil por seu imenso destaque no Santos, estar vestindo a camisa do Palmeiras por baixo de outra da CBF. Além disso, o craque revelou no programa “Lady Night”, do canal Multishow, que torcia para o Alviverde quando era apenas um moleque — como a foto acima.

Esta declaração pairou como uma lembrança de meus tempos de infância, quando me aventurava quadras afora por quase toda cidade de São Paulo. Aos oito anos, ganhei a Liga Osasquense de Futsal como goleiro do sub-9 da Escolinha Lino de Osasco, ou apenas, “Elo”. Sendo o arqueiro menos vazado do torneio, despertei a atenção do meu próprio técnico, o Lino, fundador da equipe. Ele havia sido chamado para treinar o sub-9 de futsal do Palmeiras e me convidou para integrar o plantel.

Mas como eu poderia aceitar aquele convite sendo são-paulino fanático? Meu maior ídolo no futebol era — e ainda é — Rogério Ceni. Como eu poderia dividir a função de guarda-redes no mesmo clube do jogador que sempre pautou uma das discussões mais intermináveis do futebol brasileiro (“quem é melhor: Rogério ou Marcos?”). Eu, que sempre defendi ferrenhamente o ídolo tricolor, não poderia praticar tal traição com o Mito. Acabei traindo. Era uma oportunidade única. Era a oportunidade de jogar por uma equipe grande, mesmo que na época eles estivessem na Série B.

Completei nove anos de vida no Palmeiras. Disputamos o Campeonato Paulista de Futsal e tudo ia bem até que, após um jogo em que levei um gol no canto alto, Lino decidiu me colocar no banco na partida seguinte. Ele alegava que queria testar o outro goleiro, mas no fundo sempre soube que era por causa da minha altura. Eu não estava crescendo o suficiente. Hoje, dou graças a Deus por ele ter me colocado no banco. Isto porque a partida que não disputei era justamente contra o São Paulo. E perdemos. Fiquei feliz. Depois de ter sido barrado decidi sair do time. Não queria mais jogar no Palmeiras.

Como pode ser notado não criei um vínculo com o rival do time que torcia, ao contrário do Neymar com Santos, e por isso foi fácil colocar como meta nunca mais jogar por alguma outra equipe de renome do futebol paulista.

Quis o destino, entretanto, que dias depois o Corinthians ligasse para minha mãe demonstrando interesse em mim. Era mais uma chance em outro clube grande. Dona Kátia sentou comigo e conversou. Repensei melhor minha meta e enfim tomei uma decisão: mandei o Corinthians pastar. Até parece que iria trair meu time mais uma vez. Nunca mais, mermão.

Obs.: dois anos depois joguei uma partida pela escolinha do São Paulo. Defendi um pênalti, gritei “ROGÉÉÉÉRIOOO” na mente e fui dispensado após o jogo. Achei justo, afinal, eu e o São Paulo estávamos quites.

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