ATL 2×1 SAO – Arbitragem falha e São Paulo é eliminado da Libertadores

O milagre de Medellín foi atrapalhado pela arbitragem

São Paulo luta, mas é prejudicado e é eliminado da Libertadores. (Reprodução/GloboEsporte)

O São Paulo viajou até Medellín com o intuito de alcançar um milagre para passar para a final da Copa Libertadores da América, a tarefa não era fácil, jogar fora de casa com 45 mil vozes colombianas contra a melhor equipe da competição e sem três dos destaques da equipe davam um clima de guerra para os brasileiros. Mesmo saindo na frente do placar no início da partida, sucumbiu com os passes dos colombianos e com os apitos do juiz que foi personagem importante no jogo.

O técnico Edgardo Bauza armou uma equipe com as peças que tinha forte defensiva, mas que ao mesmo tempo, uma boa saída de bola e arranque para contra-ataques. O jogo demorou para se lançar. Aos seis minutos, Hudson já demonstava um pouco de ansiedade ao tomar cartão amarelo por falta na intermediária. Aos oito, o ar de milagre surgiu. Michel Bastos faz cruzamento na área e, na segunda trave, Calleri subiu mais alto que o zagueiro e colocou a bola no fundo do gol de Armani.

Isso trouxe mais velocidade para o jogo e ímpeto para os são-paulinos, marcação alta e a vontade de fazer o segundo gol. Mas a vontade foi acima da organização e contra uma equipe que tem passes precisos é fatal. Aos 15, num erro de passe no meio-campo a bola foi para Berrío que lançou precisamente para Borja, que contou com erro de Lugano, para entrar na área e fuzilar o gol de Denis. O São Paulo precisava de dois gols novamente para passar de fase e foi em busca. Aos 18 minutos, Hudson recebe cruzamento na entrada da área e a bola sobra para Calleri que mandou a bola no travessão da equipe colombiana. Aos 26, nova chance, Michel Bastos avança na esquerda e cruza rasteiro para a área, mas Calleri não alcança. Aos 30, a resposta dos verdolaga, Berrio sobe pela direita, lança no meio para Borja que fura e a bola sobra limpa para Marlos Moreno que pega mal na bola e chuta por cima da meta brasileira. Aos 31, Macnelly Torres dá passe preciso para Marlos Moreno que sai na cara de Denis, mas manda a bola para fora.

Até ai o jogo corria normalmente. As duas equipes buscando o gol, mas aos 47 do primeiro tempo. surge o personagem da noite: o árbitro chileno Patricio Polic, que de frente para a jogada, não viu empurrão em Hudson dentro da área colombiana e deixa de marcar penalidade para o São Paulo. Fim do primeiro tempo. Os brasileiros saem irritados com a não marcação do pênalti, mas dizendo que a luta continuaria no segundo tempo.

Começa a segunda parte do jogo e logo depois da saída da bola o primeiro susto para o tricolor quando Berrio sai na direita e cruza sem ângulo, mas assusta Denis que manda a bola para escanteio. Sem mudanças nas articulações de jogo, Bauza manda Kardec para o jogo para colocar a equipe mais à frente, mas quem se deu bem com os espaços deixados foi o Atlético Nacional. Aos 11, Borja recebe na área, bate cruzado e o arqueiro brasileiro salva o time da capital paulista. No próximo lance, roubada de bola no meio-campo, a bola sobra para Marlos Moreno que passa facilmente por Mena e chuta cruzado para longe do gol. Aos 14, a resposta brasileira. Mena aparece na esquerda, cruza, a bola vai fechada e obriga Armani a fazer grande defesa. No lance seguinte, Borja recebe, deixa Rodrigo Caio no chão, passa por Denis e a bola sobra para Berrio que chuta de primeira no gol vazio, mas Bruno aparece e salva a equipe brasileira.

Os jogo tem mais espaços e Bauza lança Luiz Araújo na partida no lugar de Centuríon, até então apagado. Mena, que já apresentava cansaço desde o fim do primeiro tempo, deixa seu lado muito aberto e é por ali que quase sai o segundo gol dos colombianos. Berrío cruza, Marlos Moreno se estica no chão, mas não alcança a bola. Guerra vai para o jogo pelos verdolaga para tentar manter a posse de bola. Aos 24 minutos, a primeira mostra disso. Guerra avança na área, passa a bola por cima de dois marcadores são-paulinos e a bola sobra para Mac Torres que manda para longe do gol.

Mesmo com as alterações feitas por Bauza, os espaços deixados no meio-campo favoreceram a equipe de Medellín, o São Paulo parecia apático, errando muitos passes. Mena sai, cansado, para a entrada de Carlinhos, mas os erros do lado esquerdo ainda aconteciam até que aos 32 minutos, Guerra tenta mandar a bola na área, ela bate no braço do lateral que acabara de entrar na partida e o juiz marca pênalti para os colombianos. Festa no Atanasio Girardot. Muita reclamação pelo lado dos paulistas, Lugano e Wesley recebem amarelo por reclamação e Carlinhos pelo lance. Borja pega a bola, bate no ângulo direito de Denis e vira a partida. Os são-paulinos seguiam inconformados, mais pelo lance não marcado para eles no primeiro tempo do que pelo lance em si e começou a confusão.

Lugano, que demonstrou força para a equipe batendo palmas, foi expulso pelo árbitro chinelo por achar que estava sendo aplaudido ironicamente, com todos os jogadores paulistas em cima do árbitro, ele expulsou mais um, porém, mostrou o vermelho para Michel Bastos que estava longe de tudo. Ai piorou, o auxiliar técnico Di Leo entrou em campo para bater boca com a arbitragem e teve que ser contido pelo companheiros. Wesley, com amarelo, se revolta em campo e parte para cima do auxiliar e do quarto árbitro, Pintado e Hudson tentam acalmar o jogador, o árbitro então retira o vermelho dado a Michel e dá para Wesley que sai esbravejando até com a polícia local e vai para o vestiário. Lugano fica do lado de fora do vestiário indignado com a situação. O árbitro pede reforço policial para o final da partida e a polícia toma conta dos bancos no estádio Atanasio Girardot. Fim da confusão, a bola é colocada em jogo. O que já era impossível para o São Paulo, ficou praticamente acabado com dois jogadores a menos e tendo que fazer três gols para ir para a final. Depois dai os colombianos apenas mantiverem a posse da bola e enfim, depois de 11 anos, voltar para a final da Libertadores.

Os verdolaga demonstraram em campo tudo que mostraram no decorrer do campeonato e chegam a mais uma final de Copa Libertadores, em busca do bi, já que venceram em 1989. Agora espera o vencedor de Boca Juniors x Indepediente Del Valle que jogam na La Bombonera, nesta quinta-feira (14). No primeiro jogo, vitória para os equatorianos por 2 a 1. As finais estão marcadas para os dias 20 e 27 de julho. O São Paulo dá adeus a competição, mas de cabeça erguida, pois foi bastante prejudicado pela arbitragem não somente nesse jogo, mas no decorrer do campeonato, mas nunca desistiu. Agora é voltar-se para o Campeonato Brasileiro onde enfrenta, às 16h, no domingo (17), o Corinthians, em Itaquera, válida pela 15ª rodada.

FICHA TÉCNICA
Atlético Nacional – COL 2 x 1 São Paulo – BRA
Semi-Final – Copa Libertadores da América

Local: Estádio Atanasio Girardot – Medellín (Colômbia)
Data: 13 de Julho de 2016, quarta
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Patricio Polic – CHI
Assistentes: Marcelo Barraza – CHI e Christian Schiemann – CHI
Cartões Amarelos: Mejía, Bocanegra (ATL); Hudson, Centurión, Thiago Mendes, Lugano, Wesley (SÃO)
Cartões Vermelhos: Lugano, Wesley (SÃO)

ATL NACIONAL – COL: Armani; Bocanegra (Felipe Aguilar), Davinson Sánchez, Henríquez (Diego Arias) e Farid Díaz; Jonathan Majía, Sebastián Pérez (Guerra) e Macnelly Torres; Marlos Morena, Miguel Borja e Berrío.
Técnico: Reinaldo Rueda

SÃO PAULO – BRA: Denis; Bruno, Lugano, Rodrigo Caio e Mena (Carlinhos); Thiago Mendes, Hudson (Alan Kardec), Wesley e Michel Bastos; Centurión (Luiz Araújo) e Calleri.
Técnico: Edgardo Bauza

Público: 45.426
Renda: Não Divulgado

Texto: Max Galli

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