Baenão, um gigante em repouso

Baenão após a demolição no inicio de sua reforma (Foto: Reprodução)

Estádio Evandro Almeida, popularmente conhecido como Baenão é o templo sagrado do futebol do Clube do Remo. Inaugurado em 1917, incialmente com uma capacidade de 2.500 pessoas, que mais tarde viria a ser palco de partidas e feitos memoráveis. O maior público registrado foi em um Remo e Paysandu, em 1976, onde um público de 33.487 pessoas assistiram a goleada de 5 a 2 do Remo sobre seu maior rival.

Em dias de jogos esse era o clima (Foto: Reprodução)

Um dos jogos mais importantes realizados no Baenão foi um amistoso entre Clube do Remo e Benfica de Portugal no dia 8 de agosto de 1968, o time do Benfica tinha como elenco a base da seleção portuguesa terceira colocada na Copa do Mundo de 1966, seu principal jogador era nada mais, nada menos que Eusébio, o Pantera Negra, considerado o maior jogador da história de Portugal e um dos maiores do mundo. O placar do amistoso terminou 1 a 1, logo após o jogo os jogadores do Benfica entregaram faixas de campeão paraense aos jogadores remistas e Eusébio vestiu o manto azulino.

Em 2013, o estádio entrou em reforma e sua arquibancada lateral foi demolida para construção de camarotes e áreas vips, seria o adeus aos alambrados de ferro, maldita era dos acrílicos. Bom para os bandeirinhas e suas mães, ruim para os torcedores, as cornetadas não seriam as mesmas. Sentimos saudades daquele estádio que falava por si só e era impossível não impor respeito com seus 18 mil torcedores eufóricos cantando em uma só voz: “Remo, tu és a minha vida, tu és a minha história, tu és o meu amor!”. Como diz o grande filósofo Didico, “Que Deus perdoe essas pessoas ruins”, um palco sagrado como esse tem que ser acordado, o Fenômeno Azul (como a torcida do Remo é popularmente conhecida) quer voltar pra casa.

Em frente a bandeirinha do escanteio “mora” um de seus maiores guardiões, a estátua de um Leão Azul, o nosso “Leão de pedra”, durante as obras de reforma do gramado e arquibancada uma das maiores preocupações dos torcedores era “O que vão fazer com o leão?”, “Não mexam nele”, “Cuidado para não quebrar”. E lá estava o leão dia e noite a vigiar o estádio.

Leão Azul de pedra “observando” as obras no estádio (Foto: Reprodução/Globoesporte.com)

Em 2016, a atual diretoria prometeu o seu retorno para agosto. Torcedores compraram a ideia e começaram a ajudar de todas as formas. O futebol ainda respira no Baenão, mesmo que não seja mais aquele velho estádio com vários defeitos e fora do “padrão FIFA”, mas que o verdadeiro torcedor nunca reclamou. Enquanto a maioria dos times mandavam seus jogos no sábado e domingo, no Baenão os melhores eram na segunda-feira à noite. Não tinha tempo ruim. Localizado na maior e mais importante avenida de Belém, a torcida chegava em cima da hora, faltando poucos minutos para o jogo, com seu radinho de pilha na mão, sem esquecer da famosa sacola plástica pra guardar os documentos, porque assim como era dia de ver o Remo no Baenão, também era a hora da chuva. O torcedor do Clube do Remo não vê a hora de te reencontrar, Baenão!

Estádio Evandro Almeida, o Baenão antes da demolição das arquibancadas e início da reforma geral (Foto: Reprodução)

 

 

Texto: Barros Rafael (@rbarros33)

2 Comentários em Baenão, um gigante em repouso

  1. O palco principal das minhas melhores histórias de infância! Fui criado nos alambrados do Baenão,nesse templo ouvi xingamentos que levaria pro resto da minha vida,me envolvi em confusões que de nada tinha a ver,apanhei da chuva,apanhei do cansaço,e apanhei dos mais dolorosos resultados…
    Aprendi a amar este clube tanto quanto todos ali,que sem se importar com conforto,segurança ou comodidade,faziam e ainda fazem com que o Remo seja eternamente coração e alma dessa cidade. No ombro do meu velho,aos poucos fui entendendo que futebol é coisa séria,se joga com raça e amor à camisa,se joga com sangue misturado com suor,mas nem sempre isso será suficiente,afinal o futebol é ingrato…
    De mais importante,aprendi a amar o Remo como uma religião,amar o Remo muito mais que títulos,méritos ou visibilidade na imprensa,afinal,como orgulhosamente entoamos em um de nossos cantos,vamos além disso:”Remo,tu és a minha vida,tu és a minha história,tu és o meu amor”.

    VoltaREMOs

  2. Égua! Infelizmente a geração 7 x 1 atingiu alguns integrantes do Fenômeno Azul, aquela galera que nunca se desviou de saco de mijo voando no Baenão pra acertar os árbitros. kkkkkkkkkkkkkkk…

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