BAH 0x1 VNO – Bahia joga mal, perde para o Vila Nova e revolta torcida

Tricolor baiano se distancia do G4; time goiano reage na Série B ao conseguir segunda vitória seguida

Bahia e Vila Nova duelaram pela Série B nesta terça (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/E.C. Bahia)
Bahia e Vila Nova duelaram pela Série B nesta terça (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/E.C. Bahia)

Na noite desta terça-feira (5), o Bahia perdeu para o Vila Nova por 1 a 0, na Fonte Nova, em Salvador, pela 15ª rodada do da Série B do Campeonato Brasileiro. O time da casa, que no início da competição era apontado como um dos favoritos a uma vaga no G4, apresentou muitos erros, táticos, técnicos e emocionais, sendo superado por um time goiano que conseguiu se posicionar melhor em campo durante quase toda a partida. Com a derrota, a torcida baiana ficou enlouquecida com o nível técnico apresentado.

Último jogo entre Bahia e Vila Nova foi marcado por tragédia e emoções (Foto: Futura Press)
Último jogo entre Bahia e Vila Nova foi marcado por tragédia e emoções (Foto: Reprodução/Futura Press)

O último confronto entre Bahia e Vila Nova na Fonte Nova foi marcado por uma grande festa, mas também pelo descaso das autoridades. Em um jogo pela Série C do Campeonato Brasileiro de 2007, um pedaço da arquibancada do estádio cedeu e sete torcedores morreram ao despencarem de uma altura de cerca de 20 metros. A partida marcou o acesso do Bahia à Série B naquela ocasião, num jogo assistido por mais de 60 mil pessoas, que só ficaram sabendo da queda da arquibancada horas depois. Após a tragédia, o estádio foi interditado e demolido, dando lugar à arena que foi utilizada em alguns jogos na Copa do Mundo de 2014, e será palco de dez jogos de futebol nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a um mês.

Por outro lado, o jogo desta terça começou sem muitas emoções, com o Vila Nova enfrentando dificuldades para manter a posse de bola. O problema do time goiano era a marcação sob pressão imposta pelo Bahia. Aos 9 minutos, o zagueiro Reginaldo, do Vila, cometeu uma falha bisonha e quase meteu a mão na bola sozinho, dentro da área. Ainda assim, cedeu o escanteio para o tricolor baiano.

A pressão imposta pelo Bahia, que ao marcar o adversário sempre chegava com dois, ou até mesmo três jogadores, numa mesma bola, deu ao time um amplo domínio na primeira parte da etapa inicial. Principalmente com os agitos ofensivos organizados principalmente por Renato Cajá, o jogador mais agudo do time. Mas na ânsia de acelerar seu jogo, o Bahia apresentava uma certa afobação, fruto do péssimo momento vivido pelo time. Isso possibilitava uma rápida recomposição da defesa do Vila Nova. Com o passar do tempo, a equipe baiana foi apresentando cansaço e, assim, o Tigre goiano conseguiu sua primeira chegada ao gol de Jean apenas aos 31 minutos de jogo, mas sem sucesso.

Com a diminuição do ritmo, a equipe do Bahia tentou cozinhar o jogo, trocando passes sem muita objetividade, o que começou a irritar a torcida. Assim, o Vila Nova passou a “gostar do jogo”, chegando duas vezes: uma com Fabinho, após um escorregão do zagueiro Jackson, e outra em uma jogada aérea com Guilherme Teixeira, ambas defendidas pelo goleiro Jean.

O primeiro tempo teve um Bahia que atacou com muita velocidade até quando o fôlego permitiu, mas sem nenhuma qualidade. Após o fim da reserva física, o Vila Nova, melhor organizado, igualou o duelo, mas também não apresentou melhores soluções ofensivas. A torcida presente na Fonte Nova mostrou irritação com o time e o trio de arbitragem, que saiu de campo vaiado após um primeiro tempo marcado por algumas de suas decisões contestadas.

O Bahia voltou do intervalo com duas alterações. As saídas de Lucas Fonseca, bastante criticado pela torcida, e Danilo Pires, para as entradas de Éder e Thiago Ribeiro (aquele!) buscavam fazer do tricolor baiano um time mais ofensivo. Tanto que, dessa forma, a equipe passava a jogar com três atacantes: Thiago, Edigar Junio e Hernane. Mas a exemplo do primeiro tempo, o maior problema do time baiano no início do segundo era a falta de organização e de inspiração na hora da armar jogadas. Por outro lado, o time do Vila Nova seguia mais organizado, no aguardo de chances para sair em contra-ataques, mas sem encontrar êxito.

Numa dessas descidas, o Vila Nova aproveitou uma falha incrível da zaga do Bahia e marcou o primeiro gol. Após jogada de Jean Carlos pela esquerda, a bola foi cruzada na pequena área, não sendo interceptada nem pelos zagueiros, nem pelo goleiro Jean. A redonda encontrou Fabinho que, sozinho, teve apenas o trabalho de cabecear para o fundo das redes, quase em cima da linha do gol: 1 a 0.

O gol irritou ainda mais a torcida, e forçou o Bahia a buscar o gol de uma maneira mais objetiva. Mas o time baiano seguia esbarrando na falta de criatividade na hora da criação. Para piorar, Hernane, mal em campo, teve que ser substituído aos 22 minutos da etapa final, pouco depois de um choque com o goleiro Edson que lhe causou uma torção no tornozelo. E a ira da torcida era tão grande que estava sobrando para todo mundo: o Brocador, ídolo da torcida, saiu vaiado pela maioria presente na Fonte Nova.

A partir daí, o ritmo do jogo diminuiu, pois o Vila Nova, bem postado em campo, conseguia barrar as investidas de um Bahia sem a menor organização. O time baiano atacava apenas com base na correria de seus jogadores e no desespero de sua torcida, que passou a entoar o clássico grito “ôôô, queremos jogador!”. Também das arquibancadas, os torcedores pediam a renúncia de Marcelo Sant’ana, presidente do tricolor baiano.

Mesmo no meio desse caos, o atacante Edigar Junio perdeu uma chance incrível de empatar o jogo aos 41 minutos, na melhor chance que o Bahia teve em toda a partida. Ele chutou para fora, mesmo estando de cara pro gol. Aos 46, mostrando todo o desequilíbrio que marcou a péssima noite do time baiano, o lateral Hayner, vaiado durante quase todo o jogo, acertou uma cotovelada em Marcelo Cordeiro e foi expulso após a agressão. Acabava aí qualquer possibilidade de reação do tricolor baiano.

Com o resultado, o Bahia sofre a sexta derrota nos últimos sete jogos, mantendo-se na 9ª posição, com 20 pontos. É a mesma pontuação que o Vila Nova alcançou com a vitória de hoje sobre o time baiano, subindo cinco posições, para ocupar o 10° lugar.

 

FICHA TÉCNICA
BAHIA 0x1 VILA NOVA

Local: Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 05 de julho de 2016
Horário: 21h30 (Horário de Brasília)
Árbitro: Rafael Traci (PR)
Auxiliares: Luciano Roggenbaum (PR) e Daniel Cotrim de Carvalho (PR)
Cartões Amarelos: Gustavo Geladeira (VNO), Feijão (BAH), Renato Cajá (BAH), Hayner (BAH), Anderson (VNO
Cartão Vermelho: Hayner (BAH)
Gol: Fabinho (VNO), aos 10 min do 2° tempo.

BAHIA: Jean; Hayner, Jackson, Lucas Fonseca (Éder) e João Paulo; Feijão, Juninho, Danilo Pires (Thiago Ribeiro) e Renato Cajá; Edigar Junio e Hernane (Luisinho).
Técnico: Guto Ferreira.

VILA NOVA: Edson; Magno Silva, Guilherme Teixeira, Gustavo Geladeira (Anderson) e Marcelo Cordeiro; Reginaldo, Victor Bolt, Robston, Jean Carlos e Fernando Neto (Roger); Fabinho (Vandinho).
Técnico: Guilherme Alves.

Público: 9.135 presentes
Renda: R$ 96.908,00

 

Texto: Marcelo David (@marcelod82)

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