Bárbara, a segurança da nossa seleção

"Todo bom time que se preza começa por uma boa goleira"

Bárbara, a goleira da seleção (Foto/Reprodução:Rafael Ribeiro / CBF)

Já falamos aqui de Formiga, Marta é sempre exaltada mundo afora (com muitos méritos), mas hoje é dia de falar de uma jogadora também cativa em nossa seleção e que o público brasileiro só foi “descobrir” no dramático jogo contra a Austrália: Bárbara Micheline do Monte Barbosa. Bárbara passou pela sua terceira Olimpíada, já foi reserva da seleção e hoje é a goleira titular da meta brasileira. Junto com as duas companheiras já citadas e Cristiane, compõem as vozes da experiência em um grupo de jogadoras relativamente novo e com pouca bagagem se comparadas ao quarteto. Primeira e única pernambucana a defender a seleção na Olimpíada, cria do Sport de Recife, por onde atuou 8 anos, e já longínquos 12 anos de seleção.

Para o público que acompanha o futebol feminino somente nas grandes competições (Copa do Mundo e Olimpíadas), Bárbara é a grande surpresa para decidir um jogo como aquele nos pênaltis. Entretanto, a trajetória da goleira na seleção se iniciou aos 17 anos (em 2005), sendo chamada pela primeira vez para a Seleção sub-20. Tem no currículo três campeonatos pela categoria, dois sul-americanos e uma Copa do Mundo, neste referido Mundial participou da melhor campanha da história do Brasil na competição (3º lugar em 2006). E adivinhem… pegando pênaltis na disputa daquele bronze contra as americanas.

Em 2008, sua primeira Olimpíada, chegou como reserva e ao seu modo (com bastante esforço) ganhou a vaga de titular da seleção durante os jogos com a lesão da antiga dona do posto. Foi de vital importância ao longo da competição, trazendo segurança por seus reflexos apurados e a boa saída de jogo com os pés para a zaga brasileira. Na final de Pequim brilhou com quatro grandes defesas que fizeram o jogo ir para a prorrogação, salvando o Brasil da derrota no tempo normal. Infelizmente não foi o suficiente para a conquista do ouro naquela ocasião, veio a prata. Derrota doída por 1 a 0 para as americanas e o segundo lugar de novo para as meninas da seleção, assim como em Atenas (2004).

Como doeu essa prata (Foto/Reprodução: esportes.terra.com.br)
Como doeu essa prata (Foto/Reprodução: esportes.terra.com.br)

Em 2012, foi reserva e não participou de nenhum jogo na Olimpíada de Londres. Algo natural na carreira de goleira devido ao tempo de evolução das atletas e a maturação necessária para se tornar confiável nessa posição com características tão singulares. Agora em 2016, no Rio, chegou com certa desconfiança por parte do público, devido a falha cometida nos amistosos de preparação contra a própria Austrália. Tudo bem que o erro em questão era numa partida amistosa, mas os pênaltis defendidos nas quartas de final das Olimpíadas ante as mesmas adversárias serviram para a reafirmação particular da arqueira.

Bárbara pode não ser a mais vista como as outras garotas da seleção e nem receber o mesmo destaque, mas recebe agora com toda a justiça os louros de sua grande carreira. Ela traz uma confiança muito grande ao time, sabendo que “lá atrás tá garantido”, adiciona a habilidade com os pés para a construção e o toque de bola tão marcante desta seleção feminina desde a defesa. E pensar que ela só foi para o gol porque um treinador da época de colégio insistiu, já que adorava jogar na linha no futsal e por isso tem a facilidade com os pés.

Bárbara não é novidade para quem acompanha o futebol feminino e merece ser observada com mais atenção nos próximos jogos, nos próximos campeonatos. O Cenas Lamentáveis pede: olho nela.

 

Texto: Victor Portto

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