Bebeto e Romário: a dupla que vai além de 1994

Os dois atacantes resgataram o orgulho do torcedor brasileiro depois de 24 anos sem títulos da Copa do Mundo

Bebeto e Romário em um abraço que marcou epóca. [Fonte:Uol]
Por Alan Silva, RJ

Dezesseis de fevereiro de 1964 e 29 de janeiro de 1966. Datas que para muitos podem significar pouco, ou não ter valor nenhum. Talvez não liguem os períodos marcantes ou acontecimentos históricos, ainda mais por acontecerem em locais distantes, mais precisamente 1631 quilômetros. Nestes dias, nasceram Bebeto e Romário, o primeiro em Salvador e o segundo no Rio de Janeiro. Nestes locais, se iniciava uma história que findaria em uma das duplas de ataque mais marcantes da história.

Bebeto, Romário e Mazinho na Copa de 1994 [ Fonte; Rbs]
Bebeto, Romário e Mazinho na Copa de 1994 [ Fonte; Rbs]
José Roberto Gama de Oliveira, o famoso Bebeto, iniciou a carreira no Bahia. Não durou muito tempo por lá e se transferiu para o seu clube favorito, o rival Vitória. Teve destaque nos gramados nordestinos e chamou a atenção de um gigante do futebol brasileiro: o Flamengo. Chegava com uma missão gigantesca após as saídas de Zico e Junior e com o costume da imensa torcida rubro-negra de títulos e futebol vistoso. Já Romário de Souza Faria, o famoso “Peixe”, iniciou sua carreira pelo Olaria e após se destacar bastante em campeonatos da base foi transferido para o Vasco da Gama e logo subiu para os profissionais. De cara, conquistou títulos, o carinho de Roberto Dinamite e da torcida vascaína.

Após tamanho sucesso com a camisa cruzmaltina, Romário foi para o PSV Einhoven em 1988 e prometeu em sua saída que chegaria a marca de 1000 gols assim como Pelé. No ano seguinte, o seu futuro companheiro de ataque da seleção chegava ao Gigante da Colina. Bebeto saiu de forma conturbada do Flamengo e comprou uma briga com a torcida ao se transferir para o maior rival. Ainda em 1988, os dois se encontraram pela primeira vez do mesmo lado do campo nos Jogos Olímpicos de Seul. Romário foi o goleador e Bebeto só conseguiu se destacar ao longo da competição, por conta da concorrência de Careca. Naquela Olimpíada, conquistaram a medalha de prata ao perderem para a União Soviética. Era o inicio de uma história marcante na seleção.

Elenco da seleção de prata em Seul/1988. Romário e Bebeto agachados lado a lado [Fonte: Baú do Futebol]
Elenco da seleção de prata em Seul/1988. Romário e Bebeto agachados lado a lado [Fonte: Baú do Futebol]
Em 1989, chegava a hora da Copa América, realizada no Brasil, diante de um inicio tumultuado devido a onda de manifestações contrarias ao técnico da época, Sebastião Lazaroni. A seleção chegou a ser vaiada em jogos da primeira fase e o futuro da dupla estava em risco. Mas, como duvidar de jogadores que disputaram de forma ferrenha a artilharia de campeonatos pelos seus antigos clubes?! Como duvidar de uma parceria que tinha dois baixinhos rápidos e que sabiam fazer a alegria da torcida com apenas um toque.

Enfim, chegou o momento dos atacantes mostrarem o porquê de tanta expectativa. Hora do quadrangular decisivo para saber a seleção campeã da Copa América daquele ano. Primeiro jogo da fase decisiva foi contra a Argentina em pleno Maracanã. O Brasil venceu por 2×0, gols de Romário e Bebeto. O segundo duelo foi contra o Paraguai, e o Brasil triunfou com um placar de 3×0, dois de Bebeto e um de Romário. Chegou a hora do último confronto e da consolidação. Brasil e Uruguai reviviam a final de 1950, mas dessa vez a dupla canarinho fez valer o apoio da torcida. Romário de cabeça fez o gol do título, que seria o primeiro do dueto que marcaria história cinco anos depois nos Estados Unidos. Antes disso, os craques não se consagraram na Copa de 1990. O “baixinho” se machucou e foi ausência no Mundial. O Brasil acabou eliminado pela Argentina nas oitavas de final.

Romário marca o gol do título da Copa América de 1989. [Fonte: Globo Esporte]
Romário marca o gol do título da Copa América de 1989. [Fonte: Globo Esporte]
Mas, a hora de se consagrar foi em 1994. Ano de Copa do Mundo, naquela temporada realizada na terra do Tio Sam. O Brasil não conquistava um Mundial desde a época de Pelé, o último havia sido em 1970. Vinte e quatro anos depois da última taça, Romário e Bebeto fizeram ressurgir um sentimento de emoção e alegria do torcedor brasileiro, o mesmo que sentiu muito a queda em 1982. Lógico que não foram os únicos responsáveis pelo tetracampeonato, mas grande parte passou pelos pés deles. A dupla dos sonhos que um não precisava apontar que o outro já entendia em um piscar de olhos. Qual torcedor não se lembra do gol contra a Holanda, Bebeto olha para a área e lança para Romário em um bate pronto genial abrir o marcador de um dos jogos mais difíceis. Na final, não conseguiram brilhar, mas a marca já tinha sido registrada ao longo do torneio. Romário foi o astro com gols e lances geniais, Bebeto não ficou para trás e carregou junto de uma seleção que não foi a mais técnica de todos os tempos, mas que fez o torcedor reviver momentos de glória.

Romário e Bebeto enfrentando a seleção anfitriã em 1994. [Fonte: Veja]
Romário e Bebeto enfrentando a seleção anfitriã em 1994. [Fonte: Veja]
Romário e Bebeto foram muito mais que a dupla do tetra, foram dois símbolos de um renascimento da seleção brasileira que estava a tanto tempo sem conquistas e sem resgatar o brilho dos olhos da torcida canarinho. Nunca duas camisas: a 7 e a 11 se completaram tanto como as de Bebeto e Romário, não precisavam de gestos e palavras para se comunicarem, o talento e a sintonia faziam isso por eles.

Fontes: TrivelaImortais do Futebol – BebetoImortais do Futebol – Romário

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