Boca (Conmebol) x Cruzeiro (Brasil): é mais grave do que parece

Agustin Marcarian/REUTERS

 

Por Léo Leal, RJ

Beneficiado contra Santos e Palmeiras. Ponto. E é bom já começar deixando isso claro, antes que haja qualquer acusação de indignação seletiva. Não é, são casos diferentes. Os seletivos são outros.

Estamos acostumados a ver nossos clubes serem assaltados em competições sulamericanas, sem exceção. Tantos indícios facilitaram o surgimento da teoria de que a Conmebol não gosta de brasileiro. Até 2018, mesmo com casos atrás de casos, ainda era teoria.

Então o senhor Coronel Nunes resolve “trair” a confederação sulamericana em seu voto para sede da Copa do Mundo 2026. A partir daí, a ameaça. No caso Carlos Sanchez, vimos a má fé, mas ainda assim o Peixe estava errado. Ontem, a certeza.

O cidadão nem notou o choque de Dedé com o goleiro, os jogadores do Boca sequer reclamaram. Tinha o vídeo, ele viu que houve uma disputa de bola e a colisão, apesar de forte, foi normal. Mesmo assim, vermelho.

Com VAR, não há dúvida, teoria, nada. É roubo. O de ontem, descarado. A arbitragem, desde o senhor Vivar, responsável pelo vídeo, foi à Bombonera na intenção de eliminar o Cruzeiro.

Sempre haverá a desculpa da baixa qualidade do profissional quando o juiz não souber o que está fazendo. Esse aí sabia, tinha o vídeo, total consciência e nula cara de pau de que assaltaria a Raposa na mão grande.

Que santistas e palmeirenses não sintam-se vingados. Um já provou, há poucas semanas, deste veneno. O outro ainda está na competição e pode ser o próximo. Uma possível final brasileira causaria a demolição daquele prédio gigante – e feio – lá em Assunção. Eles farão o que for preciso para evitá-la.

O Cruzeiro não “pagou” pelos erros da Copa do Brasil. “Pagará” se for prejudicado na volta contra o Porco ou numa possível final. O que é nosso, resolvemos aqui, onde ainda há a justificativa do erro. Mesmo com o VAR no Allianz, o jegue foi o árbitro, cujo assopro precoce impediu o uso do vídeo. Isso é regra, não opinião. A lambança, no caso, foi feita por um sujeito, não orquestrada por um grupo baseado em questões políticas.

É bom que todos entendam a gravidade do que vem acontecendo, antes que sofram na pele, um por um.

Que os clubes brasileiros, também culpados devido a tanta passividade, mudem a postura. Se for necessário, avacalhem. Já que há uma bagunça generalizada, façamos a nossa. Tirem o time de campo, mandem o juvenil mesmo não inscrito, façam barulho!

O Cruzeiro não tem obrigação, mas seria gigante de sua parte – como sugere sua camisa – se publicasse uma nota contra a aberração da Bombonera e ao mesmo tempo reconhecendo o favorecimento na Copa do Brasil. Um papel não faz efeito, mas esse deixaria claro quem é quem. O problema aqui foi desempenho profissional. Lá, má intenção e falta de caráter.

O jogo? Era divertido, tenso, um legítimo mata-mata de Libertadores. O Boca vencia por méritos, mas uma equipe que deveria ser neutra impediu qualquer análise da partida. Foi constrangedor até para os argentinos.

Não acabou, por mais que façam de tudo para tal. Há volta, há milagre, há página heróica e imortal a ser escrita em azul. Celeste.

Dessa vez, ao contrário de todas as situações em que foi usada exageradamente, como se houvesse uma esquema de perseguição gratuito a quem o nariz apontasse, a expressão é necessária:

Contra tudo e contra todos.

Pelo Cruzeiro, por todos. Todos nós.

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