Boca Juniors e Carlos Bianchi, vencendo juntos!

Por: Lucas Oliveira, MG

Caro amigo leitor, hoje na sessão La Pelota, escrevo-lhes a respeito de uma das equipes mais míticas do nosso futebol, o Club Atlético Boca Juniors-ARG. É sabido que o time da Bombonera está entre as equipes mais vitoriosas da América do Sul, contudo, neste artigo, irei abordar apenas um período da gloriosa história continental do Azul Y Oro. Os xeneizes conquistaram o torneio continental pela primeira vez em 1977, e repetiram o feito em 1978. Após o bicampeonato, o Boca estava indiscutivelmente no mais alto patamar do futebol sul-americano. Porém, o período abordado neste artigo começa nos anos 2000, onde a notoriedade continental dos boquenses cresce de forma exponencial, e no centro dessa era está o nome de Carlos Biachi.

 

Carlos Bianchi, o grande mentor da era mais vitoriosa do Boca (Foto: site Le Onze Parisien)
Carlos Bianchi, o grande mentor da era mais vitoriosa do Boca (Foto: site Le Onze Parisien)

 

 O início do novo trabalho

Em meados de 1998, Carlos Biachi chegava a Buenos Aires com a difícil missão de recolocar o Boca Juniors no cenário sul-americano novamente. Naquele mesmo ano o último título continental do clube completara seu vigésimo aniversário. Nesse período, os xeneizes viram seu maior rival, o River Plate, consolidar seu nome com a conquista da América em 1986 e 1996.  As esperanças dos torcedores estava depositada na experiência do novo treinador, que conduzira o improvável Véflez Sarsfield à conquista de sua primeira Libertadores em 1994. O jovem e promissor elenco também empolgava, os destaques eram Riquelme, Schelotto, Palermo, Ibarra, Bermúdez e o goleiro Córdoba, que também marcou época sendo o sucessor de René Higuita na Seleção Colombiana.

O trabalho de Bianchi começou a trazer resultados já em sua primeira temporada. Em 1998, o Boca conquistara o Torneio Apertura do Campeonato Argentino. Vieram mais três conquistas: o Apertura e Clausura de 1999 e também o Apertura de 2000. Todavia, o que nos interessa neste artigo é o bicampeonato da Libertadores no início deste milênio, portanto, falemos do mesmo!

 

Riquelme, Schelotto e Palermo eram os principais destaques do esquema montado por Bianchi (Foto: Reprodução/Twitter)
Riquelme, Schelotto e Palermo eram os principais destaques do esquema montado por Bianchi (Foto: Reprodução/Twitter)

 

Azul e ouro: As cores da América

No ano 2000, Bianchi conduzira os xeneizes na principal competição continental pela primeira vez. Os hermanos passaram facilmente pela fase de grupos somando 13 pontos e um histórico de quatro vitórias, um empate e ainda uma derrota. Chegara a hora de provar se a equipe possuía ou não o DNA copeiro sul-americano. Nas oitavas de final, o Boca enfrentara o Nacional-EQU. O primeiro jogo, disputado em Quito, terminou sem gols. A partida de volta disputada na Bombonera teve outro desfeche. Com o apoio dos torcedores, os argentinos venceram o duelo por cinco a três. A equipe de Biachi ainda eliminaria seu arquirrival River Plate-ARG nas quartas de finais e também passaria pelo América-MEX nas semifinais. A final seria disputada contra o atual campeão Palmeiras.

No primeiro jogo deu empate. Arruabarrena, em um dia bastante atípico para um lateral, marcou os dois gols do Boca no jogo. Euller e Pena empataram para os alviverdes dando números finais ao jogo.  Na volta, o Verdão jogava por um empate sem gols ou até pelo placar mínimo. O Palmeiras estava invicto no antigo Parque Antártica, porém, a partir da semifinal disputada contra o Corinthians, o alviverde passou a mandar seus jogos no Estádio do Morumbi. Estádio esse em que Bianchi havia conquistado sua primeira Libertadores com treinador há seis anos. O Morumbi pulsava com mais de 75.000 expectadores, todos frustrados com o placar que não saiu do zero. O filme de 1994 se repetia para Bianchi. Mais uma vez o treinador veria sua equipe decidir um título nas penalidades no Morumbi. Os hermanos foram absolutos em suas cobranças. Pelo lado brasileiro Asprilla e Roque Júnior pararam em Córdoba. Agregado: Palmeiras 2 (2) x (4) 2 Boca Juniors. Após 22 anos no limbo, os xeneizes voltavam ao posto mais alto do futebol sul-americano.

 

Elenco boquense posa para foto na final da Libertadores de 2000 (Foto: Reprodução/Twitter)
Elenco boquense posa para foto na final da Libertadores de 2000 (Foto: Reprodução/Twitter)

 

A consolidação do trabalho 

Na temporada 2001, o Boca Juniors chegava mais experiente para o torneio continental, porém, com uma baixa considerável. Na janela de transferências de verão, o atacante Martín Palermo fora vendido para o Villarreal-ESP, dando fim ao ataque montado com Schelotto e Riquelme. Palermo era o homem de referência no esquema de Biachi, o atleta registrou a ótima marca de 102 jogos e 81 gols em três anos no clube. A difícil missão de substituir o já ídolo da torcida coube a Marcelo Delgado, e já nas oitavas de final ele deixou um belo cartão de visitas.

Os comandados de Bianchi foram a Colômbia enfrentar o Júnior Barranquilla. Delgado comandou a vitória dos xeneizes com dois gols. Na volta, os colombianos ficaram animados com a possibilidade de colocar água no chopp dos boquenses quando aos dois minutos Zambrano abriu o placar. Scheletto tratou de cortar o ímpeto dos visitantes e empatou a partida sete minutos depois. Agregado: Boca Juniors 4 x 3 Júnior Barranquilla. Nas quartas de finais o Azul Y Oro passou com duas vitórias pelo Vasco da Gama. No primeiro confronto, em São Januário, vitória pelo placar mínimo. O Vasco tinha a dura missão de vencer os argentinos na Bombonera. A partida da volta foi rapidamente decidida. Após meia hora de bola rolando os hermanos aplicaram três gols nos brasileiros e sacramentaram a classificação.

As semifinais marcariam a reedição da final do último ano, novamente um Boca x Palmeiras. A primeira partida, disputada na Bombonera, foi marcada por polêmicas. Na primeira etapa o Verdão abriu o marcador com Alex. Os xeneizes chegaram ao empate com Schelotto em penalidade máxima. Pênalti esse bastante contestado pelos palmeirenses que após o jogo apelidaram “carinhosamente” o juizão Ubaldo Aquino de ROUBALDO Aquino. Na volta, o Verdão fez diferente do último ano e optou por mandar o jogo em seus domínios. Outro empate no tempo regulamentar e novamente o confronto se decidiria nas penalidades. Pelo lado brasileiro, Alex, Arce e Basílio desperdiçaram suas cobranças. Os hermanos não perdoaram. Agregado: Boca 4 (3) x (2) 4 Palmeiras.

 

Assista aos lances polêmicos que marcaram o duelo entre Boca e Palmeiras

Classificado para a final, o Boca estava mais próximo do que nunca de repetir o bicampeonato continental da década de 1970. O adversário seria o Cruz Azul-MEX. Os mais de cem mil expectadores presentes no Estádio Azteca saíram frustrados com a derrota dos mexicanos. Delgado marcou o único gol do jogo e deixara o Azul Y Oro em vantagem para a partida de volta. Estádio completamente lotado, papel picado, bandeiras, rojões, sinalizadores e muito nervosismo em campo. Essa era a atmosfera da Bombonera naquela noite. Somente a vitória interessava os mexicanos, porém, o Boca ainda não havia perdido em casa no torneio. Os visitantes foram para cima e conseguiram abrir o placar com Palencia ainda na primeira etapa. Nada mudou após isso. Agregado: Boca Juniors 1 x 1 Cruz Azul.

Pelo segundo ano consecutivo os argentinos decidiriam o maior torneio sul-americano nas penalidades. Riquelme iniciou a série para os xeneizes, e como de costume, caixa! Palencia empatara. Serna e Delgado recolocaram os Hermanos em vantagem. Córdoba defendera a cobrança do meia Galdames, e ainda vira Hernández e Pinheiro não aproveitarem suas cobranças. O bicampeonato estava consolidado. Com um grande plantel disponível o trabalho de Bianchi chegara em seu ápice.

Imprensa argentina destaca bicampeonato do Boca Juniors (Foto: Site Olé)
Imprensa argentina destaca bicampeonato do Boca Juniors (Foto: Site Olé)

 

O breve adeus

Após o bicampeonato conquistado com o Boca Juniors, Carlos Bianchi chegara ao seu terceiro título continental como técnico. Tal feito lhe garantiu a alcunha de Mister Libertadores. O treinador deixara a equipe naquele ano. Porém, ele voltaria ao clube em 2003, e sim, o homem conquistou a América novamente. Mas isso é história para um outro texto. Quando? DESCUBRA!

 

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