Brasil 3×1 Argentina – Justiça ao Velho Vamp

O decreto sempre está liberado para quem já venceu a Argentina.

Nada de cambalhotas: Vampeta comemorou metralhando, indicando que havia matado o jogo (Foto: Reprodução/onordeste.com)
Por: Bruno Negrão, RS

Muitas pessoas acreditam que o Cenas Lamentáveis valoriza alguns jogadores apenas pela parte folclórica, como se deixasse a importância da qualidade técnica dentro de campo em segundo plano. Devido a isso, atletas moralizadores são vistos apenas como personagens, tendo suas habilidades com a bola totalmente menosprezadas. É o caso de Vampeta, mas hoje faremos justiça.

Por conta do lado fanfarrão, boêmio e contador de histórias, muitos se esquecem do grande jogador que Vamp foi – campeão mundial, com diversas passagens por grandes clubes no currículo. Mas foi em um Brasil x Argentina pelas Eliminatórias da Copa em 2000, no Morumbi, que o volante deixou seu nome eternizado na história do futebol nacional. Um jogo que foi um verdadeiro suco de CL durante uma época de ouro da nossa Seleção.

Contexto

Era a primeira vez que Brasil e Argentina se encontravam pelas Eliminatórias de uma Copa do Mundo. Comandados por Crespo e Verón, os hermanos vinham embalados, com cinco vitórias em cinco jogos. Já o Brasil estava em crise, pois havia perdido o duelo anterior para o Paraguai fora de casa, com direito a expulsão de Cafu. Para piorar, o capitão brigou com Vanderlei Luxemburgo no hotel e deixou a concentração. Em meio à lesão de Ronaldo, o elenco brasileiro era um caos completo e a classificação para a Copa estava bastante ameaçada.

Para a partida no Morumbi, Luxemburgo optou por três jogadores que haviam ficado de fora do último confronto: Alex, Ronaldinho Gaúcho e Vampeta. A escalação do Pofexô foi certeira. Pelos pés desses três que a vitória foi construída, com destaque especial para o cabeça-de-área baiano.

O jogo

O primeiro gol da partida foi marcado por Alex, aos 4 minutos da etapa inicial. Após escanteio cobrado por Ronaldinho  e afastado pela zaga, a bola sobrou para Antônio Carlos, então capitão da equipe, que cruzou para o meia cabecear para o fundo das redes. Um detalhe curioso é que, apesar de não ser centro-avante de ofício, Alex vestia a camisa 9.

(Foto: Reprodução/Veja)
Numerações sem lógica: gostamos (Foto: Reprodução/Veja)

No fim do primeiro tempo, o Velho Vamp resolveu brilhar. Ele começou a jogada na defesa, tabelou com Ronaldinho e passou a bola para Alex arriscar de fora da área. O goleiro argentino, Roberto Bonano, deu rebote e o volante estava lá para empurrar a bola para dentro e correr para o abraço: 2 a 0 Brasil. O gol mostrou toda a versatilidade e velocidade do meio-campista, que construiu a jogada e ainda chegou como elemento surpresa para completá-la, após correr cerca de 70 metros.

O resultado era perfeito. Casa cheia, ótima atuação da equipe. No entanto, logo em seguida, um balde de água fria. Matías Almeyda aproveitou a falha da zaga e descontou para os argentinos antes que os times fossem para o intervalo. O gol irritou bastante Luxemburgo. Uma prova disso é que, durante sua ida ao vestiário, o treinador deu um esporro literalmente ao vivo em um cinegrafista que esbarrou nele. Confira no vídeo:

O Pofexô também deve ter um esbravejado sua ira no vestiário com os jogadores, pois eles voltaram mais atentos para a segunda etapa. Aos cinco minutos, Ronaldinho Gaúcho fez boa jogada na linha de fundo e deu assistência para Vampeta, que chutou da mesma forma que se toma danone: de bico. O gol liquidou a fatura.

Qué se siente? (Foto: Conmebol)
Decime qué se siente (Foto: Conmebol)

Assim, o Brasil venceu a Argentina por 3×1 na primeira vez em que se encontraram na fase eliminatória para a Copa do Mundo. A partida até hoje é guardada com carinho na memória do torcedor brasileiro, sendo o primeiro passo de uma brilhante caminhada que terminou dois anos depois com a conquista do pentacampeonato mundial.

Vampeta

O confronto também ficou marcado pela atuação de gala de Vampeta, na época com 26 anos e no auge da carreira. Apesar da crise e da pressão histórica do clássico, ele decidiu o duelo com dois gols. Mesmo longe de ser um craque, o jogador conseguiu dar outra cara ao meio de campo brasileiro, com mais velocidade, qualidade no passe e poder ofensivo. Hoje em dia, Vamp seria chamado de “volante-moderno”, mas na época era apenas “volante” mesmo. Naquela semana, ele estampou as capas de jornais e revistas – mas dessa vez, estava com roupas.

Pra completar, o baiano moralizador comemorou a vitória enchendo a cara com os companheiros.

Vida longa ao Velho Vamp! Um baita cachaceiro, é verdade, mas que também sabia jogar muita bola. E se ainda resta alguma dúvida disso, é só perguntar para os Hermanos…

Fonte: GloboPlay, Veja, Estadão, Esporte Interativo

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