Brazucas Hermanos: Silas, El Prestidigitador

O ex-menudo foi campeão com o Ciclón em 1995

Silas foi peça importante para encerrar um jejum de 21 anos sem títulos relevantes (Foto: Diário Ole)
Por Dudu Nobre, PR

Brasil e Argentina. A maior rivalidade do futebol mundial. Um duelo efervescente entre países quase sempre opostos. Mas existem alguns casos que pertencem a esses dois conjuntos – o que na matemática é chamado de interseção – e são eles o foco desta série de reportagens.

Para começar, um meia idolatrado pelos argentinos “por fazer gols no Boca desde o primeiro dia em que usou a camisa azulgrana, pelo carisma com as pessoas, pela sua generosidade ao distribuir assistências e por ser a referência técnica no campeonato de 1995, o 10 brasileiro ficou marcado a fogo na pele dos torcedores”. Esta é a descrição de Paulo Silas no site oficial do San Lorenzo de Almagro. Um mágico, ou melhor, um Prestidigitador.

De cartola e tudo, o mago de Boedo (Foto: El Gráfico)
De cartola e tudo, o mago de Boedo (Foto: El Gráfico)

O meio-campista é conhecido no Brasil por ter participado da geração dos Menudos do Morumbi, na metade da década de 1980, quando conquistou um título brasileiro em 1986. Em 1989 foi transferido ao Sporting-POR e no início da  década de 1990 chegou ao futebol italiano, onde atuou pelo Cesena-ITA e pela Sampdoria-ITA. Após passagens discretas por Internacional e Vasco da Gama, desembarcou no Nuevo Gasometro em 1994.

Embora houvesse uma desconfiança pessoal em jogar no país vizinho, Silas foi bem recebido pelo técnico Héctor “Bambino” Veira, que jogou no Corinthians nos anos 1970 e gostava do Brasil – tanto que vestia uma camisa com o nome do país por baixo do paletó. Tal acolhimento deu forças para que Paulo estreasse com o pé direito, com um tento frente ao Boca Juniors-ARG.

Ainda em 1994, o brasileiro marcou um dos gols mais bonitos de sua carreira, quando saiu da risca central, driblou cinco atletas do River Plate-ARG e chutou de fora da área no canto direito. A pintura lhe rendeu a capa da revista esportiva El Gráfico, que o classificou como extraordinário.

Reprodução da capa do El Gráfico (Foto: Reprodução / globoesporte.com)
Reprodução da capa do El Gráfico (Foto: Reprodução / globoesporte.com)

Mesmo com a boa campanha, o título do Apertura daquele ano bateu na trave, já que Los Cuervos ficaram a cinco pontos do River. Como o campeonato argentino era disputado nos mesmos moldes dos torneios europeus, o clube do bairro Boedo entrou em 1995 amargando um jejum de 21 anos sem um título da primeira divisão nacional.

Com a base mantida e Silas orquestrando a meiuca, o Ciclón (sim, o San Lorenzo tem muitos apelidos) chegou com boas expectativas. Após fazer uma campanha consistente, o clube azulgrana seguia em uma disputa particular com o Gimnasia y Esgrima-ARG. Faltando três jogos para o final, o clube do bairro Boedo perdeu para o Vélez-ARG e foi ultrapassado pelo escrete de La Plata.

Na última rodada o San Lorenzo precisava vencer o Rosário Central-ARG no Gigante de Arroyito e torcer para um tropeço do oponente, que jogava em casa contra o Independiente-ARG (que estava na parte de baixo da tabela). A Hinchada del Ciclón explodiu quando Javier Mazzoni abriu o placar para o time de Avellaneda. O resultado ainda era perigoso, Los Cuervos queriam fazer sua parte. A esperança veio quando Monserrat sofreu pênalti, mas Netto deu uma de Baggio e desperdiçou.

A angústia tomou conta do estádio, só uma mágica para dissipá-la dos céus de Rosário. Uma missão para El Prestidigitador. Escanteio da direita. Silas cobrou e a curva açucarada encontrou Esteban González. O grito poderia sair do peito e ganhar a Argentina. San Lorenzo campeão do Clausura.

Uma campanha formidável, com 14 vitórias em 19 partidas, 31 gols marcados (segundo melhor ataque) e 12 sofridos (melhor defesa). Além do título e da vaga na Libertadores do ano seguinte, aquele elenco foi o melhor na soma dos dois turnos.

Silas ficou no San Lorenzo até 1997, mas o povo de Boedo não o esqueceu. Em 2015, retornou ao Nuevo Gasometro para uma partida em comemoração aos 20 anos do título. Por um instante o brasileiro voltou no tempo, naquela conquista. Como num passe de mágica…

Fontes: El Gráfico, ESPN, Folha de S. Paulo, Globoesporte.com, La Nación, O Curioso do Futebol, Site Oficial San Lorenzo, Telam e Terceiro Tempo.

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