Brinco e Jóia, as “princesas” do futebol brasileiro

Tradição em nome de estádios não pode desaparecer

Estádio Brinco de Ouro da Princesa (Foto: Reprodução/Guarani)

O futebol vem ganhando uma identidade cada vez mais comercial. Vivemos agora uma época em que as modernas arenas fazem parte da agenda dos nossos campeonatos, principalmente após a Copa do Mundo de 2014. Parece que a necessidade de modernização de um clube começa pelo seu estádio, que acaba funcionando como o cartão de visitas de um time frente as suas novas parcerias comerciais, fazendo com que a gente deixe de ver nomes ou apelidos curiosos batizando suas casas.

Um termo muito comum nesse novo modelo de gestão são os naming rights, que nada mais é, do que o direito de propriedade do nome de um estádio para alguma empresa. Os acordos são fixados em valores milionários, e servem para que o clube consiga gerir de uma forma mais rentável suas suntuosas arenas. Um exemplo é o antigo Parque Antártica, que após sua reconstrução passou a se chamar Allianz Parque, devido ao acordo com a seguradora Allianz. No caso da arena palmeirense, o nome foi escolhido pelos próprios torcedores dentre algumas opções determinadas.

Esse novo modelo começa a deixar de lado estádios com nomes bem peculiares, no qual foi muito comum durante anos aqui no Brasil. A lista é imensa e, com certeza, todo torcedor brasileiro tem na cabeça o nome de muitos.

Vamos relembrar alguns deles:

 

Estádio Brinco de Ouro da Princesa

Capacidade: 29.130 pessoas
Recorde de Público: 52.002 (Guarani 2×3 Flamengo, Campeonato Brasileiro de 1982)

O histórico Brinco de Ouro, estádio do Guarani (Foto: Getty)
O histórico Brinco de Ouro, estádio do Guarani (Foto: Getty)

O nome Brinco de Ouro da Princesa, surgiu graças ao jornalista João Caetano Monteiro Filho, quando ao ver o projeto do estádio na época da sua construção, o comparou ao formato e beleza de um brinco. Sendo complementado pelo apelido da cidade de Campinas, considerada a Princesa do Oeste paulistano.

O estádio do Guarani já viveu seus momentos de glória, recebeu a partida decisiva do campeonato brasileiro de 1978, e viu o time da casa erguer a taça de campeão brasileiro daquele ano ao vencer o Palmeiras por 1 a 0, com gol do jovem centroavante Careca. Isso sem contar o vice-campeonato no brasileiro de 86, quando o Guarani, em casa, foi derrotado pelo São Paulo nos pênaltis por 4 a 3, após uma partida muito disputada, 1 a 1 no tempo normal e 2 a 2 na prorrogação.

Quase 40 anos depois, a realidade do Brinco de Ouro é completamente oposta àquela vivida no passado. O Guarani encontra-se com inúmeras dívidas e teve o seu estádio leiloado em março de 2015. O clube ainda tenta reverter o resultado desse leilão, alegando que o valor arrecadado é muito abaixo do preço real de mercado.

 

Estádio Jóia da Princesa

Capacidade: 16.274 pessoas
Recorde de Público: 28.000 pagantes (Fluminense –BA 0 x1 Vasco da Gama, amistoso em 1966)

O maior estádio do interior da Bahia é o Jóia da Princesa, em Feira de Santana (Foto: Jornal A Tarde)
O maior estádio do interior da Bahia é o Jóia da Princesa, em Feira de Santana (Foto: Jornal A Tarde)

O Estádio Alberto Oliveira não é muito conhecido pelo seu nome, mas se na Bahia você perguntar para qualquer conhecedor de futebol onde fica o Jóia da Princesa, qualquer torcedor saberá que se trata do estádio de Feira de Santana, sede dos principais clubes da cidade. O responsável pelo apelido é o escritor baiano Ruy Barbosa, mesmo que de forma indireta, já que Ruy chamava em seus livros a cidade de Feira de “Princesa do Sertão”. Não custou muito para o estádio virar a Jóia da segunda maior cidade baiana. Em junho desse ano o estádio foi reinaugurado, e irá receber os jogos do Fluminense de Feira na Série D do campeonato brasileiro.

Dos principais times da cidade que mandam seus jogos no estádio, o de maior torcida é o Fluminense de Feira. Campeão baiano de 1963 e 1969, ambos sobre o Bahia, já disputou a Série A do Brasileirão em 3 oportunidades.  O Touro do Sertão, como é conhecido, também participou da Copa do Brasil em duas oportunidades, sendo que em 1991, conseguiu avançar até as oitavas de final, quando foi eliminado pelo Grêmio após duas derrotadas nas duas partidas contra o time gaúcho.

A última grande glória testemunhada pelos torcedores de Feira de Santana aconteceu no campeonato baiano de 2011. Quando o Bahia de Feira disputou a final do torneio e saiu como campeão, após vencer o favorito Vitória. A partida de ida foi disputada no Joia da Princesa e acabou empatada em 2 a 2, no jogo de volta, no Barradão, o time visitante venceu de virada por 2 a 1 e conseguiu o inédito título.

O aumento de faturamento dos clubes é necessário para a sobrevivência do nosso esporte, mas a perda de identidade dos nossos estádios e times é algo que pode matar a cada dia a história do nosso futebol.

 

Por: Wagner Ponce @wagnerponce

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