Bruno Fernandes: entre o sucesso e a lama

Como um grande jogador chega ao fundo do poço

Embaixo das traves uma muralha, na bola parada, uma promessa (Foto:vipcomm)
Por: Daniel Bravo, MG

Amigo torcedor, amigo leitor. Nem toda história de jogador é feliz. Nem mesmo as que por algum momento pareciam ter chegado ao ápice. Infância pobre, juventude doada ao futebol e o auge entregue ao cárcere, assim é o resumo da história de Bruno Fernandes das Dores de Souza, ou só goleiro Bruno. Nascido em Ribeirão das Neves(MG), criado pela vó, Dona Estela, teve um complicado início e poderia ter como música de sua vida “Negro Drama – Racionais Mc’s”. Foi através do futebol que veio a chance de mudar o rumo de sua vida. Do campo de terra do bairro para o Maracanã, o maior templo do futebol. Hoje? A cadeia.

Bruno ficou famoso para o futebol atuando pelo Atlético-MG. Apesar da fase ruim que vivia o time mineiro e a queda para à Série B, o arqueiro foi um dos poucos a realizar um bom trabalho e acabou se transferindo para o Corinthians, clube do qual praticamente não trabalhou e, após uma confusão com um filho de um diretor, foi transferido ao Flamengo. No time carioca, veio o auge da carreira do atleta. Capitão, pegador de pênaltis e dono da bola parada, foi ainda campeão brasileiro na fantástica campanha que tinha, além dele, Petkovic, Wagner Love e Adriano Imperador.

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Campeão brasileiro em 2009 e ídolo da nação rubro-negra (Foto: Reprodução/ Globoesporte.com)

Se dentro de campo sempre foi um jogador tranquilo e sem muitos problemas, fora dele as confusões eram recorrentes, desde brigas com torcedores, entrevistas polêmicas (como na tentativa de defender Adriano, onde acabou perguntando aos repórteres quem nunca teria brigado com a mulher ou mesmo saído no tapa) até confusões com mulheres. Foi numa dessas confusões que o pesadelo de Bruno teve início e sua carreira e sucesso, um fim.

Junho de 2010. Uma notícia parava o Brasil e agitava o futebol: o goleiro Bruno era considerado o responsável pelo desaparecimento da modelo Eliza Samúdio. Naquele momento, a história de um ídolo rubro-negro, jogador cotado para defender o Milan e a Seleção Brasileira ganhava um novo enredo. O defensor da meta flamenguista passava a ser o mais novo criminoso do país.

Não era preciso muitos esforços para tornar o fato uma comoção nacional. Bruno foi acusado de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado e sequestro de Eliza e do filho deles, Bruninho, e ocultação de cadáver. O caso se perdurou por três anos. Além de Bruno, outras pessoas foram indiciadas e, em março de 2013, Bruno teve sentenciado seu maior contrato, mas dessa vez, não era com o futebol, mas sim uma pena na justiça de mais de 22 anos de prisão, sendo 17 deles em regime fechado.

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Entrevistado pelo Globoesporte.com Bruno abriu o jogo e espera voltar aos gramados (Foto: Bernardo Pombo e Luiz Claudio Amaral)

A vida de Bruno no cárcere não deixou de ser uma “montanha russa”. Nos presídios da Nelson Hungria e Francisco Sá, chegou a tentar suicídio, se envolver em brigas e até ser atingido por uma faca. Após 5 anos, foi transferido para a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC), uma ONG que visa o lado humano, como o próprio aviso da instituição em Santa Luzia diz: “Aqui entra o homem, o delito fica lá fora”. Bruno passou a ter uma vida mais sociável e trabalhar, além de treinar e dar treinos aos demais detentos.

Bruno Fernandes de Souza garante não ter encerrado a carreira e promete, após pagar a pena da qual não exime sua culpa, voltar ao futebol. Bruno paga, hoje, pelos erros cometidos e pagará sempre o preço de ter jogado por terra a oportunidade de ser eternamente lembrado como um ídolo, ainda que campeão brasileiro, o jogador que poderia ser muito mais, carregará a mancha de um crime cheio de mistérios e dúvidas.

Fonte: Globoespote.com

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