Brusque Futebol Clube: O time que desafiou a lógica

Equipe atualmente disputa Brasileirão Série D (Foto: Márcio Costódio/BFC)

Há décadas, a lógica impera na elite do futebol catarinense. Ninguém fora do grupo dos cinco grandes – Avaí, Chapecoense, Criciúma, Figueirense e Joinville – levanta o caneco no final. O último time a quebrar esse tabu foi um então garoto no cenário: O Brusque Futebol Clube.

Campeão catarinense de 1992, o Quadricolor do Vale ainda luta por um lugar no sol. Atualmente o time joga a última divisão do Campeonato Brasileiro. Hoje em dia, o grupo ainda vive a instabilidade. Em 2015, estava na segundona do Catarinense. Representando uma cidade de mais de 130 mil habitantes, o Bruscão joga no estádio Augusto Bauer, no centro da cidade, que pertence ao Clube Atlético Carlos Renaux, o mais antigo time profissional de futebol de Santa Catarina.

 

A história

Palmito, um dos ídolos do Bruscão, em atuação. (foto: Reprodução/Revista Placar)
Palmito, um dos ídolos do Bruscão, em atuação (Foto: Reprodução/Revista Placar)

Depois de uma grande enchente em meados dos anos 1980 que assolou a região do Vale do Itajaí, a cidade de Brusque, conhecida como o berço da fiação catarinense, praticamente submergiu. Empresas, escolas, estádios, lojas e indústrias ficaram embaixo d’água após uma imensa quantidade de chuva ter ocasionado a cheia do Rio Itajaí Mirim, que corta o centro da cidade.

Assim como muito se perde após uma catástrofe, na reconstrução surgem grandes criações. Pouco a pouco a cidade se reergueu, retomando seu caráter têxtil com as senhoras da Rua Azambuja – uma via repleta de produtos têxteis que recebia a visita de milhares de pessoas nas últimas décadas – e dando chances para um recomeço, como com o surgimento da Havan, pequena loja que alimentava essas fábricas com aviamentos e hoje é uma das maiores potências em termos de lojas de departamento.

Foi da reconstrução de Brusque que o time que leva o seu nome surgiu. Com dívidas e prejuízos devido à enchente, os então clubes profissionais da cidade, Paysandú e Carlos Renaux, pediram licença do futebol. Apesar da rivalidade, os dirigentes das agremiações deram o braço a torcer ao plano de juntar os patrimônios e fundar o Brusque Futebol Clube, no ano de 1987.

 

O título

Placar exibiu o título de 1992 (foto: Reprodução/Placar Magazine)
Placar exibiu o título de 1992 (Foto: Reprodução/Placar Magazine)

 

Poucos poderiam prever, mas foi a bola rolar durante o Campeonato Catarinense de 1992 para que os olhos se voltassem ao Bruscão. O clube uniu a qualidade de ídolos como Edemar Luz  Aléssio, o Palmito, meia habilidoso, com a raça de defensores do naipe de Solis Queiróz, zagueiro tricampeão catarinense por Criciúma, Brusque e Figueirense.

Depois de uma campanha impecável, o time fez a final com o tradicional Avaí. No primeiro jogo, vitória por 1 a 0 para o time da capital. Já no segundo, 2 a 1 para o Bruscão. Como o regulamento não previa gol fora de casa, os times foram para uma prorrogação, e o quadricolor fez mais um gol, com Cláudio Freitas, sagrando-se campeão. Na edição que trazia os campeões estaduais de 1992 da Placar, a principal publicação esportiva do Brasil destacou a vitória resumindo bem o sentimento: “Zebra sem surpresas”. E foi assim que o Bruscão conquistou o principal título do futebol catarinense apenas cinco anos após seu surgimento.

 

Hoje em dia

Rei do Danone já foi do Bruscão (foto: Flávio Neves/ClicRBS)
Rei do Danone já foi do Bruscão (Foto: Flávio Neves/ClicRBS)

 

Depois de problemas administrativos e sucessivas trapalhadas de diretorias, o Bruscão encontrou dificuldades em seu caminho. O clube nunca chegou a se desativar profissionalmente, mas vive uma gangorra com sobes e desces desde seu nascimento. Na temporada 2016, o time fez uma boa campanha e atualmente está na Série D do Brasileirão, com chances claras de classificação para a próxima fase. Seria a primeira vez em sua história.

O Brusque já contou com estrelões como Aloísio Chulapa e Viola em seu elenco com o objetivo do marketing, só que o retorno nos gramados não foi como o esperado. Apesar de não ter um estádio, o clube tem um centro de treinamentos fora do centro da cidade, onde trabalha com o profissional e também com duas categorias de base.

 

Ficha técnica

Nome: Brusque Futebol Clube
Fundação: 12 de outubro de 1987
Cores: Branco, amarelo, verde e vermelho
Estádio: Augusto Bauer (alugado)
Mascote: Marreco

Texto por: Cristóvão Vieira

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*