Cadão, o capitão de uma cidade

O xerife que há 21 anos defende o Friburguense

(Foto: Emerson Pereira/Super Gol)
Por Lucas Gomes, RJ

O futebol brasileiro é uma fábrica de ídolos. As gerações passam e grandes jogadores nascem dia após dia, ajudando a paixão pelo esporte crescer no país. O tempo de estadia num clube cria identificação com a torcida. Além, claro, das conquistas e demonstrações de amor. Temos grandes exemplos disto. Hoje, falaremos de um deles. O xerifão que atua em Nova Friburgo, interior do estado do Rio de Janeiro. Um símbolo para toda a cidade, o capitão do Tricolor da Serra, Cadão.

Sua carreira começou em Três Rios, sua cidade natal, no Enterriense F.C, no início da década de 90. Após alguns anos, mais precisamente em 1996, Cadão transferiu-se para o Friburguense, para iniciar sua gloriosa página na equipe. Lá, conquistou o Campeonato Carioca da Série B de 1997, levando o time à elite do Estado e caindo nas graças da torcida.

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

O Tricolor da Serra nasceu na década de 80 e é o amor da cidade. As histórias do clube e do local se confundem. Em 2011, deslizamentos de terra geraram mortes e destruição no Município que, desolado com tantas perdas, viu seu time conquistar o acesso para a Serie A do Campeonato Carioca como um momento de alegria e esperança para o reerguimento de Nova Friburgo.

O carinho dos habitantes também é visto em alguns jogadores. Quatro dos cinco atletas que vestiram mais vezes a camisa do Friburguense atuaram até esta década ou ainda continuam em campo. Três deles já possuem mais de 300 jogos oficiais, em uma agremiação que se aproxima apenas da milésima partida oficial. Cadão lidera o ranking com folga. São mais de 400 duelos, em 21 anos.

O que impressiona nesta carreira é a longevidade. O xerife completou 45 anos no final de 2016, e segue como capitão, líder e zagueiro artilheiro. São mais de 40 gols pelo Frizão, estando na vice-artilharia de todos os tempos do clube. Perde apenas para Ziquinha, experiente atacante que também é símbolo da equipe.

(Reprodução: FutRio)
(Reprodução: FutRio)

O defensor não pensa em parar. Mantém-se com hábitos regrados e, mesmo com uma lesão que o afastou dos gramados no início da temporada, segue no elenco. Ele é o homem de confiança dos treinadores que passam pelo Tricolor da Serra. Sua identificação é tamanha que mesmo se pendurar as chuteiras pretende seguir no Eduardo Guinle exercendo algum cargo administrativo, ou até mesmo na área técnica.

Cadão é o maior símbolo de lealdade a um time, mesmo tendo passagens por outros clubes durante esses 21 anos. Sempre que o Friburguense precisou do seu capitão, do seu xerife, lá estava ele, confundindo sua história com a história do Tricolor da Serra. O ponto alto dessa paixão mútua foi ser homenageado como cidadão de Nova Friburgo em 2013. Em tempos em que a facilidade de trocar de camisa é grande, ser ídolo de uma cidade é para poucos.

Fonte: InterTV, FutRio, Super Gol

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