Caneta e chapéu: qual é o pior de tomar?

O drible é uma arte e hoje, dois dos seus mais populares vem à tona e em busca de respostas

Por: Jean Costa, RS

O drible, a ousadia, a paixão, uma carta de amor, o espetáculo à parte. O futebol tem muito de imaginação, de criatividade e inteligência. Ouso dizer que não cabe em palavras. É inexplicável. É de fazer até o coração pulsar mais forte. O drible nunca será melhor que o gol, é verdade, mas convenhamos que driblar também é motivo para sorrir à toa. Caneta e chapéu, janelinha ou lençol. Todos esses nomes para dois dos toques mais conhecidos e preferidos da maioria. Motivos para alegrar em partes o maior espetáculo da Terra.

Com esses lances de efeito vêm gritos de quem joga e de quem está assistindo. Os famigerados “Ahhhh”, “Ui”, “Eu não deixava” e as risadas de quem assiste e de quem joga são ligamentos desse show ao menos na nossa pelada sagrada de cada dia. O tema de hoje, meu caro amigo e leitor, é o que de pior de se levar durante uma partida: um balão ou um toque entre as pernas?

O "La Boba" de D'Alessandro costuma a causar estragos, o chileno Mena foi a vítima (Foto: Reprodução/Youtube)
O “La Boba” de D’Alessandro costuma a causar estragos, o chileno Mena foi a vítima (Foto: Reprodução/Youtube)

Não importa como, um lance de efeito como esses sempre vai chamar nossa atenção. A caneta e o chapéu sempre dão o que falar. Qual é o mais complicado? Nem sempre habilidade é o X da questão. Inteligência e pensamento rápido facilitam muito. Nem sempre é preciso ter habilidade, todos somos capazes de fazer algo assim. Ver Falcão e Ronaldinho brilhar com jogadas espetaculares faz parecer fácil. Tomar caneta e chapéu é difícil demais de lidar, mas quando quem aplica sou eu ou você mesmo, caro leitor, parece ser mágico, não é? A autoestima melhora e acaba fazendo com o rendimento até cresça durante o jogo, mas já pararam pra pensar no que passou pela cabeça daquele que levou o toque no momento?

Rafael Moura x Kaká - pensamento rápido ou qualidade técnica, caro leitor? (foto: reprodução/youtube)
Rafael Moura x Kaká – pensamento rápido ou qualidade técnica, caro leitor? (Foto: Reprodução/Youtube)

No final de 2016, um amigo havia convidado quem vos escreve, e quem conta essa história não joga muito bem, mas é daqueles que em momentos raríssimos tira umas jogadas da cartola que todo mundo duvida. O que veio a acontecer foi o seguinte: um “rolinho lateral”, melhor definição para jogada, foi aplicado diante do adversário. Coisas assim são motivos pra sorriso e gozação, mas ora, foi apenas uma caneta, não foi? Era sim um motivo pra sorrir. Mas confrades, os pais e a namorada do rapaz estavam lá assistindo. Tava feito o problema. Confusão não houve, mas a consciência pesou. Isso sem contar que o irmão do rapaz estava jogando e também levou caneta, mas de quem havia me convidado. O que era pra ser cômico acabou causando uma situação até dolorida. Não me tira o sono, isso seria exagero, mas incomoda: e se fosse eu? Me pergunto desde então.

Caneta, chapéu e até carretilha, o portfólio do Rei do Futsal inclui isso e todos os dribles possíveis (foto: reprodução/Sportv)
Caneta, chapéu e até carretilha, o portfólio do Rei do Futsal inclui isso e todos os dribles possíveis (Foto: Reprodução/Sportv)

Eu nunca me esqueço do primeiro chapéu que tomei. Tinha 9 pra 10 anos de idade, jogava como fixo em uma escolinha de futsal em Alvorada-RS, e o confrade em questão era um amigo, que hoje joga na base do Cruzeiro de Minas. Para alguém daquela idade, chegava firme e já batia pra caramba. Só que tem aquele ditado: “O apressado come cru”, que se fez valer naquela ocasião. Entrei na corrida e tomei. Meu pai estava na torcida. Nada poderia ser pior. Mas aí eu parei o jogo pra bater no meu amigo e fui expulso. Se fosse hoje, provavelmente colocaria a mão na bola, se não for provocação não vale a pena causar confusão. Mas para toda ação tem uma reação. Quando tinha 16 anos, tive a oportunidade de dar o troco no meu amigo. Demorou, mas chegou. E como valeu a pena! Ainda lembro que no pós-jogo ele não aceitou muito bem aquele papo de que a bola subiu demais veio, mas não servia como argumento. Aqui se faz e aqui se paga.

"Olha o que ele fez, olha que ele fez, olha o que ele fez" Bueno, Galvão (foto: reprodução/TV Globo)
“Olha o que ele fez, olha que ele fez, olha o que ele fez” Bueno, Galvão (Foto: Reprodução/TV Globo)

Canetas aconteceram também, só que nunca me incomodaram tanto quanto levar um chapéu. Quem nunca levou uma, não é? Pode até ser considerado um lance normal de jogo, mas às vezes a janelinha pode ser tão humilhante quanto um lençol. Escolher é uma questão que depende do ponto de vista de cada um e a opinião, independentemente de quem for, deve ser respeitada (exceto de quem diz que o Maradona é melhor que o Pelé ou quem pede David Luiz na seleção de novo).

Se tratando de "dibre", caneta ou chapéu, não importa qual, Ronaldinho é especialista (Foto: Marcus Desimoni/UOL)
Se tratando de “dibre”, chapéu e caneta, não importa qual, Ronaldinho é especialista (Foto: Marcus Desimoni/UOL)

No meu ponto de vista, o chapéu é pior de levar, mas a caneta é melhor de se dar. Os dois têm seus respectivos charmes e sempre irão fazer com que o espetáculo ganhe em qualidade. E pra você, caro leitor, qual é o pior de tomar e qual é o melhor de aplicar?

Fontes: Scielo.br, Sportv

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