Carlos Miguel, o canhoto gaúcho

Com seus passes e lançamentos precisos, Carlos Miguel era um meia clássico

Carlos Miguel, a criatividade que calor o Maracanã. (Reprodução/Agência RBS)
Por: Max Galli, SP

Carlos Miguel da Silva Júnior, ou Carlos Miguel, como era conhecido, foi ex-meia de Grêmio, São Paulo e Internacional, nasceu em Bento Gonçalves (RS) no dia 12 de junho de 1972. Hoje, já integra os times do quarentões dos jogadores aposentados com 44 anos. Miguel começou no futebol nas categorias de base do Grêmio e, de cara, participou da equipe vice-campeã da Taça São Paulo de Juniores de 1991, perdendo para a eterna Portuguesa de Dener.

Com alta qualidade vinda de sua perna esquerda e grande vitalidade na marcação, ele poderia compor qualquer parte do meio-campo que corresponderia à altura, além de fazer muito uso dos passes e lançamentos precisos, lances que o deixaram conhecido e o fizeram peça importante nas equipes em que passou. Subindo para a equipe profissional do Grêmio em 92, ganhou sua primeira oportunidade, mas ainda não mostraria toda a sua capacidade, coisa que só veio a acontecer com a vinda de Luiz Felipe Scolari para o time tricolor em 93 e, nesse mesmo ano, integrou a equipe campeã do Campeonato Gaúcho.

Mas foi só em 1994 que ele começou a ganhar notoriedade, sendo parte importantíssima na conquista da Copa do Brasil em cima do Ceará, e foi dele o cruzamento para o gol de Nildo que garantiu o título e passagem para a Libertadores da América no ano seguinte. Em 95, foi titular na maioria dos jogos da competição continental e ajudou o Grêmio a ser bi da América.

Titulares do Grêmio campeão da América de 95. (Reprodução/Acervo Grêmio)
Titulares do Grêmio campeão da América de 95 (Reprodução/Acervo Grêmio)

Ainda em 95, mais uma vez, Carlos Miguel ajudou a equipe tricolor a conquistar o título do estadual gaúcho e foi titular na disputa do Mundial contra o Ajax (HOL) no final do ano, saindo no meio da prorrogação e viu, do banco, a derrota nos pênaltis para os holandeses. O canhoto ainda era peça indispensável da equipe vencedora de Felipão mesmo com as tentativas da equipes de fora do país em tentar adquirir a sua qualidade. Ele preferiu ficar e participou ainda do título brasileiro de 1996, e chegou em seu ápice no ano de 97, último ano da família Scolari antes do mesmo seguir para o Palmeiras, com o tri do campeonato gaúcho e, ainda, foi o homem que calou um Maracanã com mais de 100 mil espectadores que esperavam apreciar um título do Flamengo de Sávio e Romário, mas aos 34 minutos deu números finais à partida desviando cruzamento de Roger. Gol esse que, segundo o meio campista foi o mais importante de toda a sua carreira em entrevista para o GloboEsporte.com, e assim fechou o seu currículo vitorioso com a camisa gremista.

Carlos Miguel foi o herói do título gremista em 97. (Reprodução/José Doval/Agência RBS)
Carlos Miguel foi o herói do título gremista em 97 (Foto: Reprodução/José Doval/Agência RBS)

Com o grande número de títulos e grandes participações não teve como segurar: Carlos Miguel foi negociado com o Sporting de Lisboa (POR) no meio da temporada de 1997. Mas lá perdeu um pouco daquele brilho que o perseguia na era de Grêmio. Não conseguiu se adaptar ao método de jogo da equipe de Lisboa, o que acarretou a levá-lo para a reserva do time. Infeliz em Lisboa, Miguel queria voltar para o Brasil e, assim, abriu conversas com algumas equipes, fechando com o São Paulo, que desembolsou US$4 milhões para contratá-lo depois de apenas seis meses de carreira fora do Brasil.

Ao desembarcar no Morumbi, em janeiro de 98, Carlos Miguel chegou pressionado como a solução para o meio-campo do tricolor paulista, mas sempre se manteve entre altos e baixos, não sendo titular absoluto na maioria das partidas. Mesmo assim, ajudou a equipe paulista a conquistar o Campeonato Paulista depois de seis anos. Entretanto, chegaria a uma das piores fases da carreira ao machucar o joelho no Campeonato Brasileiro, o que o fez parar de jogar o restante do ano e mesmo quando voltou, em 99, não repetia as boas atuações pela falta de ritmo e forma física, ano para esquecer.

Em 2000, Miguel voltou a apresentar o futebol que o levou ao ápice da carreira e ajudou o São Paulo a conquistar, mais uma vez, o Campeonato Paulista. A regularidade se manteve até 2001, com a conquista do Rio-São Paulo e com a tão sonhada ida para a Seleção Brasileira. Emérson Leão o convocou para integrar a equipe canarinha na Copa das Confederações daquele ano, no qual atingiu a quarta colocação final. Primeira e única passagem do atleta com a camisa verde e amarela.

Seleção Brasileira na Copa das Confederações de 2001. (Reprodução/UOL)
Seleção Brasileira na Copa das Confederações de 2001 (Foto: Reprodução/UOL)

Depois de sua volta da Seleção, Carlos Miguel começou a cair de produção e começou a enfrentar grandes problemas com sua forma física, o que só piorou com sua volta ao São Paulo. Entrou em polêmica com o técnico Nelsinho Baptista que o chamou de “laranja podre” e foi dispensado do clube, partindo mais uma vez para o Rio Grande do Sul, mas não para vestir a camisa tricolor que o tanto deu alegrias, e sim, a do maior rival, a do Internacional em 2002.

Lá, nunca foi visto com bons olhos por causa de seu passado, mesmo iniciando bem a temporada. Ajudou a equipe a ser campeã do estadual e quase fez parte de uma catástrofe para o Colorado, que escapou do rebaixamento no Brasileiro somente na última rodada. Ficando apenas um ano na equipe do Beira-Rio, o canhoto continuava a guerra com a sua forma física, mas ainda assim, conseguiu voltar para a sua casa tricolor e ficou por lá nos anos de 2003 e 2004, sem grandes atuações ou títulos. Depois disso, andou mais alguns clubes até acabar a carreira no Corinthians de Alagoas em 2006.

Em guerra com sua forma física, não teve grande passagem pelo Internacional. (Reprodução/ Acervo RBS)
Em guerra com sua forma física, não teve grande passagem pelo Internacional (Foto: Reprodução/ Acervo RBS)

Carlos Miguel tentou ser vereador de Cachoeirinha, cidade da região metropolitana de Porto Alegre em 2012, porém, não conseguiu se eleger. Hoje, junto com Dinho, ex-parceiro de meio-campo no Grêmio, comanda uma escola de futebol para tentar lançar novos talentos para o mundo do futebol. O ex-mediocentrista faz parte da equipe da Grêmio Rádio Umbro, emissora de rádio com conteúdo tricolor e, às vezes, se aventura no showbol defendendo as cores que tanto o deu felicidade e o lançou para o futebol com a sua canhota e precisão, qualidades que hoje são raros no futebol brasileiro e do mundo. Esse foi Carlos Miguel, nem sempre era o protagonista, mas criava para os que fossem.

Referências: GloboEsporte, Futebol Interior, Terceiro Tempo.

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