Carregados de história, Goytacaz e Americano tentam se reerguer no Rio de Janeiro

O CLÁSSICO DO NORTE CARIOCA

Torcidas de Americano e Goytacaz costumam lotar os clássicos e protagonizam grandes festas (Foto: InfoEsporte)
Por: Honorato Vieira

No Brasil, clássicos são sinônimos de história, títulos e muita rivalidade em jogo. Para muita gente e parte da grande mídia isso só existe nas grandes capitais, mas no interior é onde o bicho pega e o chicote estala.

Um dos maiores clássicos interioranos do nosso país, Goytacaz e Americano protagonizaram grandes histórias para o nosso futebol. São nada menos que 113 anos de rivalidade e muito equilíbrio. São 79 vitórias para o Cano e 72 para o ‘Alvianil’, em 221 jogos disputados.

Este é o maior clássico do interior do Rio de Janeiro e sempre movimenta a cidade de Campos. Dificilmente, não temos boas histórias após um ‘Goyta-Cano’ no Estádio Ary de Oliveira e Souza, o Aryzão.

O embate entre as duas equipes é mais antigo do que Flamengo x Vasco. Isso mostra a importância das duas agremiações no cenário futebolístico e cultural dos cariocas.

O clássico também já foi disputado duas vezes na elite do futebol brasileiro, em 1979 e 1980, com uma vitória para cada lado.

O Jogo do “cai-cai”

Em 2003, última vez que Goytacaz e Americano decidiram uma vaga via mata-mata, as equipes se enfrentaram pela segunda fase da Série C daquele ano.

Depois de onze anos sem se enfrentarem em uma partida oficial, os times de Campos protagonizaram uma verdadeira batalha em dois jogos épicos apesar dos placares magros. No jogo de ida, no dia 12 de outubro de 2003, o Goyta venceu por 1 a 0, em casa, e levou a vantagem para o duelo da volta.

Nesse meio termo, os bastidores ferviam por causa do então presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ), Eduardo  Viana, o famoso Caixa D’Água, e seu amor pelo Americano.

O presidente do Goytacaz, Dartagnan Fernandes, falou em entrevista sobre isso e polemizou o fato:

– O Goytacaz só não leva se o resultado for fabricado e se ele (Eduardo Viana) vier a influenciar. O Eduardo Viana manipula. Nossa preocupação é em relação à arbitragem. Dentro de campo somos mais entrosados. A possibilidade maior é nossa – disse Dartagnan Fernandes antes do primeiro jogo.
O palco estava montado para o circo pegar fogo e ele pegou. Na partida de volta, o folclórico e sempre polêmico árbitro Índio foi o designado para comandar a partida. Não deu outra. Aos 42 minutos da primeira etapa, ele expulsou o atleta Leandro do Goytacaz.
Os ânimos estavam exaltados e a arbitragem não conseguia controlar a partida até que na volta para a segunda etapa, Welligton Jacaré abriu o marcador para o Americano. Após o gol, os atletas do Goyta partiram para cima do juiz cobrando um impedimento, instalando, assim, um caos no gramado.
Dirigentes, torcedores e comissões técnicas entraram em confronto e promoveram uma verdadeira batalha campal. Um membro da comissão técnica do Americano deu um soco no goleiro do Goytacaz.
Quando a bola voltou a rolar, os jogadores do time visitante caíram em campo fazendo com que Índio encerrasse a partida aos oito minutos da etapa final.
A decisão foi para o tribunal e o Americano levou a melhor.

O dia em que o Capetinha cearense foi destaque
Em 2013, o jogo mais esperado da abertura da Série B do carioca era o clássico, e ele teve de tudo. Emoção, chuva, pênalti perdido, jogador desmaiado e virada no final. O protagonista dessa história (José de Alencar teria inveja dela) foi nada menos que Clodoaldo, o capetinha. Sempre envolvido em polêmicas na sua carreira, o ‘baixinho’ não perdeu sua essência em Campos. Vida noturna, falastrão e gols em clássicos.
Logo aos dois minutos, Eloy cruzou da direita, o goleiro Anísio saiu mal do gol e Isac apenas mandou para a rede abrindo o placar para o Americano. O tento de empate saiu dos pés de Clodoaldo. O baixinho cobrou escanteio e Júlio César subiu de cabeça para tentar cortar, mas desviou mal subiu e marcou contra, empatando o jogo.
Na segunda etapa, o atacante Laio, eterna promessa do Botafogo, se chocou com o lateral Laertes e saiu do estádio de ambulância.
O jogo se encaminhava para o empate até que um pênalti foi marcado para o Goytacaz. Na cobrança, o matador Clodoaldo foi para a bola e bateu, mas o goleiro Macula fez uma linda defesa, evitando o gol alvianil.
Em sua estreia, parecia que o baixinho seria vilão, mas o destino tratou de mudar isso. Claydir cruzou da direita e o Matador se abaixou na grande área, cabeceando (com 1,60 m de altura) para fazer o gol da virada: 2 a 1 para o Goytacaz e vitória garantida.

Em busca do reerguimento 
Duas agremiações com tanta tradição no futebol não podem ficar de fora dos holofotes por tanto tempo. No mínimo, ter alguma divisão nacional e disputar a elite do estadual é o que a história dessas equipes merecem. Para isso, o primeiro passo é sair da segunda divisão do Campeonato Carioca.
Com boas campanhas nesta temporada, os times estarão frente a frente para definir um finalista do primeiro turno. Goytacaz e Americano se enfrentam às 19h desta quarta-feira, no Aryzão, em Campos dos Goytacazes, pela semifinal da Taça Santos Dumont. Por ter terminado em primeiro no Grupo B, o Goyta terá a vantagem do empate.
A última vez que o Cano esteve na elite foi em 2012, enquanto o Goyta disputou pela última vez no longínquo ano de 1992.
Fontes: Globo Esporte, FutRio, Revista Z

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