Ceará 3×3 Fortaleza: 34ºC, chuva de gols e um PV abarrotado

Um confronto de tirar o fôlego

Comissão técnica refresca os jogadores do calor de 34 graus com água da mangueira (Foto: Agênica Diário)
Por: Honorato Vieira, CE

Há 16 anos, Ceará e Fortaleza protagonizaram um dos clássicos mais lembrados pelos torcedores, pelo Campeonato Brasileiro da Série B. Com o Castelão em reformas, o duelo mais importante do estado foi realizado no Estádio Presidente Vargas, na saudosa Gentilândia. Durante a semana pré-jogo o assunto mais falado era a questão da segurança. Com muitas ameaças das torcidas dos dois lados um aparato digno de guerra foi montado aos redores do PV.

Por questões de segurança, os torcedores e jogadores tiveram que enfrentar um sol escaldante e passar 90 minutos em um calor de 34 graus. A comissão técnica do Ceará até providenciou uma mangueira para jogar água nos atletas durante a partida. Tanto alvinegros como tricolores também foram agraciados com a santa água na ‘quentura’ da capital cearense.

Diferentemente do que foi plantado durante a semana antes do jogo, o Clássico-Rei, naquele dia, foi a partida da paz. Sem violência e com solidariedade, os torcedores se espremiam nas arquibancadas de cimento e abanavam quem passava mal por causa do calor.

Para amenizar o calor uma chuva de gols

Dois dos melhores elencos que já passaram pelo futebol alencarino foram os plantéis de 2001. O Ceará era comandado por Mota e Iarley enquanto o Fortaleza tinha Finazzi e Clodoaldo. Além de uma linha de frente potente, a linha defensiva das equipes eram de se elogiar. No Leão, Ronaldo Angelim era o xerife tricolor e no Vovô quem mandava era Marcelo Lopes.

As equipes, o estádio, os uniformes e tudo que rondava o jogo era moralizador. Coube aos jogadores colocarem os seus nomes na história do clássico e eles conseguiram.

Um primeiro tempo truncado, brigado e sem grandes emoções deixaram os torcedores apreensivos. O Ceará desperdiçou duas oportunidades, uma com o Mota e outra com o Iarley, o Fortaleza teve a oportunidade de marcar quando Allan tirou a bola debaixo da trave em um chute do atacante leonino Finazzi.

Mota comemora gol com torcida alvinegra. Finnazi comemora gol com mensagem religiosa (Foto: Agência Diário)
Mota comemora gol com torcida alvinegra. Finnazi comemora gol com mensagem religiosa
(Foto: Agência Diário)

O espetáculo ficou para o segundo tempo. Aos 12 minutos da etapa final, Finazzi abriu o placar para o Fortaleza em falha de Garrinchinha. Claudinho tomou a bola do atleta alvinegro, que lançou o atacante tricolor na cara do gol e ele não desperdiçou, 1 a0.

Outro protagonista da partida, Mota, empatou para o Ceará. Em jogada de Garrinchinha, aos 15 minutos, o centroavante alvinegro fez o tento que igualou o marcador, 1 a 1.

Aos 32 minutos, o meia Tiaguinho lançou a bola para Mota que, mais uma vez, marcou para o Ceará e virou o placar, 2 a 1. Sem deixar a torcida alvinegra comemorar, o atacante Finazzi revida e empata de novo o jogo em 2 a 2.

O êxtase e a emoção já tomavam conta do estádio tanto que o calor não era mais nem lembrado. As duas equipes atacavam insistentemente em busca da vitória, mas paravam nos ótimos goleiros: Maizena, pelo Fortaleza, e Ricardo, pelo Ceará.

O duelo já chegava em sua reta final, os jogadores estavam extenuados, mas as torcidas não paravam de cantar, era a força necessária para que os atletas protagonizassem os minutos finais mais empolgantes de um Clássico-Rei.

Aos 38 minutos, Finazzi lançou a bola, sem ângulo, para Reginaldo que vira o placar para o Leão, 3 a 2. A torcida do Ceará sentiu o baque, os jogadores também, mas ainda havia tempo para mais emoção. O Vozão teve a chance de empatar nos pés do lateral-direito Hilton, mas ele desperdiçou o pênalti aos 42 minutos da segunda etapa. Parecia o fim do confronto e mais uma vitória do Fortaleza na Série B. Só parecia.  Aos 44 minutos, Jairo Lenzi empatou tudo no PV. Em uma bola alçada na área, o atacante não desperdiçou e igualou o marcador, 3 a 3. O Fortaleza ainda teve uma chance no último minuto do jogo, aos 49 minutos, quando o zagueiro Ariomar em uma bola lançada dentro da área do Vovô chutou por cima da trave. Mas a partida acabou mesmo em 3 a 3, no Estádio Presidente Vargas.

Até hoje, o jogo é lembrado como um dos mais empolgantes e qualificados tanto por alvinegros como por tricolores. Ao final da temporada nenhuma das equipes conquistou o acesso para a Série A, por pouco, mas são esquadrões lembrados como muito carinho pelos torcedores.

 

Confira a ficha técnica

Ceará: Ricardo; Hilton, Alan, João Lima e Marcelo Lopes; Garrinchinha (Jairo Lenzi), Wendell (Otoniel) e Edinho (Thiaguinho); Iarley e Mota. Técnico: Luís Carlos Cruz

Fortaleza: Maizena; Ariomar, Mario César, Ronaldo Angelim (Luciano) e Moisés (Chiquinho); Erandir, Dude, Claudinho e Reginaldo; Finazzi e Clodoaldo (Mazinho). Técnico: Ferdinando Teixeira

 

 

Fontes: Futebol CearenseArena 303Globo Esporte

3 Comentários em Ceará 3×3 Fortaleza: 34ºC, chuva de gols e um PV abarrotado

  1. Absurdo na hora dos gols do alvinegro fica sem áudio respeitem nós torcedores do Ceará,por isso que esse futebol não sai da mesmice,um na segunda,e outro na terceira.

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