Ceará: da terra arrasada ao título, o campeão voltou

Ceará volta a ser campeão estadual depois de três anos de jejum

"Ceará levanta a taça de campeão depois de muito sofrimento" (Foto: Tatiana Fortes/ Jornal O Povo/Reprodução)
"Ceará levanta a taça de campeão depois de muito sofrimento" (Foto: Tatiana Fortes/ Jornal O Povo/Reprodução)
Por: Victor Portto, CE

O Ceará iniciou o ano de 2017 com muita desconfiança por parte da sua própria torcida que não confiava muito no elenco que estava sendo montado. O clube vinha de um ano de 2016 muito ruim em termos de competições, não havia a Copa do Nordeste como alavanca financeira neste semestre para o clube e a relação de confiança dos torcedores com a direção estava bem desgastada. Resumindo, o cenário parecia de terra arrasada no início do Campeonato Cearense de 2017.

A chegada do técnico Gilmar Dal Pozzo foi a primeira medida para tentar mudar um pouco o perfil do planejamento da temporada anterior. Chegava um treinador que tem uma concepção de futebol bem moderna, adepto do estilo Tite de enxergar o futebol e que buscava a afirmação por outro clube sem ser a Chapecoense (onde obteve maior destaque). Entretanto, nas primeiras rodadas do campeonato estadual o time não exibia um padrão tático nem atuações convincentes, sempre ganhando ou empatando, mas de forma muito dura ou sofrida. O elenco também já começava a ser questionado pela torcida, e a eliminação na Copa do Brasil, na 1ª fase, foi a gota d’água para alguns torcedores hostilizarem Gilmar e os atletas. Tal episódio serviu como pretexto para o acerto da rescisão de contrato entre o comandante e o time do Vovô.

Em fevereiro o Campeonato Cearense mal tinha começado e o Ceará já trocava de técnico, saía Gilmar Dal Pozzo e em seu lugar chegava o experiente Givanildo de Oliveira. Tal troca fez bem ao elenco (que assimilou melhor as ideias de jogo do substituto) e a confiança da torcida em ver um treinador mais experiente e consagrado na sua área técnica. Apesar do time possuir algumas carências, Giva conseguiu trazer um padrão tático e acertar principalmente a defesa da equipe. Na primeira fase da competição, o Vovô se classificou depois de 9 jogos em primeiro lugar com 6 vitórias, 2 empates e 1 derrota (para o Fortaleza, maior rival) e com apenas 12 gols feitos e 5 sofridos. Magno Alves (no alto dos seus 41 anos) e Richardson eram os poucos destaques ofensivos do alvinegro e na defesa a cria da base Raul e o “paredão” Éverson seguravam as pontas lá atrás.

"Avisa aí que eu vou arrumar o time." (Foto: Julio Caesar/Jornal O POVO/Reprodução)
“Avisa aí que eu vou arrumar o time.” (Foto: Julio Caesar/Jornal O POVO/Reprodução)

Viria em seguida as quartas de final contra o vice-campeão do campeonato em 2016, a equipe do Uniclinic, último classificado da primeira fase. Foram dois jogos tranquilos, vitórias por 3 a 1 na ida e 4 a 1 na volta, com grande participação de Magno Alves nos confrontos (4 gols nos dois jogos) e o início do crescimento do Vozão na competição. Aqui a desconfiança da torcida ainda era maior que a fé no elenco, mas de maneira simples o time foi ganhando uma estrutura e uma forma de jogar típica do mestre Givanildo (sem muita invenção tática e equilibrando os setores da equipe).

A semifinal foi contra a equipe do Guarani de Juazeiro, sendo decidida em 3 jogos devido ao regulamento esdrúxulo do Campeonato Cearense. A primeira partida foi um 0 a 0 morno em Juazeiro, marcado pela péssima performance das duas equipes. Foi realmente difícil de assistir. No segundo jogo, o Ceará conseguiu uma vitória por 2 a 0 com gols de Magno Alves (sempre ele) e Lelê, levando a vantagem do empate para a próxima peleja. Na última partida, o Vovô só administrou o resultado, fez 1 a 0 com Alex Amado para garantir a vaga e se mostrou um time mais cascudo e encorpado para chegar a final.

Na final, um velho conhecido da torcida alvinegra viria pela frente, a surpresa da competição: o Ferroviário. O Ferrão eliminara na semifinal o Fortaleza e chegava embalado, depois de 19 anos, à finalíssima do Campeonato Cearense. E buscava acabar com o jejum de títulos que perdura desde 1995. No primeiro jogo, vitória de 1 a 0 do Vozão com gol de Wallace Pernambucano e um amplo domínio por parte do Ceará. Já no segundo, novamente Wallace e Raul (fazendo seu primeiro gol como profissional) fizeram a torcida explodir em alegria e o clube conquistar o seu 44º título de Campeão Cearense.

"Wallace vindo do banco para se consagrar na reta final" (Foto: Reprodução/Mateus Dantas/Jornal O Povo)
“Wallace vindo do banco para se consagrar na reta final” (Foto: Reprodução/Mateus Dantas/Jornal O Povo)

O Ceará sai da competição bastante fortalecido não só com o título, mas uma ideia de jogo mais clara e a percepção de quais setores precisa reforçar para a longa disputa da Série B. O atacante Magno Alves, o goleiro Éverson, o zagueiro Luiz Otávio e o volante Raul receberam premiações individuais e saem como os maiores destaques da equipe alvinegra. O Ferroviário termina como grande destaque do campeonato e busca o seu reerguimento com as classificações para a Copa do Nordeste e a Série D do ano que vem. Já o Fortaleza se insere em uma grave crise política, financeira e técnica na sua estrutura, pois o clube perdeu o presidente, o treinador Marquinhos Santos, alguns jogadores por atrasos de salários e tem o trauma da Série C para encarar no decorrer do ano tentando salvá-lo.

Fontes: Globo.com e Jornal O Povo.

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