Central Sport Club: a resistência do interior pernambucano

Um dos maiores times do interior do estado de Pernambuco, o Central Sport Club foi fundado no dia 15 de junho de 1919, na Sociedade Musical Comercial Caruaruense. O nome do clube foi sugerido pelo Sr. Severino Bezerra e foi uma homenagem à Estrada Central de Ferro de Pernambuco, denominação que os ingleses da Great Western deram a ferrovia que cortava Caruaru na direção do Sertão.

A primeira diretoria do Central contava com: José Faustino Vila Nova (Presidente), João Batista de Oliveira (Vice-Presidente), Severino de Sales Tiné (Primeiro Secretário), Arlindo de Vasconcelos Limeira (Segundo Secretário), Artur Leandro Sales (Tesoureiro), Ângelo Emídio de Lira (Vice-Tesoureiro), Francisco Porto de Oliveira (Orador) e Severino José Bezerra (Diretor de Esportes).

No início, a equipe centralina disputava apenas partidas amadoras, mas mesmo assim revelou jogadores que fizeram nome no estado de Pernambuco, como Machadinho, Zuza, Teonilo, Pedro, Rochura, Joaquim, Alemão e Tutu. A primeira partida de destaque do clube foi em 1936, quando recebeu o Vasco da Gama. A partida acabou com vitória da equipe carioca por 1 a 0, entretanto, registros dão conta de que o árbitro anulou erroneamente o gol de empate do Central. Um ano depois do amistoso contra o Vasco, enfim, o Central era adicionado ao Campeonato Pernambucano, se tornando a primeira equipe do interior do estado a participar do estadual. Mas a passagem não durou muito. No mesmo ano, cansado dos erros de arbitragem, a diretoria decidiu retirar a equipe do torneio.

Para não ficar parado, o Central filiou-se à Liga Esportiva Caruaruense e venceu a mesma 9 vezes (1942, 1943, 1944, 1945, 1948, 1951, 1952,1953 e 1958). Em 1951, o Central conseguiu um feito histórico, venceu a equipe do Jocaru pelo placar de 23 a 0, o meia Milton foi o artilheiro do jogo com 11 gols, o resultado é o maior placar do futebol pernambucano, mas, por se tratar da Liga Caruaruense, não é contabilizado como partida oficial e assim o registro de maior goleada do estado fica por conta do Náutico, quando fez 21 a 3 no Flamengo de Recife. O final da década de 1950 é marcado pelas obras de construção do Estádio Pedro Victor de Albuquerque.

Vinte e três anos após se retirar do estadual, o Central voltou a disputar o campeonato depois de um grande apoio do presidente da Liga Desportiva Caruarense, Gercino Pereira Tabosa e do presidente da FPF, Rubem Moreira da Silva. Logo o time se transformou na quarta força de pernambucano, sendo o destaque do interior.

Em 1964, comandado por Vadinho, de um dos seus maiores craques, o Central fez um estadual memorável,  sobretudo no primeiro turno, quando a equipe alvinegra teve apenas uma derrota em Recife para o campeão, Náutico. Naquela edição, terminou na terceira colocação, até então, o melhor resultado de um time do interior de Pernambuco na história.

Time base do Central em 1964.
Time base do Central em 1964 (Foto: Divulgação/Site Oficial Central SC)

O ano de 1972 marcava a estréia da patativa em competições nacionais. A Taça de Prata do Campeonato Brasileiro, onde terminou empatado na segunda posição do grupo com o Itabaiana e não se classificando para a fase final devido aos critérios de desempate. No fim da década de 70, o estádio Pedro Victor passaria por uma ampliação, a grande reforma foi concluída em 1980, e o estádio passou a se chamar Lacerdão, como uma homenagem ao esforço de Luiz José de Lacerda idealizador e nome fundamental para a ampliação do Estádio. O jogo inaugural foi marcado no dia 19 de outubro do mesmo ano, o Central venceu a Seleção Nigeriana de Futebol por 3 a 1. Gil Mineiro, jogador do Central, marcou o 1º gol após a reconstrução. Ainda na década de 80, o Central passou a disputar ponto a ponto o campeonato estadual contra Sport Santa e Náutico. Infelizmente, a equipe não conseguiu conquistar o título estadual.

A maior glória

O ano de 1986 seria mágico para os centralinos. Após terminar em 3º no campeonato estadual, o Central iria disputar a sétima edição do Torneio Paralelo, campeonato organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) disputado por 36 equipes divididas em 4 grupos. Em uma disputa emocionante com o Americano, o Central vence o Grupo F da Série B do Nacional, conseguindo acesso imediato à fase final do certame, a Série A ao lado de Flamengo, Grêmio, Fluminense, dentre outros. Como os vencedores de cada grupo subiram diretamente para a segunda fase da Série A, não havendo uma fase final, o Central divide o título da Série B de 1986 com Treze, Inter de Limeira e Criciúma, se tornando assim, o primeiro campeão nacional no estado de Pernambuco. Neste mesmo ano, no dia 22 de outubro, ocorreu o maior recorde de público da história do interior de Pernambuco: 24.450 pessoas foram assistir a vitória do Central por 2 a 1 contra o Flamengo.

Equipe inesquecível do Central, campeã da Série B de 1986.
Equipe inesquecível do Central, campeã da Série B de 1986 (Foto: Divulgação)

Chance de acesso para a Série A e a decadência

Após 1986, o Central continuou fazendo boas campanhas na segunda divisão nacional. Foi então que, em 1995, surgiu nova oportunidade de acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Após campanha brilhante, o Central chegou a fase final do campeonato junto com o Atlético Paranaense, Coritiba e Mogi Mirim. Em um dos mais disputados quadrangulares ocorridos na Série B, ascenderam o Atlético Paranaense e o Coritiba frustrando o sonho alvinegro patativa de retornar à primeira divisão. Alguns torcedores do Central dizem que o goleiro da equipe teria se vendido no quadrangular final, pois o Central tinha apresentado uma defesa muito estável até então e ao chegar na fase final, tomou 17 gols em 6 jogos. A história nunca foi confirmada por ninguém, mas a tese é aceita por boa parte dos torcedores alvinegros.

Infelizmente, o final da década de 90 foi marcada por uma série de administrações desastrosas que culminaram com o rebaixamento da equipe tanto da primeira divisão do estadual quanto da Série “B” do Campeonato Brasileiro. Em 1999, a equipe conseguiu retornar a elite do futebol pernambucano, entretanto, a queda para a Série C foi tão grande e dolorida, que desde então a equipe não conseguiu mais destaque nacional.

A reconstrução

Os anos 2000 marcam uma reconstrução da equipe, em 2001, vence a Copa Pernambuco. Em 2002, vence a Copa Governador Jarbas Vasconcelos torneio batizado carinhosamente de “pernambuquinho”. Em 2007, a equipe consegue a melhor colocação no estadual, terminando o estadual em segundo colocado com 32 pontos conquistados, 17 a menos que o campeão Sport. Voltou a disputar a Copa do Brasil, em 2008, onde eliminou o Remo-PA e acabou caindo diante do Palmeiras. Em 2009, a equipe eliminou o Ceará e caiu diante do Vasco, reeditando o confronto que aconteceu há mais de 74 anos.

Em 2011, torna-se o primeiro clube do interior na História, a vencer um turno do Campeonato Pernambucano. 4 anos depois, em 2015, a Patativa repetiu o feito da conquista do turno, ao vencer a Taça Governador Eduardo Campos, o Primeiro Turno do Campeonato Pernambucano. Atualmente, o Central disputa está disputando a Série D do Campeonato Brasileiro e a torcida espera que esse ano a equipe consiga voltar para a terceira divisão e, a partir daí, começar uma escalada para as principais divisões nacionais

 

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Escudos do Central Sport Club (Foto: Divulgação)

Rivalidade

Olhando para a história, o Central sempre rivalizou com os times da capital, mas, nos últimos, com o surgimento do Porto, a Patativa tem o Gavião como seu maior rival, afinal, são da mesma cidade e normalmente fazem jogos pegados e que são conhecidos como Clássico Matuto. Nos últimos anos, o Central vem apresentando uma superioridade frente ao rival. Neste ano, por exemplo, o Central conseguiu a classificação para o hexagonal final do Pernambucano após aplicar um 3 a 1 no Tricolor Caruaruense.

Principais títulos

Campeonato Brasileiro Série B – 1986
Taça Governador Eduardo Campos: 2015
Copa Governador Jarbas Vasconcelos: 2002
Copa Pernambuco: 2001

 

Texto: Guilherme Batista

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