Christian: de Deus Negro colorado a Jesus gremista

Centroavante conseguiu o feito raríssimo de ser ídolo tanto no Grêmio quanto no Inter

Foto: reprodução/ZH

Christian Corrêa Dionísio, conhecido popularmente como Deus Negro e Jesus Christian. Nego Christian, outra de suas alcunhas, foi mais um que se envolveu em caso polêmico de jogadores que passam por equipes rivais, mas assim como o baixinho moralizador, Romário, Christian, o salvador colorado e também gremista, conseguiu o respeito e admiração mútua das duas torcidas.

Gaúcho de Porto Alegre, Christian começou a carreira nas categorias de base colorada. Estreou no ano de 1989, ficou no clube até 1992, mas não teve destaque na sua primeira passagem pelo clube. Do Inter com destino para Portugal, lá o centroavante jogou por Marítimo, Estoril e Farense, mas não obteve muito sucesso. Acabou voltando para casa em 96 e começando um novo ciclo.

Em sua segunda passagem pelo Inter, teve grande destaque em 1997, onde ajudou uma equipe desacreditada rumo à conquista do campeonato gaúcho diante do maior rival, o Grêmio. Ainda naquela mesma temporada, Christian alcançou o feito de se tornar o maior artilheiro da história colorada em um campeonato brasileiro, marcando 23 gols e ficando atrás apenas de um dos maiores moralizadores da comunidade CL, Edworld. Christian também fez parte do histórico Grenal dos 5 a 2, onde marcou o primeiro da goleada do Internacional no Estádio Olímpico.

Christian foi o principal destaque do Internacional na temporada de 97/Foto: reprodução/Edison Viara
Christian foi o principal destaque do Internacional na temporada de 97 (Foto: Reprodução/Edison Viara)

As boas atuações pelo Inter levaram o Nego Christian até a Seleção Brasileira. Em 1999, fez parte do grupo campeão da Copa América. Com a valorização após participação no torneio com a seleção, acabou retornando para a Europa para jogar pelo Paris Saint-Germain, da França. Foi vendido por 10 milhões de Euros e na época foi a maior transferência do futebol francês. No PSG, teve desempenho razoável e acabou se transferindo para o Bordeaux. Da capital do vinho para o Palmeiras e do Palestra para a Turquia, onde defendeu as cores do Galatasaray.

Após sua passagem pela equipe turca, entraria em uma das grandes polêmicas da dupla Grenal. Era 2003 e o Deus Negro colorado acertava sua vinda para o rival Grêmio. Christian precisava superar toda a desconfiança que tinham os torcedores gremistas e conseguiu ao ser o responsável por salvar o time do rebaixamento.

Foi no Brasileiro de 2003 que ele passou a ser chamado como Jesus Christian. Se entregando de corpo e alma pelo time e algumas vezes entrando em campo com dores devido a lesões sofridas. Mas isso não era o suficiente para deixar de ajudar o Grêmio. Tanto esforço e dedicação para livrar o Grêmio do rebaixamento eram dignos de premiação. E não foi em vão, o ponto alto foi o Grenal no Estádio Beira-Rio, onde Christian marcou o gol que deu início a ressurreição do Grêmio no Campeonato Brasileiro.

Na época, devido ao gol no Grenal, o jogador arrumou problema com os pais, torcedores do Inter. “Eles são colorados doentes, e o meu pai não quis me atender. Depois de um dia tão importante para um filho, o normal seria ele me dar os parabéns. Mas ele não deu nem boa tarde”, disse Christian, ao ZH.

Aos 34 minutos do primeiro tempo, Jesus Christian marcava o gol que daria força para o Grêmio fugir do rebaixamento/ Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
Aos 34 minutos do primeiro tempo, Jesus Christian marcava o gol que daria força para o Grêmio fugir do rebaixamento/ Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Em 2004, foi o principal jogador do Grêmio montado pelo então presidente Flávio Obino. Ao lado de Cláudio Pitbull, foi um dos raros destaques do Grêmio que viria a ser novamente rebaixado.

Do Grêmio foi para o futebol do japonês. Após seis meses no exterior, voltou por empréstimo para o São Paulo e fez parte do elenco que conquistou o Mundial de Clubes daquele ano. Após sair da equipe paulista, teve passagens por Botafogo e Juventude, as quais foram curtíssimas. Em 2006 assinou com o Corinthians, onde teve um belo início, marcando cinco gols em cinco jogos. Porém, surgiu uma proposta do Internacional que mexeu com o centroavante corintiano.

Era o retorno ao Beira-Rio. Sua terceira passagem, mas para Christian, nada deu certo. Polêmicas com o então técnico na época Alexandre Gallo o afastaram. Com a saída do treinador, Abel Braga retornou, mas Christian já não queria ficar. Anos depois, o jogador assumiu que errou ao deixar o Corinthians. “Foi um erro de percurso, um grande erro de avaliação. Ainda tive a chance de voltar ao Corinthians em 2008, mas infelizmente a Portuguesa não liberou”, disse, em entrevista aos jornalistas Vagner Magalhães e Vanderlei Lima.

Após encerrar sua terceira passagem pelo colorado, passou pela Portuguesa, Pachuca, Monte Azul, Pelotas, clube o qual sequer estreou, e São Caetano. No final de 2010, se aposentava o Jesus, as dores no joelho, reflexo de antigas lesões o forçaram a se aposentar.

Hoje, Christian trabalha como empresário no ramo da construção civil e comércio de combustíveis e ainda encontra tempo para torcer pelo Internacional. “Senti o frio na barriga momentos antes dos jogos pelos dois lados, mas por ser colorado, por ter sido criado pelo Inter, agradeço ao Grêmio pela oportunidade, mas pelo Inter foi mais especial por ter sido o primeiro a me dar a oportunidade”.

Texto: Jean Costa (@_ojean)

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