CL Entrevista – Alê Oliveira, o Mito barra Monstro

Em conversa descontraída, o comentarista conta grandes histórias de sua carreira

Alê Oliveira (Foto: Reprodução/Na Telinha UOL)
Por: Larissa Coelho, SP

Irreverente, engraçado, humilde e polêmico. Alexandre Oliveira, ou Alê Mito barra Monstro, tem curtido o momento ápice de sua carreira decretando, toda sexta-feira, frases cômicas para o público aproveitar o final de semana no sofá do Bate Bola Debate. O que poucos sabem, é que ele iniciou no mundo esportivo jogando futsal. Aos 18 anos, virou técnico da modalidade em várias universidades, teve uma banda de samba chamada Beira de Calçada e chegou à ESPN nos anos 2000. Com exclusividade, ele nos concedeu essa entrevista descontraída e informal, contando a sua trajetória no mundo da bola e como que ele chegou até a CL: “Alguém me marcou e eu vi as fotos engraçadas […] Entrei em contato com o pessoal do Cenas, vi que eles começaram a postar os vídeos e ficou muito legal essa relação”. Além disso, revelou como monta os decretos, o que mais marcou sua vida, disse se concorda com a teoria do Agachado Decide e desabafou um episódio que o deixou muito chateado.  Confira, na íntegra, a conversa que tivemos com o Alê:

Cenas Lamentáveis: Vamos começar essa entrevista de um jeito diferente. O que você nunca falou numa entrevista e gostaria de responder agora?
Alê Oliveira: Acho que nunca me perguntaram sobre a minha família, sobre a relação que eu tenho com a Dona Encrenca e a Dona Encrenquinha (filha). Porque, na verdade, essas loucuras que eu falo no programa tem muito a ver com o meu passado, mas foi graças a relação que eu tenho, hoje, com a minha esposa e que tenho com a minha filha depois do nascimento dela, é que eu virei uma pessoa normal, uma pessoa mais do bem. Então, o que sempre me perguntam é do meu lado vida louca, o que eu brinco muito e tal, mas sempre mais com menção ao meu passado, né?! Hoje em dia, eu sou mais tranquilo e tenho uma vida dedicada à minha família, mais em função da Dona Encrenca e da Encrenquinha.


Cenas Lamentáveis: Quem é o Alexandre Oliveira? Que dia você nasceu? Em qual cidade? Como foi a sua infância? Você era um bom aluno ou era da galera do fundão?
Alê Oliveira: Galera do fundão, certeza absoluta! Tenho 43 anos, nasci no dia 26 de maio de 1973, sou daqui de São Paulo mesmo. Minha infância toda foi jogando bola, na escola e em clube. Comecei a jogar bola em clube muito jovem. Eu tinha 8 anos quando me federei pela primeira vez no futsal e ia mais para a escola pra jogar bola… E depois de um tempo, também, pra ver se eu conseguia um beijo aqui e outro ali…


Cenas Lamentáveis: Então você era bagunceiro?
Alê Oliveira: Ahhh, sempre da turma do fundão.


Cenas Lamentáveis: Tirava nota boa ou ficava ali na média 5?
Alê Oliveira: Acho que eu tirava umas notas boas, mas não era muito de ficar quietinho na aula, ficava mais no fundão mesmo.


Cenas Lamentáveis: Você foi atleta de futsal, jogou pela categoria de base do Palmeiras e da Portuguesa, jogou, também, pelo São Paulo, Santos e Ribeirão Pires como profissional, virou treinador aos 18 anos e, desde os 26, seguiu como técnico da modalidade nas universidades. Conta pra gente quando surgiu essa sua paixão pelo futsal e como pintou o convite para treinar os universitários?
Alê Oliveira: Essa história é curiosa. Eu comecei a jogar bola muito jovem, né?! Muito criança ainda, e aí eu comecei a tentar levar junto o futebol e o futsal. O futsal, na minha época, pagava melhor que o futebol. Muita gente jogava futsal pra poder bancar o futebol, de condução, de comida, de chuteira e tal… E eu fui assim durante um bom tempo na minha vida, jogando futebol e futsal. Com mais ou menos 16 pra 17 anos, antes da minha primeira Copa São Paulo Júnior, recebi uma proposta muito boa pra jogar só futsal, eu jogava futebol e futsal no Palmeiras, e aí eu fui pra um time em Água Branca, que era um time que investia mais no futsal naquela ocasião, e como de 16 pra 17 anos todo mundo já estava fazendo tudo e eu ficava só jogando e treinando, vi a oportunidade te der uma vida social mais intensa e tal, com menos sacrifício, abandonei o futebol e fiquei só no futsal e, a partir dalí, minha vida foi toda em função do futsal. Foi por causa do futsal que eu fiz Educação Física na faculdade, e aí é curioso porque, com 18 anos, quando eu entrei na faculdade de Educação Física, eu tava saindo do juvenil para o profissional lá da GM, que foi meu primeiro time profissional de futsal, com 18 anos, assumi o Direito da USP, a Faculdade do Largo de São Francisco. Então, eu era o treinador do time, mas também era o mais novo, porque a maioria do pessoal tava no segundo, no terceiro e último ano, e eu tinha 18 anos, tava entrando na faculdade.

Alê quando começou no futebol (Foto: Arquivo Pessoal)
Alê quando começou no futebol. Quem é ele na foto? DESCUBRA (Foto: Arquivo Pessoal)


Cenas Lamentáveis: Os caras te respeitavam quando você falava?
Alê Oliveira: Ah, no começo foi meio esquisito. Eu tinha muita experiência porque já estava no adulto da GM, experiência de jogador… Aí, eu fui moldando as minhas características como técnico ainda como jogador, porque eu joguei bola como profissional até os 26 anos, então, dos 18 aos 26, eu já era treinador de um montão de faculdade, nunca deixando nenhuma, sempre acumulando… Dos 18 aos 26, eu era jogador profissional e treinador universitário de muitas faculdades. Fui acumulando, experiência, fui trocando… Eu era treinador de futebol e de futsal… Então, fui moldando minha carreira de treinador aprendendo, errando, acertando… E aí, a minha vida foi seguindo assim, treinador e jogador. Quando tava no meio de 99, o time que eu tava jogando, que foi o meu último time profissional futsal, o Ribeirão Pires, encerrou as atividades. Eu tinha que procurar um time pra jogar… Fui lá conversar com algumas equipes e tal, só que o Ribeirão deixava eu treinar só três vezes na semana pra eu poder dar treino nos outros dias, e aí eu treinava separado… Quando eu fui pra ir para outros times, os caras falaram “Ou você treina um time toda noite ou treina dois períodos”… Nenhum time deixou eu treinar três vezes. Falei “E agora? Paro com a carreira de treinador e continuo jogando ou paro de jogar?” Pensei, bom… Não vou deixar as universidades na mão, já que os principais Intercursos eram no segundo semestre de 99, aí falei, vou dar uma parada no futsal só esse fim de ano, depois eu volto… Dei uma parada, fiquei só com as faculdades. Quando começou 2000, surgiu a proposta de um teste pra comentar futsal na ESPN o campeonato que eu disputava, então, como eu já era treinador faz tempo e tinha acabado de jogar o campeonato que eu ia comentar, então tava muito vivo na minha cabeça o futsal… Aí, em 2000, eu comecei a carreira de comentarista e fiquei no futsal até 2008, só fazendo futsal, e continuei sendo treinador, ficando até 2014. Fiquei 23 anos na AGV, 23 anos na São Francisco, 15 na FAAP, 10 na Medicina Santo Amaro, 5 na UNIP, na Hebraica que fiquei menos tempo porque fiz muita besteira lá, então foram só 3 anos (risos).


Cenas Lamentáveis: O que você acha dos jogadores de futsal que querem jogar no campo? Tem muito atleta que tenta ir pro futebol e não consegue, como o Falcão e Manoel Tobias, mas outros conseguiram, como o Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Neymar e Elias? Você que foi técnico, o que pensa sobre essa tentativa? Por quê dá certo pra uns e pra outros não? É questão de talento?
Alê Oliveira: Não, eu acho que aí é do tempo mesmo, que você faz essa passagem do salão pro campo. Teve um projeto, inclusive no Santos, que é muito legal, na época em que o Santos foi campeão da Copa do Brasil Sub-20 e bicampeão da Copa São Paulo, eles faziam um esquema assim: Categoria Sub-13, você treina três dias no futsal e um no campo a mesma molecada; Sub-15, três dias no futsal e duas vezes no campo; Sub-17, quatro vezes no campo e uma vez no futsal o mesmo grupo e no Sub-20, você treina só o campo e, eventualmente, você traz alguns jogadores pra treinar o futsal porque ele tá voltando de lesão e tal… Então, se você não fizer essa passagem do salão pro campo ainda na base com cuidado, aí você pode se perder. No caso do Manoel e do Falcão, foram jogadores que foram pro campo já no profissional, então a adaptação é muito mais difícil. No caso dos nomes que você citou, Ronaldinho Fenômeno, Gaúcho, o Adriano, Robinho, Neymar, Felipe… De grandes craques que a gente teve, eles fizeram essa passagem mais precoce ainda na base… Se isso acontecer, não tenho dúvida nenhuma que o salão pode ser um celeiro de bons jogadores pro futebol de campo, tanto que o que se tem, hoje não é mais novidade, não é mais moderno, mas o salto de alguns dos principais clubes da Europa, foi usar muito da metodologia do futsal no treino do campo. O Barcelona foi pioneiro nisso e eu tenho colegas que jogam no Barcelona, no futsal, desde muito tempo, desde o início da era Guardiola, o pessoal do futebol do Barcelona fazia sessões de treino com o time principal de futsal do clube, então assim, se essa transição for feita na base e for cuidadosa, não tenho dúvida nenhuma que o futsal possa abastecer ainda mais o futebol. Isso não acontece, por incrível que pareça, porque existe uma rivalidade muito grande entre as modalidades. O cara que tem um menino talentoso no futsal, ele tenta esconder do futebol, porque se ele chegar no futebol, a primeira coisa que o diretor do futebol faz é proibi-lo de jogar futsal. Não tem diálogo. O cara do futsal não quer ceder e o cara do futebol não quer devolver… Então, se tiver um trabalho mais cuidadoso, eu acho que o futsal pode abastecer muito o futebol.


Cenas Lamentáveis:
No futsal também tem aquele jogador que cai na balada, vai pro jogo de ressaca e resolve?
Alê Oliveira: Na minha época tinha muito. Hoje em dia, tem uma pegada mais profissional. Acho que é muito mais fácil o cara do futsal, porque como tem uma mídia muito menor, o cara pode sair e ninguém conhecer o cara. Na minha época, isso acontecia muito, e o jogo, também, na minha época, era menos físico. Hoje, o futsal e o futebol são muito parte física. Há um tempo atrás, quando eu jogava ali, 15/20 anos, o jogo era mais técnico, no futebol e no futsal… Hoje, é mais físico. Então, o cara precisa mais do físico do que a parte da técnica, ele tem que se cuidar mais… Na minha época, o couro comia.


Cenas Lamentáveis: Quando você jogava bola, você integrava um grupo de samba, o Beira de Calçada. Era um hobby ou você levou a sério essa banda? O que vocês costumavam tocar nessa época?
Alê Oliveira: Isso aí é curioso porque a gente começou a criar na cabeça a ideia do grupo, porque a gente viajava muito com o futsal, ia jogar no interior de São Paulo, tudo viagem de ônibus. A gente tinha uma seleção paulista de futsal que disputava os campeonatos brasileiros universitários, que era o Jubis, e a gente teve um grupo que ficou junto uns cinco anos, porque a gente era federado, né?! Era profissional e fazia faculdade. A gente formou um grupo bem legal, bem unido, e aí a gente viajava para os jogos… Era tipo uma olimpíada universitária. “Ah, vai ser em Brasília”, “Vai ser em BH”, “Vai ser não sei aonde”, a gente ia tocando no ônibus, nos jogos, a gente fechava um boteco e ia tocar, e aí, a gente “Pô, vamos fazer um grupo e tocar nos bares”. Aí, a gente montou o Beira de Calçada com o objetivo único de beber e tentar pegar alguém…

Alê com o grupo Beira de Calçada (Foto: Reprodução/Twitter/Ale_ESPN)
Alê com o grupo Beira de Calçada (Foto: Reprodução/Twitter/@ale_espn)


Cenas Lamentáveis: E conseguiu?
Alê Oliveira: Ah… Deu pra fazer uma bagunça, mas o grupo brigava muito porque tinha uma parte, dois caras, que começaram a querer viver da música, que eram os caras mais sérios, que nem jogavam futsal… E aí, eles queriam os seguinte… Quando a gente ia nos bares, eles queriam que os caras dessem cachê em dinheiro, e a parte vagabunda queria bebida…


Cenas Lamentáveis: Se pagasse com bebida tava tudo certo, mas os outros queriam o dinheiro (risos)…
Alê Oliveira: Tanto que, duas vezes, a gente fez o que eles queriam… A gente falava que eles eram os nerds do grupo… Só que a gente pegou o cachê e gastou mais do que o dobro… Aí falou “Assim não dá”, começou a briga e tal, mas o Beira de Calçada ajudou muito a acabar com a minha carreira de atleta de futsal (risos).


Cenas Lamentáveis: Você acredita que os anos 90 os jogadores tinham mais personalidade, davam entrevistas mais interessantes? Porque, hoje, tem rede social e eles não podem falar muito por conta de assessor e empresário…
Alê Oliveira: Ah, não tenha dúvida… O mundo mudou muito… Nos anos 90, não tinha treinador do que você ia falar, o cara ia lá e falava. Hoje em dia, o cara é treinado pra não falar nada, pra não se comprometer. Naquela época, o cara dava entrevista e depois pensava no que tinha falado… E fora que eu acho, também, que os caras eram, tecnicamente, mais ricos e se garantiam mais… Então, a entrevista tinha muito mais graça, muito mais conteúdo do que hoje… Hoje, você tem certeza absoluta que o cara não vai falar nada, vai ser só pra você ver o cara…


Cenas Lamentáveis: Só pra ouvir o que o assessor mandou falar…
Alê Oliveira: Só isso… Se você colocar a entrevista do cara no mute, você sabe o que ele falou. Então, perdeu muito do valor…


Cenas Lamentáveis: Você acha que um dia conseguiremos voltar com os bandeirões, sinalizadores, cerveja nos estádios? E sobre os “estádios gourmet”, essa coisa de arena, assistir jogo sentado… Pra você, o futebol perdeu um pouco da essência com essas mudanças?
Alê Oliveira: Eu aprendi a gostar do futebol por causa da atmosfera da arquibancada, né?! Eu lembro que o meu pai me levava nos jogos e eu nem via o jogo… Eu ia pra ver se ele me comprava um picolé, uma pipoca e pra ver a torcida, a guerra das torcidas, no bom sentido, a disputa pra ver quem pegava mais gomo do Morumbi… Eu cresci com essa atmosfera sedutora… Só que a gente está vivendo um momento que é muito fanatismo, muita loucura, de caras que querem brigar por qualquer coisa e aí, assim… É difícil imaginar que consiga melhorar essa situação. Eu consigo brincar que o ser humano deu errado, né?! Porque os caras vão lá e matam, batem numa pessoa que está com uma camisa diferente da tua… Eu não sou muito otimista com relação a volta dessa atmosfera que me fez amar o futebol porque eu acho que tem muito fanático e louco… Tem muita gente boa nas torcidas organizadas, mas tem muito cara que não presta e, normalmente, são esses caras que comandam as organizadas, então, minha perspectiva não é muito positiva com relação a esse retorno não.


Cenas Lamentáveis: Você está na ESPN desde 2000. Começou comentando sobre futsal e depois foi para o futebol. Como foi essa transição e o que mudou na sua carreira nesses dezesseis anos?
Alê Oliveira: Nossa, mudou muita coisa, porque no futsal a gente fazia uma média de um jogo por mês… Eu nem vinha pro estúdio. Os jogos eram na Federação Paulista de Futsal que fica ali, perto do Corinthians, e eu ia direto pra Federação… Então, eu nem vinha pra cá, nem conhecia as pessoas… Eu conhecia o meu mundo ali, do futsal, e trabalhava em função do futsal. Quando foi em dezembro de 2007, que me ligaram… Eu tava de férias na praia, me falaram: “Oh, Alê! Você pode fazer três jogos de futebol? Os três primeiros da Copa São Paulo de 2008?”… E eu falei “Eu posso fazer”… Eu era treinador de futebol, tinha jogado futebol na base, e já falava no microfone pelos jogos de futsal… E aí fiz os três primeiros jogos e acabei ficando o campeonato inteiro… E a partir dali, eu comecei a fazer alguns jogos de futebol. Só que, a transição pra mim, pra acontecer o que tá acontecendo, foi muito lento… Aqui, na ESPN, tem dois perfis, né?! O cara que é jornalista de carreira, de formação… E tem o ex-jogador, consagrado, ídolo, seleção e tal… Eu não sou jornalista e, nesse caso, também não sou ex-jogador. Costumo brincar que eu sou “a Maria do café”. O que eu fiz? Nos primeiros jogos de futebol, eu nem assistia campeonato europeu, nem nada… Minha vida inteira foi na quadra, no campo, treinando, dando treino, jogando… Eu nem assistia… Aí falei, bom… Quem são as referências do canal? PVC, Paulo Calçade… Eu vou tentar me espelhar nesses caras pra virar comentarista de futebol… Eu tava tendo ali as primeiras oportunidades… Estudava muita estatística, número, histórias, o jogador… Só que aquele não era eu! Até que chegou um ponto que, eu vendo um VT que eu fiz, eu falei pra minha esposa: “Não vou ser mais comentarista de futsal”… Ela: “Você vai sair da ESPN?”… Eu ganhava por evento… Eu: “Não, vou abrir mão do cachê por evento e vou fazer o que eu faço no meu dia a dia, dando treino para as faculdades, jogando bola, e vou ser mais natural, vou ser mais eu… Os caras não vão gostar e vão me mandar embora”… E foi nesse ponto que eu acho que começou a mudar na minha trajetória… Porque eu era uma cópia dos principais comentaristas do canal, um genérico bem maldito, que nem eu gostava… E aí, eu comecei a fazer o que eu fazia nos treinos, nos jogos das equipes que eu dirigia, e ali eu tinha um bom destaque, era um ambiente familiar, pra mim… Eu transformei o meu comentário com no que eu fazia ali no dia a dia, com a minha linguagem pro pessoal que eu dava treino… E ali, começou a ter um diferencial… No começo, um pouco mais tímido, depois com as próprias mudanças da ESPN com um pouco mais de espaço… Até que, hoje em dia, graças à Deus, sou exatamente da mesma forma que eu sou quando acende a luz vermelha, quando eu tô no ar, do que sou quando eu tô na minha vida… Foi uma evolução que demorou muito, mas que não tem preço pra mim. Hoje, eu tô no sofá do Bate Bola do mesmo jeito que eu tivesse com os caras tomando uma no boteco. E isso, pra mim, não tem preço.

 

Cenas Lamentáveis: A ESPN te dá liberdade para falar o que quer ou pede pra você dar uma segurada em alguma coisa? Porque você é muito brincalhão e pelo que pesquisei, você já levou várias suspensões por isso. Pode contar quais foram e por quais motivos você foi suspenso?
Alê Oliveira:  Isso acontecia mais no passado, mais na outra gestão… Nessa gestão, menos, bem menos… Todo dia, praticamente, eles falam: “Opa! Vai devagar” … Às vezes, eles nem viram o programa, nem viram nada do que eu falei, mas depois “Opa! Vai devagar” … Mas, no passado, exagerou… Por exemplo, a gente tinha um esquema pra Copa do Brasil em que a equipe viajava um dia antes pra onde era o local do jogo, e a gente entrava no Bate Bola da hora do almoço, dirigido pelo João Canalha (João Carlos Albuquerque)… E aí, era curioso assim… “Ah, o PVC vai comentar de Brasília”, aí o João Canalha chamava “O time tal chutou tantas vezes pro gols e tal”… “Mauro, como tá aí em Belo Horizonte?”, “Ah, tá assim e tal…”, “Alê, como tá aí em Aracaju?”, e tem um vídeo no YouTube que mostra isso aí… Era a minha primeira vez na Copa do Brasil que eu participava e no programa do João em função disso… Eu tava em Aracaju com um chapéu de sertanejo, com uma água de coco… “Ah, essa é uma homenagem ao povo sertanejo, aqui tá sauna sem eucalipto”, falando coisas assim… Até o Bertozzi tava no estúdio… A partir daí, em toda entrada, eu fazia uma graça. Fui pra Florianópolis na semana seguinte, e aí, entrei da Ressacada com um óculos escuro, cabelo solto e uma prancha de surfe, “Me chama de Alê Padaratz”… Na semana seguinte, fui pra uma cidadezinha do Nordeste que eu não me lembro exatamente… Aí, eu pedi pra produtora que tava comigo pra conseguir um jegue, pra fazer a entrada em cima do jegue… Pra resumir a história, eu não só não fiz a entrada, porque ela deve ter falado pra alguém, como foi o último jogo da Copa do Brasil em muito tempo… Então, acontecia algumas coisas nesse tipo, mas, mais no passado. Hoje em dia, eles dão liberdade, confiando que eu vou ser semilouco, não totalmente louco… É que é uma linha tênue… Então, eles falam “Se você tiver que ser louco, vai ser louco no Fala Sério, que dá pra editar, e no Bate Bola, você dá uma segurada” … E na medida do possível, a gente tenta levar esse acordo… Às vezes dá certo, às vezes dou uma escorregada. Eu tenho escorregado pouco.


Cenas Lamentáveis: Você disse que futebol e humor combinam, mas vários jornalistas e alguma parte do público acham que você força muito essa alegria durante as gravações e, para eles, isso não é jornalismo. Qual o seu posicionamento em relação a esse tipo de comentário? O bom jornalista é só aquele que dá a informação com seriedade?
Alê Oliveira: Isso é muito uma questão de gosto, é o público mesmo… Porque na minha cabeça é o seguinte… Não é ser humorista, não é ser engraçado, não é ser palhaço… A minha ideia é mostrar pra quem está em casa que eu tô feliz, que eu tô alegre, que tô contente de fazer o que tô fazendo… É a mais pura verdade. Eu trabalho numa emissora gigante, falo de futebol, num ambiente, no caso, o Bate Bola, que é super agradável, e eu quero entrar e permanecer na casa das pessoas. Pra isso, eu tenho que ser, minimamente, agradável. O que eu quero mostrar, no meu jeito de trabalhar, é que eu tô feliz de estar ali… Durante os programas, os jogos, acontecem algumas situações, em algumas circunstâncias que dá pra ter uma tirada ou outra, pra deixar o programa mais leve, e eu acabo fazendo… Mas o objetivo principal é falar de futebol com alegria. Agora, há quem pense que se você faz cara feia, faz cara fechada, você entende mais de bola do que quem fala de futebol sorrindo. Não concordo com isso e não vou concordar nunca! Tanto que eu fico chateado pelo seguinte… O cara “Alê, você não entende nada de futebol, não sabe nada de bola” … Beleza, é um direito que o cara tem. Agora, você não entende nada porque fala de futebol sorrindo, aí eu acho uma sacanagem… Então, quanto mais sisudo, quanto mais bravo o cara, entendedor ele é? Isso eu não concordo… Porque, pra mim, futebol é um ambiente tão familiar, sou tão íntimo do futebol que eu me permito brincar com ele. Como eu sou íntimo do Leo, íntimo do Jorge Nicola, íntimo do Bruno Vicari, como sou íntimo da Dona Encrenca, da minha filha, eu brinco com essas pessoas… E eu brinco com o futebol porque sou íntimo dele. A minha vida toda foi no futebol, não foi na redação, não foi no jornalismo… Respeito muito a opinião de todo mundo, tem uma parcela que não gosta, às vezes, até ofensiva nas redes sociais, mas graças à Deus, a maioria entende que pra falar de futebol, você pode falar com alegria.


Cenas Lamentáveis: Como você está lidando com esse sucesso todo do decreto do Bate Bola Debate? Você pesquisa as frases? São criações suas? Como você monta?
Alê Oliveira: O decreto virou um pouco de responsabilidade. Começou como uma brincadeira, bem sem querer, bem informal, e daí virou uma responsabilidade. Tem que tomar muito cuidado nas escolhas porque o pessoal fica meio ansioso. Eu já falei um montão de vezes, em todo lugar, e faço questão de repetir que a palavra decreto eu vi, pela primeira vez, no Cenas Lamentáveis, e eu sabia que era uma coisa, assim, vida louca e tal, mas eu nunca me aprofundei muito. Eu via as fotos, via as imagens e tal…


Cenas Lamentáveis: Como que você chegou na página da CL? Alguém te apresentou com algo “Olha isso aqui”, “Olha o que esses meninos fazem”?
Alê Oliveira: Acho que alguém me marcou, embora eu não fizesse o decreto de sexta-feira, eu sempre falava de sair, de beber, de que time que não bebe não ganha, quem faz gol beija na night e, em alguma marcação, eu fui lá procurar… Aí via as fotos muito engraçadas, mas não via muito o texto, não buscava muito… Eu sabia a ideia geral e a palavra que é muito forte.


Cenas Lamentáveis: Você lembra de uma que era o corpo do Denilson, o seu rosto, e os turcos lá atrás, que era a galera da ESPN no “Você, seu chefe e 18h”?
Alê Oliveira: Nessa daí eu já estava bem familiarizado com a página, já foi num segundo momento. Eu vi na página assim, o Edmundo dando bebida pra um macaco, e assim… Porque eu tinha aquela ideia de vida louca, e aí um dia sempre falava de “Ah, vou tomar”, “Vou quebrar”, “Vou pra um samba”, e até levei os caras do Bate Bola no samba que a gente faz churrasco, que a gente frequenta… Aí chegou numa quinta-feira e, no grupo, falei que não ia trabalhar. Eu estava doente, estava muito gripado, mesmo só que o ambiente do Bate Bola é tão bom que eu falei “Ah, meu, quer saber? Eu vou trabalhar”. Aí o Bruno, na hora que foi começar o programa, sempre dando os destaques ali que a gente fica brincando e tal, ele falou: “E aí, Alê? Você tá ruim? Tá gripado? Não vai poder quebrar esse fim de semana”… Ali eu não esperava que ele fosse perguntar… Aí disse “Gripe se cura com limão, jurubeba é pra azia. Do jeito que a coisa vai, o boteco do Arlindo vira drogaria”, que é uma música, um samba… Aí dei uma empolgada “Hoje eu não quero saber quem pintou a zebra de listrado e nem quem colocou chifre na cabeça do veado” (risos)… E aí, imediatamente no Twitter, nas redes sociais, a repercussão foi muito grande. Aí eu peguei meu celular, gravei da televisão e postei no Instagram, e o pessoal “Pô, que legal, que legal”… Eu falei,  bom…  Se a resposta foi bacana, toda sexta-feira eu vou trazer alguma coisa. No meu Instagram tem todas as sextas, acho que vai completar quatro meses. Tentava encaixar alguma música que falasse de balada e pegava uma frase dessas aí. Algumas eu tentava adaptar, outras já vinham prontas… Algumas eu já usava do meu vocabulário de jogo, e aí, começou um pouco mais tímido, e hoje em dia, eu recebo muita frase. Até na página do Mito eles mandam, procuro olhar mais nas respostas de vocês, se tem alguma coisa que dá pra pescar ou adaptar porque tem muita gente que manda muito pesado e não dá pra ir pro ar, mas, às vezes, você consegue transformar um pouquinho… Mas surgiu assim, meio sem querer por causa da gripe, depois tomou corpo… As palavras “Mim Acher”, “Decreto”, “Descubra”, eram coisas que as pessoas sempre comentavam quando viam as postagens, então, nas primeiras não tinham. Mas, isso aí já está muito vivo na cabeça de todo mundo… Os caras associam muito isso a essas palavras. Eu comecei a entrar em contato com o pessoal do Cenas, vi que eles começaram a postar os vídeos e ficou muito legal essa relação… Aí pensei, vou usar a palavra também, e aí ficou meio oficial a palavra decreto porque a gente não usava, era mais um “o Alê vai falar na sexta-feira uma loucura”… Foi assim que começou. Hoje, é uma responsabilidade.


Cenas Lamentáveis: Você falou que não se liga muito em estatística. Você acha que essa coisa de contar muito “Ah, tal time tem tanto de posse de bola”… Isso é tão importante pro futebol ou você acha que não, que vale o que está ali na hora e pronto?
Alê Oliveira: Eu respeito muito os números, mas não vou me basear neles. Até costumo brincar no sofá o seguinte: se o cara que vem com numerário, hoje em dia, ele não viu o jogo. Se ele vem “Ah, posse de bola”, já não viu o jogo. Se você não viu, você recorre a isso. Se você vê o jogo com atenção, entende, você não precisa. Pode fazer uma consulta ou outra, mas você não vai se basear em número… Se posse de bola fosse importante o time dos gandulas era campeão mundial todo ano (risos). Então, quando o cara vai com muito numerário, pode ter certeza que ele não viu o jogo, porque as estatísticas podem complementar pra você dar ênfase em uma situação que você observou, mas se você se basear em número, pelo menos pra mim, você tá morto.


Cenas Lamentáveis: Na CL, temos a teoria de que o agachado na foto sempre decide. Então, eu queria mostrar algumas imagens pra você… Essa tese é verdadeira?
Alê Oliveira: Decide muito! Mas você sabe que eu, estatisticamente, não sabia de nada. O que você tá falando agora, eu não sabia. Eu falava, porque o agachado, sempre que eu jogo bola, desde sempre, e de treinador, era os mais “boleirão”, que queria dar lancinho de perna, queria mostrar a arcada… Então, o cara que é mais “boleirão”, normalmente, é o cara mais decisivo. É verdade, então (risos).


Cenas Lamentáveis: Você acompanha tudo o que sai sobre você nas redes sociais? Lê todos os comentários? Responde? Já ficou irritado com algum comentário de seguidor? Você bloqueia quem te xinga ou ignora?
Alê Oliveira: Eu já fui atrás de tudo, de comentários e tal, até pra ver o que tava dando certo, o que tava dando errado… Só que agora, o volume é muito grande, de tudo, né?! Por exemplo, na página do Mito/Monstro tem tanto seguidor, se eles colocam alguma coisa minha lá, eu não consigo ver. Eu tenho uma Fanpage que a Dona Encrenca que administra, muita gente não sabe, mas também, como não vai ter mulher que vá me mandar inbox (risos), não tem problema, mas minha Fanpage é ela que administra. Aí, eu tenho a minha página no Facebook, tenho o meu Instagram, o Twitter, então, não consigo ver todas as coisas… Uma coisa curiosa é que muita gente me pede vídeo pra tudo, de aniversário, de despedida de solteiro, do time que vai pro Intercurso, do time que ganhou não sei o quê… Eu não consigo ler!


Cenas Lamentáveis: É porque é tudo em tempo real e muita coisa ao mesmo tempo, né?! Em um minuto, vem mil comentários…
Alê Oliveira: É no Facebook, no Twitter, no direct do Instagram… Eu não consigo, não tenho como dar vasão pra tudo isso. Então, antes eu lia tudo, agora, leio na medida do possível. Com relação a se irritar, sinceramente, eu tenho pena dos fanáticos. Essa semana eu falei no Bate Bola que, se o futebol é a coisa mais importante da sua vida, sua vida é uma m… Porque tem a sua família, seus amigos, seu trabalho, tem o seu lazer, então, se o futebol for a coisa mais importante da sua vida, você é um fanático, e com fanático não tem diálogo. Mas fanático não tem só torcedor… Tem muito comentarista que é fanático… Então, com esse cara não tem diálogo, é muito difícil. O cara faz uma crítica ponderável “Olha, eu não concordei com aquilo que você falou”… Até porque, eu tenho uma tese: o torcedor que acompanha o seu time de perto, sabe mais do time dele do que eu porque ele vê todos os jogos do time dele, eu não vejo. Às vezes, você tá no Bate Bola de domingo e têm cinco jogos aos mesmo tempo… Quem vê cinco jogos, não vê nenhum. Agora, com relação a se irritar, às vezes o cara é muito baixo, maldoso, porque ele já sabe que o que pega pra mim é que, como eu sou descontraído, é aí que é a ferida… O cara não entende nada de bola, só faz palhaçada. Isso me dói, me machuca, mas não me faz mudar um centímetro. Mas é uma coisa baixa. Se o cara fala que não concorda com o meu comentário, com a minha análise, ótimo, mas não porque eu tô feliz. Então, isso é uma coisa que mais me machuca… Na medida do possível, eu procuro curtir as coisas quando eu consigo. Esse cara que é “educado”, da discórdia, eu não falo nada. Se o cara é muito agressivo, te xinga, te ofende, aí eu bloqueio. Eu respeito a opinião contrária. A última coisa que eu não sou é dono da verdade. Mas, eu não ofendi o cara, então ele não precisa me ofender.


Cenas Lamentáveis: Como você consegue conciliar o seu lado comentarista com o lado de torcedor? Você desliga, tipo “Opa, agora vou tomar uma cerveja em casa vendo o jogo do meu time”?
Alê Oliveira:A minha relação de torcedor foi perdendo a força porque, primeiro, eu joguei e conheci muito jogador, e aí me tira um pouco desse amor… Quando você tá dentro do futebol, você perde um pouquinho. E segundo, como eu disse, o futebol está muito atrás de outras coisas, da minha profissão, certamente. Se eu tô de férias e o meu time vai jogar, e eu vou jogar bola lá no Sub-Óbitos, mas não penso meia vez, eu vou pro Sub-Óbitos direto. Eu torço mais para o que eu falei pro programa acontecer, mesmo que foi contra o meu time, do que pro meu time. Então, tá muito distante…


Cenas Lamentáveis: E o Alê Oliveira pai? Assim como o Bertozzi, você também ensina sua filha Malu sobre o mundo esportivo? Você a leva pro estádio, essas coisas?
Alê Oliveira: Não. Não levo de jeito nenhum. Ela tem muita liberdade para fazer as coisas que ela quer. Ela não gosta de futebol, ela não assiste de jeito nenhum. Nem o Bate Bola ela assiste… No máximo, o Fala Sério. Se ela quer jogar bola, quer jogar vôlei, aí eu falo pra ela brincar e tal, mas ela não tem muita ligação com o esporte, e até pouco tempo atrás ela não tinha nem noção exatamente do que eu fazia. Talvez, de um ano pra cá, eu a levei para alguns eventos, ela me acompanhou, e aí ela começou a tomar noção que o pai dela era um pouco conhecido. A gente foi no Risadaria esse ano, e aí ela assistiu e tal, com plateia, e quando acabou, eu saí, e ela e a mãe tiveram que esperar 1h30 pra eu tirar foto com todo mundo que tava lá… Ou quando a gente vai jantar fora ou alguma coisa do tipo, aí tem que tirar foto, ela até fica com ciúmes, mas já começa a entender. Eu não sou muito fanático… O que ela quiser fazer, ela vai fazer.


Cenas Lamentáveis: Você se arrepende de alguma coisa na sua carreira? 
Alê Oliveira: Ah, eu me arrependo… Não tenho certeza se eu posso falar, exatamente, mas já teve algumas ocasiões, uma em especial, que um colega comentarista foi muito deselegante comigo no ar e eu mantive uma postura de deixar pra direção tomar as providências. E a direção não tomou providência nenhuma, contemporizou… Se fosse hoje, certamente eu teria uma postura mais forte, não digo nem de ser agressiva, mas mais contundente. Foi mais ou menos assim: o cara cagou na minha cabeça no ar, e eu pensei “Vou contar até dez. Vou levar isso pra direção e a direção vai tomar uma postura”. A direção não tomou nenhuma postura e eu queria, todo dia, durante algum tempo, voltar atrás pra responder na mesma moeda pro cara. Talvez, se eu tivesse feito isso naquele momento, não estava mais na empresa porque eu era, disparado, o lado mais fraco da história, mas, pelo menos, iria ficar com a consciência tranquila. Passou! Hoje, graças à Deus, sou uma pessoa espiritualizada, que penso no bem, nas coisas boas, energias boas e tal, mas, se acontecer hoje, não vou deixar pra direção… Tanto que, depois, tiveram alguns eventos menos graves que eu fui, em tese, pro embate no ar. Nesse caso, especificamente, o cara foi muito baixo e eu fiquei com uma cara de banana, esperando que a direção fosse tomar alguma providência… Não aconteceu absolutamente nada e eu continuei com a cara de banana… E assim, durante um tempo, pra eu digerir isso foi demorado. Se eu pudesse voltar atrás, minha postura com esse cara seria bem diferente. Até hoje eu não falo com ele, não cumprimento… Não quero o mal dele, mas também não quero ele pra minha vida. Mas, se eu pudesse, a minha postura seria diferente nesse momento.


Cenas Lamentáveis: Pra finalizar, um jogo rápido. No som do meu carro não pode faltar…
Alê Oliveira: Samba de verdade, Fundo de Quintal, Reinaldo…


Cenas Lamentáveis: Você canta dentro do carro? Sinal tá fechado e tal, você canta?
Alê Oliveira: Não, até porque o meu carro não tem nada, não tem ar, não tem vidro elétrico, não tem película… Se eu saio cantando, os caras filmam e tiram foto (risos).


Cenas Lamentáveis: No meu time dos sonhos teria…
Alê Oliveira: Alex “cabeça grávida” (Alex, ex-jogador do Palmeiras). Eu sempre fui fã do jogo dele, e tenho a honra e a felicidade em dizer que ele é meu parceiro, que a gente divide várias coisas, que ele é um cara muito próximo.


Cenas Lamentáveis: Quando não estou gravando, estou…
Alê Oliveira: Jogando bola, se o joelho deixar, é jogando bola, fazendo churrasco…


Cenas Lamentáveis: Bater pênalti ou ajudar na briga?
Alê Oliveira: Hoje em dia, bater pênalti.


Cenas Lamentáveis: O que mais me marcou na carreira foi…
Alê Oliveira: Como comentarista, acho que eu vivi dois momentos especiais: Na Copa do Mundo, que eu não fiz nenhum jogo no estádio, infelizmente… Comentei 12 jogos. Lá dos narradores e dos comentaristas, ninguém fez mais jogos do que eu. Em alguns jogos, a gente estava até com o sinal aberto durante a Copa do Mundo e tiveram repercussão enorme. Teve jogo que eu fiz com o Everaldo que a audiência foi muito forte, e ali, além de estar muito motivado a fazer uma Copa do Mundo, quase que a minha primeira, em 2010… Eu tava muito na pegada, inspirado, as coisas aconteceram e a repercussão foi muito bacana, principalmente os jogos que eu fiz com o Everaldo. Ele até foi pra semifinal, o que não tava previsto… Então, ali, pra mim, foi um ponto forte. Talvez, tenha sido uma primeira projeção um pouco maior… Outra coisa especial, pra mim, foi fazer duas edições finais da Liga dos Campeões no cinema, e é curioso assim que, já na segunda edição, o pessoal já sabia o que ia acontecer com os meus comentários… Muita gente ia no cinema para ver exatamente aquela transmissão diferente e, em uma das salas aqui em São Paulo, tava a minha mãe, a minha esposa e a minha filha… Elas contando, até filmaram, que na hora que acabou o jogo, todo mundo bateu palma em pé… E é f…, né?! A Liga dos Campeões é tão tradicional, cuidadosa, cautelosa na transmissão e eu totalmente vida louca, dando vários personagens da Escalação Moleque, e o pessoal levantou e começou a bater palma… Foi um momento bem bacana.


Cenas Lamentáveis: Pra me tirar do sério, basta…
Alê Oliveira: Basta falar que quem fala de futebol com alegria, não sabe de futebol… Isso me tira do sério.


Cenas Lamentáveis: Gosto de tomar aquela gelada quando…
Alê Oliveira: Quando acaba o jogo. A cerveja desce melhor depois que você joga bola.


Cenas Lamentáveis:
Frase que levo pra vida…
Alê Oliveira: Eu frequento uma fraternidade que fala muito de você entregar pro próximo aquilo que você esperaria de receber dele, fazer o bem pra receber o bem. Ultimamente tem acontecido algumas coisas na minha vida e tenho procurado seguir o lema do não espera o amanhã para fazer o bem porque o amanhã pode nem chegar… A gente acabou de perder um companheiro nosso… Tem a minha idade, 43 anos, o Marcelo Di Lallo, infarto fulminante e acabou… Então, não esperar o amanhã para fazer o bem. Esse amanhã pode não chegar.

 

Obrigado, Alê!

20 Comentários em CL Entrevista – Alê Oliveira, o Mito barra Monstro

  1. A parceria de vocês (CL & Alê) tá revolucionando o jornalismo esportivo no Brasil. Todos os meios de comunicação, de alguma forma, está absorvendo e reproduzindo esse lado descontraído do futebol. Parabéns!

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