CL Entrevista: Iarley

Em conversa descontraída, o ex-jogador relembra de grandes momentos de sua carreira e fala sobre planos para o futuro

Divulgação/Inter
Por: Jean Costa, RS

Jogador tático, ídolo, cirúrgico com a bola no pé, mas, acima de tudo, dono de uma humildade que o torna ainda mais diferenciado. Pedro Iarley Lima Dantas, ou simplesmente Iarley — aquele que fez com que Puyol sofresse de hérnia de disco — tem muita história para contar ao longo de seus anos no futebol. Idolatrado por alguns e querido por todos os clube onde passou, o meia-atacante concedeu entrevista exclusiva para a CL durante o Curso Profissionalizante de Treinador de Futebol organizado pelo Sindicato de Treinadores do RS, no qual o colunista que vos escreve também fez parte. Confira, na íntegra, a conversa que tivemos com o ex-jogador e hoje coordenador técnico da base do Internacional, Iarley.

Cenas Lamentáveis: Como foi sair de Quixeramobim até o início de carreira no Ferroviário? Em algum momento você achou que era difícil demais se tornar jogador e pensou em desistir?

Iarley: Bem, eu acho assim: quando você começa a jogar bola você começa a escutar de pessoas que ou se tu joga bem, ou se tu tem, ou se não tem jeito. Então, eu sempre fui o destaque das peladas, dos campeonatos, sempre fui o goleador, sempre fui ovacionado, então eu já vinha tendo uma “construção” conforme vinha crescendo. Os convites já vinham aparecendo de Ceará, por Fortaleza, Ferroviário e isso vai fazendo com que você crie uma confiança dentro em que nada te abala. As dificuldades não te abalam, a falta de recursos não te abala, tu só quer jogar bola e fazer o que sabe fazer. As coisas foram acontecendo e em nenhum momento eu pensei em desistir. 

Cenas Lamentáveis: Como foi a sua experiencia ao chegar muito novo na Espanha?

Iarley: Eu fui o destaque do Campeonato Cearense de 1995 e um grupo de espanhóis me viu jogar, eles já tiveram a opção de compra do Ferroviário e me levaram para Espanha. Dependendo de como você vai pra Espanha, é o segredo. Fui com uma estrutura muito grande, os empresários eram multimilionários e tinha todo o apoio e toda a infraestrutura. Eu fui aprender a falar espanhol, fui morar em uma casa para aprender os costumes, fiz alguns amistosos para os olheiros me verem. Inclusive, aí chegou a opção do Real, um olheiro deles e prontamente disse que eu já seria do clube. Então, eu fui um felizardo por ter toda essa estrutura em volta de mim.

Cenas Lamentáveis: Quem te levou e o que você esperava, já que você estava sendo contratado pelo Real Madrid?

Iarley: Uma coisa é você chegar lá, outra coisa é ir pro Real e isso não te credencia que tudo vai ser maravilha. O grupo de empresários que me levou é a Arcom Sports. Aí eu fui para o Real Madrid B e passei 96 e 97 lá. Depois, o Real me emprestou para clubes menores para que eu terminasse a minha formação antes de voltar e jogar pelo time principal. Só que aí eu me desentendi com esses meus empresários, já eles queriam me vender para outros clubes e o Real Madrid queria continuar comigo. Houve divergências, discussões entre valores, até de documentação, que eles queriam que eu fosse comunitário sem ser. Com isso, também veio problema com passaporte: eles queriam fazer um falso e aí houve um montão de confusão extracampo que me levou a ir embora da Espanha.

Cenas Lamentáveis: Você sentiu alguma ponta de frustração ou o retorno ao futebol brasileiro foi algo tranquilo para você?

Iarley: Sim. Foi tudo tranquilo. A minha frustração foi de não continuar na Espanha, mas eu levei para um outro lado. Tive a Espanha como a finalização da minha formação. Eu tive Vicente del Bosque, outros treinadores que me deram uma bagagem pra aonde fosse recomeçar eu iria ter sucesso. Então eu botei isso na minha cabeça e retornei para o Ceará e comecei a jogar. Lá eu comecei a me destacar, fui ídolo do time, campeão cearense. Era até um sonho de criança jogar no Ceará. Aí depois outros clubes se interessaram.

Cenas Lamentáveis: O que aquele time do Paysandu de 2003 tinha de tão especial?

Iarley: O Paysandu vinha como uma base muito boa de 2002 para 2003, já que foram campeões da Copa dos Campeões e eles tinham um entrosamento muito bom. Quando eu cheguei já peguei essa base muito boa com o Sandro Goiano, o Vélber, o Robgol. Então eram jogadores interessantes e de muita qualidade. Aí eu agreguei minha experiência de Espanha e qualidade como jogador, naquele grupo acabei caindo como uma luva. É mais o entrosamento que você tem, a liga que dá o time, o elenco é construído por vários anos e eu tive a felicidade de cair em um grupo já montado, por isso que era um time muito bom.

Cenas Lamentáveis: Você marcou o gol da vitória sobre o Boca Juniors dentro da La Bombonera, tinha noção na época da grandeza do feito que você e sua equipe tinham conseguido?

Iarley: A gente vai ter essa noção agora quando para de jogar. Todo mundo fica comentando sobre isso e na época a gente sabia que tinha feito um grande jogo.  O gol foi importante, tanto que me levou até para o próprio Boca Juniors, mas só hoje é que eu tenha essa dimensão que foi bastante histórica e que até hoje se fala.
Iarley, o nome do jogo na La Bombonera, comemorando seu gol que garantiu a vitória épica do Paysandu, em 2003 (Foto: Reprodução/Torcedores.com)
Iarley, o nome do jogo na La Bombonera, comemorando seu gol que garantiu a vitória épica do Paysandu, em 2003 (Foto: Reprodução/Torcedores.com)

Cenas Lamentáveis: O que mudou no time do Paysandu entre o primeiro jogo na La Bombonera e o segundo em Belém? Pois Jornalistas locais afirmam que o time parecia diferente depois da vitória na Argentina. Foi salto alto? O que aconteceu?

Iarley: Não. Nós perdemos dois jogadores muito importantes e não tínhamos reposição, que no caso eram o Wanderson e o Robgol, por cartões. Aí a gente não tinha como repor e era um time pequeno brigando contra um grande. E esse grande veio com Schelotto, Delgado, que não tinham jogado lá. Eles vieram muito mais fortes para jogar contra a gente. Eles jogaram fechadinhos, como time pequeno, sabendo que o Mangueirão tinha um campo muito grande, uma estratégia perfeita. Fecharam meu lado com dois jogadores me marcando muito forte e saíam no contra-ataque. Competitivos e experientes dentro da competição como são diante da nossa primeira vez na Libertadores, acho que tudo isso pesou a favor deles.

Cenas Lamentáveis: Dizem que existem atmosferas distintas ao jogar na La Bombonera e você e teve a oportunidade de sentir ambas as sensações. Qual é a sensação de jogar com a camisa do Boca lá?

Iarley: A Bombonera é tudo isso que falam mesmo e o Boca também. Essa mistica deles, é um time diferenciado, uma torcida diferenciada. Eles tem uma coisa interna de que não se pode vaiar o time, que deve cantar os 90 minutos e que tem de estar sempre apoiando. Depois eles vão no treino e cobram, mas ali no estádio, é tudo a favor do time que eles torcem.

Cenas Lamentáveis: A gente está acostumado a ver imagens de um jogo com característica de muita força no Campeonato Argentino, foi fácil para você se adaptar ao estilo de jogo deles?

Iarley: Sim. Totalmente! Muitos brasileiros que não deram certo no Campeonato Argentino foi justamente por isso. É um perfil de competição de força, velocidade, de muito contato e essas eram as minhas características.

Cenas Lamentáveis: Como é para um brasileiro jogar na Argentina, ainda mais no Boca? Vemos muitos jogadores argentinos vindo para o nosso futebol, mas não vemos muitos brasileiros saindo para disputar o Campeonato Argentino.

Iarley: É, no meu ano eu era o único brasileiro. Justamente por isso. Por ter a características do time acabei indo. O Campeonato não paga tão bem, os clubes brasileiros tem mais recursos que os argentinos e eles não tem condições de contratar jogadores daqui. Então, não é o mercado que enche os olhos do brasileiro. Tem tudo isso que prejudica, mas no meu caso, me adaptei muito bem ao estilo e pra mim foi muito prazeroso.

Cenas Lamentáveis: Tem alguma história engraçada pra contar de lá?

Iarley:  Eu e o Tévez éramos dois atacantes que ao invés dos zagueiros bater na gente, era a gente que batia neles. Eles que saíam machucados. Quando a gente pegava um zagueiro muito maldoso, que dava muita porrada em nós, falávamos para os nossos zagueiros, que na época eram o Schiavi e o Burdisso “Ó, o número quatro”, aí eles iam lá e resolviam a parada.
Iarley usou a 10 de Maradona no Boca Juniors (Foto: Natacha Pisarenko)
Iarley usou a 10 de Maradona no Boca Juniors (Foto: Natacha Pisarenko)

Cenas Lamentáveis: Qual é a sensação de ter jogado com a 10 do Boca Juniors?

Iarley: Tem outra história que é bem legal, que o Carlos Bianchi chegou pra mim e disse: “ó, você vai usar a camisa 10 do Boca”, aí eu falei: “não, tudo bem, sem problema”, aí ele falou “como assim?”, eu tinha dado uma resposta muito vazia. Aí ele falou: “Você tem noção de como é essa camisa? Você tem noção de quem vestiu essa camisa?” Eu simplesmente, por não ter mesmo, falei: “não”. Aí ele falou: “então é tu mesmo que vai vestir”. “O Tévez tá pipocando, o Schelotto também não quer, então é tu mesmo”.

Cenas Lamentáveis: Você foi campeão mundial Interclubes com a camisa do Boca em cima de um poderoso Milan. Por que você não ficou mais tempo no futebol argentino?

Iarley: Eu fui campeão argentino e mundial e aí no meio de 2004 pra 2005 saiu todo mundo. Os grandes jogadores saíram todos. Eles estavam com a filosofia de ter só jogadores da base, e eu recebi uma proposta muito boa do México. Aí eu pensei: “pô, eu já tenho uma certa idade, fui campeão argentino, campeão mundial, vou ficar aqui”. Mas meio a reformulação, os 6 primeiros meses dela foram muito fracos. Aí eu falei: “cara, eu acho que pra mim já deu, vou pro México abrir outro mercado”, e fui.

Cenas Lamentáveis: Sua passagem pelo Internacional foi consagradora e colocou você num patamar único no futebol brasileiro, ao conquistar o Mundial inédito para o clube, e ainda deu o passe para o gol… Esse foi o momento mais inesquecível da sua carreira?

Iarley: Sim. O Internacional por tudo que a gente viveu aqui é o sonho acho que de todo atleta profissional. Jogar no clube, ganhar os títulos que colocaram na nossa frente  e nós ganhamos. No Mundial de Clubes que eu já tinha ganho com o Boca, ganhar com um time brasileiro, no caso o Internacional, que não tinha esse título e o rival tinha, e era muito cobrado. O torcedor cobrava muito a gente por ter um título internacional e te digo que esse foi o mais emocionante e mais importante pra mim.
O drible desconcertante e causador de hérnias de disco em Puyol (Foto: Ricardo Giusti / CP Memória)
O drible desconcertante e causador de hérnias de disco em Puyol (Foto: Ricardo Giusti / CP Memória)

Cenas Lamentáveis: Iarley, o que se passava dentro do vestiário na véspera do confronto? Vocês realmente acreditavam que era possível bater o Barcelona de Ronaldinho, Deco e companhia?

Iarley: Sim, sim. Perfeitamente! Até mesmo porque eu tinha ganho já do Milan e o Milan era muito mais time que o Barcelona! O Milan vinha da época que tinha Maldini, Kaká e outros astros, era muito mais forte que o Barcelona do Ronaldinho. Eu tinha ido com o Boca Juniors jogar no Camp Nou, na casa deles, com 90 mil pessoas, pela Joan Gamper, torneio de inverno deles, antes de vir para o Inter, e empatamos de 1 a 1 dentro da casa do Barcelona. Eu era predestinado de ter vindo pro Internacional, porque eu já trouxe todo esse meu hall para o elenco. Então eu convenci eles de que era possível.

Cenas Lamentáveis: Você acha que a torcida do Real ao te ver em campo ficou feliz por ver um ex-jogador seu fazendo frente e sendo campeão diante de um dos seus maiores rivais?

Iarley: Sim, e bastante. Eu dei várias entrevistas para os Jornalistas lá de Madrid principalmente, do As, do Marca, e eles ressaltaram bastante isso.

Cenas Lamentáveis: A mídia nacional, não só a nossa, os torcedores colorados também apontaram que você foi o melhor jogador do Mundial Interclubes de 2006. Você não ficou meio sentido por ter ficado com a bola de prata ao invés da de ouro?

Iarley: Pois é. Eles mudaram as regras. Em 2003 até 2004 ganhava a bola de ouro o jogador que fizesse o gol do título. O cara que fizesse o gol era o melhor da partida e no caso, eu já vinha com essa cultura. Então por mais que eu tivesse jogado ali, eu achava que quem deveria ganhar era o Gabiru, ele que fez o gol. Só que eles usaram os outros critérios, que eram o “todo” do campeonato. São as duas partidas. O Barcelona tinha goleado e o Deco tinha jogado muito bem. Na realidade, o que vale mesmo é a final, e nela eu fui muito bem. Fiquei naquela expectativa de ou eu vou a ganhar de ouro, ou a de prata. Quando ganhei a de prata eu não fiquei muito frustrado, porque já sabia que era essa pontuação. No primeiro jogo eu fui burocrático, fiz só a parte tática mesmo porque o time ia passar pra final e eu iria arriscar tudo nela. Então eu fiquei tranquilo. Pra mim foi até melhor não ganhar a de ouro porque até hoje se fala disso, se eu tivesse ganhado ela você iria dizer assim “é, você foi o melhor do campeonato”, mas não daria a ênfase que tá dando agora e fazendo a pergunta, pois até hoje se fala nisso.

Cenas Lamentáveis: Durante uma de nossas aulas aqui no curso de treinador, o professor Élio Carravetta citou que você era um cara muito pró-ativo dentro do grupo e que buscava sempre ajudar os seus companheiros, ele citou em especial o caso do Marquinhos Gabriel, hoje no Corinthians. Como era esse auxilio que você dava para a molecada e os demais companheiros?

Iarley: Quando cheguei no Inter já vinha com uma certa experiência e lá eu via muita gente com muito jovem começando, sendo que eu já tinha passado por tudo aquilo ali e eu era muito profissional, focado e o Inter estava numa fase em que precisava ganhar e aí a gente tem a juventude, né? A gente tem que sempre tá orientando. Às vezes não treinavam com tanta intensidade. Às vezes chegavam em cima da hora. Outras vezes ficavam tristes por não jogar e a gente fazia esse trabalho meio que de bastidores, de grupo, parceiro, sempre dando uma motivação, uma palavra de conforto. A gente tem  sempre fazendo esse papel. Eu era um dos líderes justamente por isso. Por estar sempre ajudando aos companheiros com uma palavra de incentivo, ajudando nos treinamentos, na deficiência do cara, em vários aspectos.

Cenas Lamentáveis: Atualmente você trabalha na coordenação técnica da base do Internacional, mas o que te levou a querer trabalhar com isso e a querer trabalhar como treinador?

Iarley: É, hoje eu to na coordenação técnica, no caso, trabalhando diretamente com o sub-20 e o sub-23, são as categorias maiores fazendo essa transição pro profissional. Tô ajudando eles ali e fazendo o trabalho de campo também. Mas é a experiência, é o nome, tudo que vivi no futebol faz com que eu sinta prazer em estar ali dentro do campo e é por isso que eu decidi ser treinador. Eu vou começar bem debaixo mesmo, almejando um dia com certeza treinar alguns times grandes.

Cenas Lamentáveis: Sua passagem pelo Corinthians foi curta, mas mesmo nesse pouco tempo em que esteve no clube você foi muito querido pela torcida… Acha que faltou alguma coisa pelo Timão? Gostaria de ter ficado mais tempo defendo a camisa do time paulista?

Iarley: No ano em que eu fui para o Corinthians era o do centenário. Fui contratado pela minha experiência na Libertadores e nesse ano, por ser o centenário, existia muito extracampo que tirou o foco de todo mundo. O grupo não se focou muito no que era Libertadores, no que era título, dispersou um pouco né…  e aí, eu já era um cara de idade, eu fiz o que tinha que fazer e depois veio o Tite, terminei o ano com ele e bem. Depois recebi um convite do Ceará, que estava na primeira divisão e eu achei que era o momento e pedi pro Corinthians me liberar e eu fui. Mas com certeza faltou um título com a camisa do Corinthians.
(Foto: Fabio Braga/Folhapress)
(Foto: Fabio Braga/Folhapress)

Cenas Lamentáveis: Qual foi a sensação de ter marcado com a camisa do Ceará contra o Inter?

Iarley: Quando eu joguei com o Ceará contra o Inter aqui, o clube me fez homenagem antes e tal, mas eu, particularmente, acho que temos de separar as coisas. Naquele momento eu to jogando com o Ceará, como também fiz com o Corinthians, com o Goiás, jogos contra o Inter eu tenho que separar. Meu coração e o lado emocional tem que ficar um pouquinho de lado e a gente tem que ir pra razão, mais profissionalismo. E foi bem tranquilo, fiz um gol e fiz assim  “¯\_(ツ)_/¯” pra torcida dizendo que eu não posso fazer nada, eu tenho que fazer o gol, e ficou bem legal.

Cenas Lamentáveis: Qual é o segredo da longevidade do Iarley?

Iarley: Uma das coisas muito importantes para o atleta é a genética, né? E a minha biotipia é bastante favorecida. Eu nunca tive lesões musculares, só tive lesão no ombro. A alimentação, o profissionalismo, estar sempre se cuidando. Esses são os segredos básicos.
(Foto: Futura Press)
Iarley após marcar contra o Internacional (Foto: Futura Press)

Cenas Lamentáveis: Da aposentadoria nos gramados ao futsal: o que levou o Iarley a jogar no SER Alvorada? Como foi a sua passagem lá? Você ainda faz parte da equipe?

Iarley: É, começou com o treinador, o Fabiano Ventura, que é meu amigo de muitos anos. Na época eu estava na casa dele quando o presidente foi lá convidar e ele já sabia que eu já tinha jogado futebol de salão. Aí ele perguntou se eu queria ir pra lá jogar e manter a forma, e eu sempre gostei muito de desafios e fui. Falei que ia e fui. Cheguei a jogar quatro jogos e marquei quatro gols. Só que o Internacional, juntamente com o o relacionamento social começou a me levar para os eventos de consulado e eu não tinha como dizer não, pois sou funcionário do clube. Nisso começou a entrar em choque com as datas do futsal e aí acabou prejudicando. Eu não to indo mais justamente por isso.
Ginásio São Marcos, em Alvorada-RS, lotou para assistir a estreia de Iarley com a camisa do Ser Alvorada (Foto: Ser Alvorada)
Ginásio São Marcos, em Alvorada-RS, lotou para assistir a estreia de Iarley com a camisa do Ser Alvorada (Foto: Ser Alvorada)

Cenas Lamentáveis: Você não pensa em voltar para ajudar a equipe no acesso à primeira divisão de futsal (Série Ouro)??

Iarley: Não. Agora o meu foco é outro. Eu fiz toda aquela mídia, dei a minha parcela de contribuição, né? Consegui trazer patrocinadores para o clube. O time começou a engrenar agora com a chegada dos meninos (sub-20) e eu não tenho tempo para treinar, não tenho tempo para entrar em forma e como sou um cara muito dedicado, sem estar fisicamente eu não vou.  Vai ser um pouco difícil voltar.

Cenas Lamentáveis: Você ainda acompanha o Ser Alvorada? Ainda auxilia o pessoal com alguma outra coisa?

Iarley: Sim, estou sempre conversando com o pessoal sobre. Tenho ido pouco, mas vou procurar até ir pelo menos uma vez por semana lá em Alvorada acompanhar o andamento da equipe.

Cenas Lamentáveis: Voltando ao assunto Inter: por que os jogadores do Internacional parecem não ter indignação e poder de reação para jogar a Série B? Parece que o Inter simplesmente aceitou que está na Segunda Divisão e não demonstra ter raiva para jogar a B, digo mais, não mostra a garra e a vontade que aquele time de 2006 que você fez parte tinha. O que se passa com o Colorado?

Iarley: Raiva. Vontade. Isso aí não ganha jogo. O que aconteceu com o Inter é que ele caiu e não assimilou ainda. Houve muita troca de treinador. A gente não tem um elenco ainda formado. Foi chegando jogadores e ainda não é muito claro como é que joga, quem não joga. Machuca um, entra outro, aí vai testando jogador. O Inter ainda tá em fase de construção no campeonato. O último jogo deu uma esperança pra torcida. O jogo com o Ceará por exemplo. Depois perdeu (Vila Nova x Inter). Jogou tipicamente como um time que ainda tá em construção. Aí na terça (Inter x Oeste) já teve uma atitude diferente e jogou bem melhor, mas é um time que ainda vai oscilar bastante na competição.
No retorno ao Ferroviário, Iarley estreou marcando três gols (Foto: FCO Fontenele/ O Povo)
No retorno ao Ferroviário, Iarley estreou marcando três gols (Foto: FCO Fontenele/ O Povo)

Cenas Lamentáveis: Do Ferroviário no início da sua carreira até o dia que você pendurou as chuteiras, o que mudou na personalidade do Iarley?

Iarley: Nada. Só mais conhecimento. A personalidade vai se moldando conforme os anos e você vai ficando mais indignado com algumas coisas, outras não, mas o Iarley é o mesmo lá do começo. Você me vê e eu tenho as bases familiares de tratar bem todo mundo, de ser um cara parceiro, respeitador. Isso tudo é o mesmo, só com um pouquinho mais de conhecimento.
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A entrevista não poderia terminar de outro jeito (Foto: arquivo pessoal)

Obrigado, Iarley!

Obs: após a conclusão do curso para treinadores de futebol houve uma partida cerimonial na qual o o ex-atacante aplicou uma caneta inesquecível no colunista (a 2ª que ele sofreu até hoje).

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