CL Entrevista: Olé do Brasil

Confira a entrevista bem-humorada da CL com o Olé, página com mais de 800 mil seguidores

Olé do Brasil (Reprodução/Facebook)
Olé do Brasil (Reprodução/Facebook)
Por Larissa Coelho, SP

Três amigos de diferentes localidades e um desejo: levar o humor para a internet. Neste CL Entrevista, conversamos com Sérgio, Daniel e Luiz, os fundadores de uma página famosa pelas zicas durante os jogos: o Olé do Brasil.  Com mais de 819 mil curtidas no Facebook e 410 mil seguidores no Twitter, eles contam como se conheceram e porque montaram um perfil de notícias fictícias, também falaram do Prêmio de Influenciadores Digitais conquistado  e de um “pequeno probleminha” nos tribunais por conta de uma postagem. Confira a entrevista bem-humorada que tivemos:

Cenas Lamentáveis: Vocês criaram a página do Olé em 2012. Como que surgiu a ideia de criar algo com notícias fictícias? Como vocês se conheceram?

Olé: Eu (Sérgio) tinha esse domínio há muito tempo. A gente se conheceu pela internet. Eu tinha um blog chamado “Barba, Cabelo e Bigode”, era mais sobre futebol e montagens, esse tipo de coisa, e o Dan e o Luiz tinham um blog também, o “Setorista”, que eles trabalhavam com essa questão de notícias fictícias e com algumas coisas bem parecidas com o que fazemos hoje no Olé. Por um acaso, coincidiu de eu fazer uma tirinha e eles montarem uma notícia igual a tirinha, e o Luiz entrou em contato comigo na época falando pra fazer um post junto porque ele tinha a notícia e eu a tirinha. Então, começamos a bater um papo, conheci o Dan no meio desse processo…

CL: Vocês moram perto ou é cada um num Estado?

Olé: Isso, o Dan em São Paulo, eu (Sérgio) em Minas e o Luiz no Rio Grande do Sul… E aí, nessas conversas, a gente começou a falar… eu já tinha um domínio bom, o Olé do Brasil tem a ver com o Olé da Argentina, que tem essa questão das notícias, só que eles fazem a notícia séria e a gente faria uma notícia fictícia. Muitas vezes no Olé da Argentina a gente acha até que a notícia é fictícia pela maneira que eles trabalham com ela. Então, a gente começou a fazer o site e, depois que tratamos isso, em um mês estava pronto. A gente se conheceu em julho, em setembro o site já estava funcionando.

CL: E por que vocês escolheram esse nome “Olé”? Tem alguma inspiração aí do Diário do Olé ou pelo drible mesmo?

Olé: A ideia original tem a se inspirar no humor, na sacada do que o Olé da Argentina faz e também usar uma palavra que é global no futebol, que é o “olé”, né?! Não só o Brasil, mas em transmissões esportivas, em estádios, a galera grita “olé” sempre homenageando a gente.

CL: Em que momento veio o estalo do “vamos continuar com a página”? Vocês fizeram a graça, as pessoas curtiram e vocês: “vamos continuar”?

Olé: Na verdade, ele veio com o próprio “Barba, Cabelo e Bigode” e os meninos tinham esse blog “Setorista”, e o “Barba” já estava com um número de seguidores bem alto na época. Aí, eu fiz uma notícia com o que eles já tinham feito, coloquei em texto mesmo, além da tirinha, e funcionou muito bem. E a partir daí que a gente pensou “o negócio rola mesmo, está dando certo mesmo de fazer”… E a gente criou o site que, depois, foi crescendo.

CL: Pra quem conhece a página, principalmente no Twitter, zica os times e meio que virou uma marca registrada do Olé. De quem foi essa ideia?

Olé: A questão da zica, ela meio que surgiu naturalmente de acordo com a resposta do público. Começou com a gente fazendo uma piadinha sempre no lance seguinte, o time que era zoado fazia o gol, ou quando a gente elogiava um jogador, ele era expulso, e acabou virando mesmo essa marca registrada. Eu acho um momento legal da zica que a gente pode falar foi o Prêmio de Influenciadores Digitais, e a gente fez uma matéria brincando sobre isso, falando que o Olé estava sendo investigado pela operação “Zica a Jato” pela manipulação de resultados, que o site iria terminar por causa disso, enfim. Mas tudo zoeira e pedindo para as pessoas participarem da campanha. Foi uma ideia que a galera abraçou, de fato…

CL: Mas de quem surgiu a ideia? Quem começou com essa zica no perfil?

Olé: Ela surgiu meio que na cagada mesmo, sabe?! (risos) A gente falava bem ou mal de um jogador e cinco minutos depois, acontecia alguma coisa, e o pessoal começou a falar “Vocês estão sempre zicando todo mundo”…

CL: É muito engraçado! (risos)

Olé: E foi meio que automático. Teve um jogo, eu não lembro agora, mas teve um que, no começo, a gente tuitou “Nossa, se esse jogo acabar assim, seria ótimo”, tipo um resultado totalmente impossível… E acabou que esse resultado aconteceu. Aí, o pessoal endoidou. Foram quase 2 mil RTs nesse dia. Não lembro especificamente. Teve uns pênaltis do Chile… Foi bem recente… Tipo, “A disputa vai ser nos pênaltis com três gols pra tal time e o outro time, fulano e beltrano vão errar”, e aconteceu exatamente a mesma coisa. Nesse caso, nem foi zica, foi cagada mesmo… (risos)

CL: Como vocês lidam com as críticas, os xingamentos de seguidores? Porque quem acompanha sabe que vocês são brincalhões, mas tem alguns que levam muito a sério e começam a xingar, a apelar. Como que vocês recebem esses comentários agressivos? Levam numa boa? Já deu algum problema de discutir com algum seguidor ou vocês levam na boa mesmo e ficam ignorando?

Olé: A gente sempre tenta levar a questão da zoeira no bom humor, né?! Porque o pessoal, realmente, tem gente que leva a sério, tem gente que xinga, a gente evita ter essa questão de uma discussão, de expor isso dentro da nossa timeline. A não ser que seja realmente sem noção, aí a gente comenta em cima pros nossos seguidores, que já tem essa sacada de zoeira, começar a tirar sarro do cara que está xingando. E aí o feitiço vira contra o feiticeiro. No começo, tinha muita gente, a famosa turma de fazer ameaças, esse tipo de coisa, pra ver até aonde vai. Mas, a gente sempre teve uma forma de lidar com isso de forma tranquila. A gente pegava um dia o cara na zoeira também, como se a gente não entendesse o que ele falou, esse tipo de coisa, e muita gente foi deixando de fazer. Hoje, a gente faz exatamente isso o que o Dan falou, ou a gente dá uma resposta na zoeira mesmo sem a possibilidade de render depois ou a gente pega e deixa passar batido. O pessoal às vezes descobre e ficam acompanhando o que as pessoas estão respondendo, pegando do pé.

CL: Hoje, qual é o alcance da página de vocês?

Olé: Fizemos um projeto e o anual, de todas as redes sociais juntas, deu 760 milhões o alcance.

CL: A que vocês dedicam o sucesso, o crescimento do Olé?

Olé: Tudo o que a gente faz é pensando em criar um certo engajamento, sabe?! Claro que há umas coisas que funcionam e outras que não funcionam tão bem. Grande parte das vezes é que a gente planeja muito e acaba não dando certo. A gente fica pensando como a matéria vai ser feita, faz uma imagem com montagem e não funciona tanto quanto outras que saem no time, então a grande questão que a gente acha mesmo é o time, sabe?! Às vezes, uma notícia que sai no momento, a gente já pega e aproveita e emenda com alguma brincadeira, alguma coisa do tipo que pode até passar a notícia faz parte da verdadeira, que é humor e a gente cria às vezes também, e isso funciona bastante.

CL: Vocês recebem muitos convites para entrevista, pra participar em rádio? Já participaram?

Olé: Sim, a gente já participou bastante. Essa questão de ser três pessoas, uma em cada estado, facilita muito quando a gente tem alguma coisa do tipo. Já participamos em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a gente já fez muito, mas ainda não tivemos ainda nenhum convite pro Rio de Janeiro, até porque não tem ninguém do Rio e teríamos que nos deslocar pra lá. Grande parte dos lugares que a gente foi, foram relacionados a humor mesmo, nada de imprensa séria, esse tipo de coisa não.

CL: Vocês também são muito brincalhões nas matérias do site e isso causou um processo judicial. Foi a primeira vez que vocês tiveram esse problema? Como vocês reagiram com a repercussão depois?

Olé: Quando a gente fez essa brincadeira, foi bem absurda, de forma que ela tinha vários elementos que a gente imaginava que as pessoas, ao lerem, iam identificar que se tratava de uma coisa completamente surreal. O que a gente quis fazer no começo era criar algo pra mostrar como as pessoas acreditam numa coisa que é publicada. E acabou que a notícia foi aumentando de uma forma negativa e que a gente não esperava, sabe?! Pessoas acreditavam naquilo realmente como uma verdade e não como uma brincadeira. Sabe aquela coisa do “Se você soubesse o que aconteceu ficaria enojado”, sempre aparece que muita gente acredita. No começo, a gente ficou bem assustado com a repercussão e, também, com a forma negativa que isso foi sendo levada várias outras histórias foram criadas, mas a referência do que tinha saído sobre o assunto foi o Olé, acabou que a gente pagou o pato. As pessoas brincam muito no Twitter, até hoje lembram esse episódio e a gente leva na boa. A gente já foi em programa de rádio e os caras citaram. É aquela coisa, cometemos um erro e tivemos que pagar por ele, mas é aquela velha história… A gente já aprendeu a conviver com isso, temos uma série de análises quando vamos postar uma notícia atualmente, até porque, no começo, não tínhamos muito filtro, não. Quando o site tinha começado, a gente fazia as coisas sem pensar muito porque não imaginávamos o tamanho que iria ficar, o alcance que teria… Mas, hoje, como a forma que as pessoas tratam, interpretam muita coisa, a gente tem que diminuir muito a pegada do que se publica.

CL: Vocês acham que exageram um pouco na criatividade? Há um limite do humor no futebol? Vocês acham que exageram nas postagens, nas brincadeiras ou está tranquilo?

Olé: O exagero que a gente tem hoje é de desdobrar pra conseguir fazer as coisas de forma que a gente acha engraçado e que não seja ofensivo pra ninguém, porque fazer algo que vai dar resultado sendo ofensivo é fácil, difícil é a gente conseguir fazer de forma que seja tranquilo. Às vezes, a pessoa que recebe a brincadeira acha legal também, e que tem resultado.

CL: Dá pra fazer várias amizades e inimigos na internet. Inimizade, digamos na questão da concorrência. Vocês têm alguns “inimigos” espalhados por aí? Fizeram muitas amizades com as outras páginas de humor no futebol, como o Cenas?

Olé: Eu (Sérgio) só não gosto do Luiz e do Dan, o resto do pessoal… (risos) A gente tem grupos que os meninos participam também, de outras páginas que tem uma relação boa. Temos uma boa relação com o Desimpedidos, que a gente até já fez os projetos juntos, fomos na live deles. O pessoal acha que o Olé e o Desimpedidos têm uma treta. Eles adoram colocar na página deles que “Desimpedidos é pior que o Olé do Brasil”, vai no Olé e coloca “Desimpedidos é maior que o Olé do Brasil” como se ofendesse a gente, só que as pessoas não sabem que a gente tem uma relação ótima, como eu falei, de fazer projetos juntos, e aí quando a gente teve essa possibilidade de participar da live, eu comentando com o pessoal lá, a gente planejando o que que a gente faria pra divulgar essa live… A gente pegou essa coisa da treta e do ódio que o pessoal acha que uma página tem com a outra. Então, criamos meio que uma discussão no Twitter com respostas grosseiras de um pro outro pra nos render, e aí o Bolívia pegou e falou “Ah, se quer resolver, se vocês forem homens, vem aqui na live às 19h”. Foi uma forma que a gente achou de divulgar bem e foi uma live que deu muito resultado pelo o que a gente viu lá, de audiência, e muita gente ficou frustrada porque a gente via lá o pessoal reclamando no Twitter que a gente era bunda mole, que tinha que brigar com os caras, e não é essa pegada.

CL: Vocês tinham essa coisa de manter o anonimato antes de aparecerem na live do Desimpedidos?

Olé: A gente tinha essa questão até pelo começo, da galera entender o tipo de humor que a gente fazia, da questão de notícias fictícias, rolava algumas ameaças, algumas coisas mais complicadas. Isso meio que inibiu a gente no começo, de colocar a cara a tapa, de se mostrar, porque a intenção sempre foi impulsionar o site, o nosso trabalho, não necessariamente as figuras por trás dele. Mas aí, de uns tempos pra cá, a própria live ajudou, o prêmio que eu comentei também, que a gente apareceu, foi a primeira foto que a gente postou dos três foi no dia da premiação e a gente acabou vendo que a reação da galera tem sido mais positiva e eles, lógico, elogiam muito a nossa beleza que é bem exótica. Mas no geral, a gente acabou superando isso também. A gente não leva muito essa questão de aparecer, porque não tinha esse objetivo. Foi surgindo… Ninguém é bonito, não faz nada de diferente (risos)… A gente nunca escondeu, nunca deixou de ir a lugar nenhum porque iria aparecer, esse tipo de coisa… O que apareceu, a gente foi, mas também não ocultamos nada, não.

CL: E como foi ganhar o Prêmio de Influenciadores Digitais? Conta um pouquinho como foi essa conquista.

Olé: Foi muito legal pelo reconhecimento, a ideia que a gente teve de fazer notícia fictícia, a notícia pro pessoal achar que o Olé tinha acabado e votar na gente foi muito bacana e a premiação e o evento foi muito legal, e eu acho que um ponto importante desse prêmio pra gente foi que muitos dos que ganharam, de sites de humor até outras categorias, eram muitas pessoas ligadas ao YouTube, gente que produz conteúdo, são youtubers, gente que realmente coloca o seu rosto pra falar… E o Olé vai numa contramão disso, né?! A gente trabalha com texto, que é o site, as piadas e os memes pra colocar nas redes sociais, mas a gente tem um lado um pouco diferente. Estar lá participando como ganhador junto com esse pessoal serviu pra gente reforçar o trabalho de ter um alcance legal, o quanto a galera gosta também do que a gente faz.

CL: Qual foi a postagem que mais repercutiu além daquela do Adriano com a Hebe?

Olé: Essa do Adriano com a Hebe foi muito legal pra gente porque ela foi a primeira que aconteceu assim, né?! Que assustou a gente nos números… A gente teve uma, que foi na época da Copa do Mundo, que deve ter sido a que teve o maior alcance, que foi do David Luiz careca. Foi o dia que o Felipão tinha fechado o treino e ninguém sabia o motivo dele ter fechado, e tava aquela onda de meninada toda com a peruca do David Luiz… David Luiz era isso, era aquilo e aí a gente pegou e resolveu fazer uma notícia com três montagens, inclusive, que tinha acontecido um problema na concentração e tal, os caras fizeram uma brincadeira lá e o David Luiz perdeu e teve que raspar o cabelo. Então, isso foi parar no Trending Topics do Twitter e ficou aquela dúvida se ele tinha ficado careca ou não… Soltaram as imagens das montagens que a gente fez em vários jornais falando o que tinha acontecido… Pra gente, essa foi uma que foi muito legal porque não tem nada de ofensivo, não tem problema nenhum, e foi uma coisa bem na pegada do Olé, da notícia fictícia que rodou o mundo todo.

CL: Qual a importância do humor nessa era das redes sociais pra vocês?

Olé: Acho que é o mais importante… porque hoje em dia nas redes sociais o que tem mais é confusão, é a galera sempre dividida em dois lados na política, na sociedade, em qualquer coisa a galera começa a criticar. Então, se não tiver o humor, a gente acaba transformando as redes sociais num lugar muito irreal. Acho que o humor é uma ferramenta que pode trazer as pessoas pro chão, fazer a galera rir de si e rir dos outros, e manter a zoeira sempre saudável. Atualmente, o que bomba na internet ou é humor ou é problema, né?! As pessoas discutindo algum problema… A melhor forma da gente levar isso é com bom humor. Tem várias coisas que acontecem e a gente deixa de falar no Olé porque não sabemos qual vai ser a reação das pessoas. Concordar e discordar, todo mundo pode, mas partir pra forma agressiva da coisa, a gente pega e deixa de fazer, entendeu?!

CL: Pra finalizar, quais são os projetos do Olé pra 2017? Vocês têm alguma meta, um sonho pra realizar?

Olé: Tem alguns projetos que a gente pensa em fazer e melhorar a nossa questão de vídeo porque fazemos pouco, mas principalmente pelo que comentamos: nenhum dos três tem essa habilidade e pretensão de aparecer, então a gente tenta fazer algumas coisas… O que a gente já fez de vídeo foi com um boneco, o Custódio, que faz entrevistas… A gente quer achar esse lado de como fazer os vídeos do Olé funcionarem de uma forma legal e também tem a parte de ampliar cada vez o site, o alcance das nossas redes sociais, os seguidores, esse tipo de coisa, né?! A nossa meta em 2017 é chegar a 1 milhão de curtidas no Facebook. Conseguir alcançar essa marca é muito importante pra gente este ano.

CL: Manda um recado para os seguidores do Olé, os seguidores do Cenas…

Olé: Eu adoro o Cenas. O Dan e eu, a gente tem uma diferença muito próxima em relação ao Cenas porque o Dan não é um menino apreciador do álcool, o Luiz já é… Eu adoro o Cenas porque ele vai pelos dois lados: o futebol e da bebida, que são coisas que gosto muito, né?! Da sacanagem… E a gente adora fazer essas brincadeiras. Direto a gente manda uma mensagem, marca lá alguma coisa assim, que a gente tá relacionando… A questão do decreto foi uma marca muito legal que o pessoal conseguiu e acabou lançando uma moda, uma tendência, e isso é demais! Muita gente surfando nessa onda… E o Olé tenta juntar isso sempre que possível. A nossa mensagem é essa, sempre levar as coisas da melhor forma possível, levar na brincadeira e um pouco menos de mimimi. Pra nossa galera, é continuar acompanhando o Olé que vem novidade por aí.

Obrigado, Olé! Foi um prazer.

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