CL na Copa: Austrália não será saco de pancadas

Por Diego Giandomenico, RS

Uma das últimas seleções a se classificar para a Copa, a Austrália saiu na frente de seus rivais e fez sua pré-lista de convocados no dia 07/05.  Ao todo foram convocados 32 jogadores que atuam majoritariamente na Europa, mas tem gente do Oriente Médio, Japão, Coréia do Sul e no próprio país de origem. No dia 02/06, a lista final.

Se eu fosse escrever um texto sobre a participação australiana na Copa do Mundo há cerca de 6 meses , os prognósticos seriam terríveis. Jogadores esquecidos, em fases medianas ou ruins, time sem técnico, se classificando na bacia das almas contra Honduras. É, 2018 começou como uma cara de que as coisas vão ser melhores. Vamos aqui fazer a listagem dos atletas e depois destrinchar por setores como está a situação dos queridos Socceroos.

Convocados

Goleiros: Mat Ryan (Brighton-ING), Brad Jones (Feyenoord-HOL), Danny Vukovic (Genk-BEL), Mitchell Langerak (Nagoya Grampus-JAP).

Defesa: Aziz Behich (Bursaspor-TUR), Milos Degenek (Yokohama Marinos-JAP), Alex Gersbach (Lens-FRA), Matthew Jurman (Suwon Bluewings-KOR), Fran Karačić (NK Lokomotiva-CRO), James Meredith (Millwall-ING), Josh Risdon (Western Sidney Wanderers-AUS), Trent Sainsbury (Grasshopper-SUI), Aleksandar Šušnjar (Mladá Boleslav-CZE), Bayley Wright (Bristol City-ING).

Meio-campo: Joshua Brillante (Sidney FC-AUS), Jackson Irvine (Hull City-ING), Mile Jedinak (Aston Villa-ING), Robbie Kruse (Bochum-ALE), Massimo Luongo (QPR-ING), Mark Milligan (Al-Ahli-SAU), Aaron Mooy (Huddersfield-ING), Tom Rogic (Celtic-ESC), James Troisi (Melbourne Victory-AUS).

Ataque: Daniel Arzani (Melbourne City-AUS), Tim Cahill (Millwall-ING), Apostolos Giannou (AEK Larnaca-CPR), Tomi Juric (Luzern-SUI), Mathew Leckie (Hertha Berlin-ALE), Jamie Maclaren (Hibernian-ESC), Andrew Nabbout (Urawa Red Diamonds-JAP), Dimi Petratos (Newcastle Jets-AUS), Nikita Rukavytsya (Maccabi Haifa-ISR).

Mesmo com a lista reduzindo para 23 jogadores, falamos de todos os convocados, até para sabermos como foi o caminho para escolha e assim levarmos em consideração os pontos fortes e fracos da seleção. Por incrível que pareça, essa é a melhor seleção possível para se levar. Não tem lesões graves de nomes importantes, todos os jogadores estão chegando em sua melhor forma e inclusive alguns deles pediram dispensa dos clubes para poderem chegar 100% na Copa, como é o caso de Massimo Luongo.

Goleiro

Começando pelos goleiros, era muito claro aqui que tínhamos dois garantidos e uma briga pelo terceiro posto. Mat Ryan se transferiu para o recém-promovido Brighton e teve um início de Premier League bem ruim, inclusive vendo seu clube contratar o experiente Tim Krul para ser sua sombra. Bom, a tática deu certo e Mat Ryan melhorou e muito sua performance, sendo um dos destaques do time. Já Brad Jones, que teve a terrível história de ter que abandonar a seleção antes da Copa do Mundo de 2010, para tratar de seu filho doente – que veio a falecer um tempo depois – vê sua chance de finalmente ter uma Copa do Mundo no currículo aos 36 anos de idade. O goleiro vem de duas ótimas temporadas pelo Feyenoord, onde foi campeão holandês ano passado e da Copa da Holanda esse ano. Pelas atuações, os dois são presença quase certa, a discussão vem pela terceira vaga.

Mitchell Langerak sempre foi o reserva de Ryan, mas o ex-Borussia Dortmund vinha de passagens irregulares nos clubes que vestiu a camisa e somente agora, no Nagoya Grampus, é que vem ganhando tempo de campo, por isso ficou de fora. E quem entra é Danny Vukovic, que vem fazendo uma Campeonato Belga decente pelo Genk, que ocupa a 6ª colocação na classificação. A briga promete ser boa, com chance de ambos os goleiros irem para o Training Camp dos Socceroos (apenas 26 irão). A vantagem já estava do lado de Vukovic que foi convocado em março e garantiu o empate contra a Colômbia defendendo um pênalti cobrado por Borja.

Defesa

Já na defesa, temos o ponto baixo da seleção da Austrália. Aqui muita gente já jogou e ainda é uma zona de testes intensos, principalmente no maior Calcanhar de Aquiles australiano, a lateral direita. No centro de zaga temos alguns nomes confirmados: Trent Sainsbury deve ser titular após a boa sequência de jogos que vem fazendo pelos suíços do Grasshopper. Bayley Wright, que vem de temporada regular pelo Bristol City, chegou a surpreender a todos indo até às semifinais da Copa da Liga Inglesa. E temos algumas apostas.

Milos Degenek é a terceira opção de zaga, o ex-Munique 1860, faz excelente passagem no Japão, mas peca pela falta de velocidade que demonstrou nos últimos amistosos. Lembrando que tanto Mark Milligan quanto Mile Jedinak podem fazer a função, isso abre espaço para as apostas. Uma boa aposta que ficou de fora é Aleksandar Šušnjar, de 22 anos. O australiano radicado na República Tcheca foi convocado pela primeira vez em março, entrou contra a Colômbia e fez seu nome na lista inicial, mas não foi o suficiente. Por último, Matthew Jurman, que não é tão novo assim, mas foi uma aposta. Vem de uma temporada regular pelo Suwon Bluewings da Coreia do Sul.

Na lateral esquerda, Aziz Behich vem de uma temporada fraca em uma equipe que vem mal das pernas; e James Meredith emergiu junto com Millwall e ganhou sua convocação nos últimos amistosos. Alex Gersbach que aprecia esquecido voltou aos holofotes depois de boas aparições pelo Lens, mas não segurou a vaga.

A lateral direita é a zona mais fraca da Austrália, talvez pelo fato de que com Ange Postecoglu, o time atuava com três zagueiros e na lateral direita era um ponta que fazia a função. Porém o esquema mudou e agora correm atrás de alguém nessa posição. Josh Risdon foi a opção mais forte, já que o teste com Bayley Wright por ali falhou miseravelmente contra a Noruega.

Uma das maiores apostas dos Socceroos, Fran Karačić, ficou de fora. O zagueiro de 21 anos nunca pisou na Austrália, defendeu a base da Croácia até o sub-21 e talvez nem tenha fluência em inglês, mas despontava com grande possibilidade de aparecer por ali. Graças ao assistente técnico Ante Milicic (outro de ascendência croata), Karačić foi descoberto e seu futebol visto de perto. O técnico Van Marwijk gostou da liderança do garoto e pelo seu pai ser australiano, Karačić já tem o direito de representar a seleção. Mas na Copa do Mundo, só em 2022. Outra opção estudada por Van Marwijk seria usar Joshua Brillante na lateral, mas ele também ficou de fora da lista final.

Meio-campo

No meio-campo as coisas melhoram bastante, com os maiores destaques da temporada oriundos dessa posição. Mile Jedinak é um dos pilares da equipe e vem de atuações regulares pelo Aston Villa, o problema é que o meia de 33 anos já não é um garoto e os Villans ainda terão os duros playoffs para garantir uma vaga na Premier League, talvez chegue bem cansado. Mark Milligan é outro pilar que vem sendo discreto no Oriente Médio, mas que tem seu valor. Agora o resto do meio-campo vem em excelente forma. Jackson Irvine foi um dos melhores jogadores do Hull City na temporada. Massimo Luongo ganhou o prêmio de melhor jogador do QPR eleito pela torcida. Aaron Mooy é a base do Huddersfield. Robbie Kruse tem 7 gols e 5 assistência pelo Bochum, ajudando a equipe a se manter pela briga ao acesso à Bundesliga. James Troisi foi campeão com o desacreditado Melbourne Victory na Austrália, mas  ficou de fora da lista final, assim como Josh Brillante, que resgatou seu bom futebol mas não para garantir uma vaga. Já Tom Rogic tem sido incrível pelo Celtic e vai para a Rússia.


Ataque

O ataque sempre esteve inchado e com muitas opções, e deve ter sido difícil para Van Marwijk pensar no que fazer. Tim Cahill pediu abrigo no emergente Millwall e achou seu tempo de jogo para não ficar de fora da sua 4ª Copa do Mundo. O maior goleador da história, inclusive, foi muito elogiado por sua atuação fora de campo e é alvo de admiração por todos os companheiros. Estar entre os 23 finais foi definido principalmente pelo seu papel extra-campo já que dificilmente ele entrará, por não ter mais o gás de antigamente.

Além de Cahill, vão para a Rússia outros nomes, claro. Tomi Juric, atacante do Luzern que vem numa fase um pouco abaixo das expectativas, mas ainda é a opção que iniciará como titular. Jamie Maclaren e Apostolos Giannou ganharam a convocação inicial pela participação em seus clubes nos últimos jogos, mas Maclaraen ficou com a vaga. Nas pontas, as opções são Mathew Leckie, que começou muito bem sua temporada no Hertha Berlin mas que vem com atuações apenas regulares, Dimi Petratos, destaque do Newcastle Jets e Andrew Nabbout, recém transferido para o Japão. Nikita Rukavytsya vem fazendo um excelente papel num futebol que não é tão conhecido como o de Israel, e talvez por isso tenha sido cortado da lista final. Sem esquecermos de Daniel Arzani, a grande surpresa de 19 anos que falaremos melhor à frente. 

O Técnico

Bert van Marwijk. Você já deve ter ouvido esse nome em algum momento da sua vida. Esse nome em 2010 quase levou a taça da Copa do Mundo para sua casa, a Holanda. Não fosse o gol de Iniesta a 5 minutos do final da prorrogação, hoje Van Marwijk poderia ter no seu currículo um título inédito. Mas o destino não quis assim e o holandês de 65 anos vai para mais uma Copa, agora liderando uma nação desacreditada e sem lá grandes perspectivas.

Aliás, a classificação australiana para a Copa gerou um pedido de demissão. Logo após garantir a Austrália, o técnico Ange Postecoglu pediu demissão e deixou os Socceroos sem direção. Três meses de espera e a Austrália anunciou Van Marwijk para o cargo, só que engana-se quem pensa que ele vem planejando um longo e bom trabalho. Na verdade seu trabalho tem dia e hora marcados para acabar: até o final da campanha australiana na Copa do Mundo. Isso pode acontecer de maneira bem breve, caso se confirme a supremacia de França e Dinamarca no grupo C.

Antes de estar com os Socceroos, Van Marwijk dirigiu a Arábia Saudita, inclusive levando os Falcões Verdes para a Copa do Mundo depois de não terem conseguido em 2010 e 2014. Mas o que aconteceu logo após a classificação foi a demissão do técnico holandês e em seu lugar foi chamado Edgardo Bauza, ele mesmo. O problema é que Bauza foi mal demais e em apenas 2 meses os árabes pediram a volta de Van Marwijk. Só que ali já a havia a especulação dos Socerroos e ele não quis mais saber de ir até a Arábia Saudita somente para morar alguns meses por lá antes de embarcar pra Rússia. Resultado, 3 meses de contrato para ajudar a Austrália. 

Depois disso, quem assumirá a equipe será Graham Arnold, ídolo dos Socceroos na década de 80 e 90 e que já comandou a seleção em 2006 e 2007. Atualmente ele dirige o Sidney FC, que foi campeão da A-League ano passado e campeão da FFA Cup – a Copa do Brasil de lá – este ano.

As estrelas

Como disse no começo do texto, a Austrália está num momento melhor de vida do que há tempos. Não que isso signifique que você verá jogadores australianos dando show na Champions League, mas com certeza alguns deles são peças-chave em seus times. Comecemos pelo principal, Tom Rogic.

Tom Rogic, 25 anos – meio-campo – Griffith, Austrália

É inegável que o Tom Rogic tem um talento especial com a bola nos pés. Aliás, pela sua altura isso parece ser impossível. O cara tem 1,88 m de altura e consegue ter um bom controle de bola e é a mente criativa do heptacampeão escocês Celtic. Aliás, depois de uma boa temporada no Celtic Park, Rogic recusou a proposta de renovação e possivelmente assinará com outro clube, um dos interessados é o Southampton, que está lutando contra o rebaixamento na Premier League. Rogic fez 8 gols e 9 assistências na temporada, com 37 jogos até o momento. Por sinal, essa quantidade de jogos é bem abaixo do que ele poderia ter feito no ano e isso mostra seu principal ponto fraco: lesões.

Inclusive, na Copa de 2014 Rogic foi levado por Ange Postecoglu com esperança de que ele melhoraria fisicamente até o prazo para anunciar a lista final de convocados. Não deu certo e ele viu o Mundial de casa mesmo. Dessa vez parece estar tudo certo com ele, mas recentemente ficou 3 meses fora devido a uma lesão no joelho. Tom Rogic apareceu no mundo do futebol depois de ingressar na primeira turma da Nike Football Academy, em 2011, de lá foi para o Celtic e até o momento fez até o momento 129 partidas pelos Bhoys com 30 e 23 assistências. Já pela seleção da Austrália, Rogic fez 35 jogos com 7 gols anotados.

Massimo Luongo, 25 anos – meio-campo – Sidney, Austrália

Revelado pelo Tottenham, Luongo não teve muita sorte por lá. Jogou apenas uma única partida e perdeu o pênalti que eliminou o Tottenham da Copa da Liga Inglesa. Depois disso, foi emprestado ao Swindon Town e lá começou a brilhar sua estrela. Por lá, Massimo Luongo ajudou a equipe a sair da quarta divisão para a segunda divisão. Ao todo fez 102 jogos com 14 e 15 assistências. Isso o levou ao Queens Park Rangers. Ele já fez 109 jogos desde 2015 com 7 gols e 12 assistências. Mas foi na seleção australiana que teve seus momentos de maior glória. Em 2015, pela Copa da Ásia Luongo marcou dois gols na competição, inclusive um na final, e foi eleito o melhor jogador do torneio, levando a Austrália ao feito inédito. No total já anotou 5 gols pelos Socceroos em 34 partidas. Ainda falando de prêmios pessoais, esse ano Luongo foi eleito o jogador do ano pelos torcedores do QPR, o que mostra que está fazendo bem o seu papel perante a torcida. Luongo joga como segundo volante, mas que tem u bom drible. Seus pontos fortes são tomadas de bola e a contribuição pra defesa. Pensando na Copa do Mundo, Luongo pediu dispensa do QPR para se preparar bem. Será que vai surpreender o mundo?

Aaron Mooy, 27 anos – meio-campo – Sidney, Austrália

Aaron Mooy foi revelado pelo Bolton da Inglaterra, mas nunca atuou por lá profissionalmente, sua estreia foi St. Mirren, da Escócia. De lá, voltou para sua terra natal e jogou por Western Sidney Wanderers, onde conquistou a Champions da Ásia (única vez que um time australiano venceu), e Melbourne City. Como fruto do seu bom desempenho, ganhou um contrato com o Manchester City, clube que tem prioridade na compra de jogadores que se destacam nos clubes satélites. Mas ele mal chegou e já foi emprestado ao Huddersfield, que estava na Championship à época. Lá, surpreendeu a todos e levou o Huddersfield ao acesso, o que lhe garantiu um contrato definitivo com o clube de West Yorkshire. Na Premier League, seus números foram consistentes para um estreante num clube recém-promovido: 4 gols e 3 assistências em 34 jogos. Ou seja, Aaron Mooy foi essencial para o clube manter-se vivo na Premier League. Ele é um jogador forte, com boa marcação e que organiza o jogo com passes que ditam o ritmo de jogo dos Socceroos. Mooy é uma das esperanças para a Austrália tentar sobreviver na fase de grupos.

Mat Ryan, 26 anos – goleiro – Plumpton, Austrália

Mathew Ryan foi escolhido como substituto de Schwarzer para ser a referência australiana no gol. Ryan começou sua carreira debaixo das traves no Central Coast Mariners com apenas 19 anos. Já mais experiente, com 21 anos, foi campeão australiano e de lá foi contratado pelos belgas do Club Brugge. Foram dois anos que o nome do goleiro começou a chamar atenção pelo mundo, principalmente pelos pênaltis defendidos. Foi campeão da Taça da Bélgica e com isso ganhou seu passaporte para a Espanha, mais especificamente o Valencia. Lá ele jogaria no lugar do lesionado Diego Alves, que ficaria afastado por 7 meses. E também foi no Valencia que as lesões perseguiram Ryan. Já na chegada teve uma lesão que o afastou por três meses dos gramados. Ao voltar, não conseguiu estar na antiga forma e demorou para começar ter boas atuações. Uma série de outras lesões na temporada seguinte fez com que fosse emprestado ao Genk, da Bélgica.

Incrivelmente de volta à Bélgica, Ryan teve atuações decisivas, principalmente na Liga Europa, onde os belgas chegaram às quartas de final do torneio. Isso chamou a atenção do Brighton, que o contratou para ser o goleiro que lideraria o clube na Premier League. Nas primeiras rodadas Ryan teve algumas falhas, o que fez com que os Seagulls contratassem o experiente Tim Krul para ser sua sombra. O que deu muito certo, já que seu desempenho melhorou muito e ainda pegou três pênaltis ao final da temporada. Ryan é concentrado e tem nos pênaltis seu principal atributo. Com a experiência da Copa passada, onde tinha apenas 22 anos, Ryan pode na Rússia se destacar e ajudar os Socceroos na difícil batalha.

Quem pode surpreender?

A lista inicial da Austrália teve duas grandes surpresas, uma que era desejada pela imprensa australiana e outra que até agora ninguém sabe de onde saiu. Falemos primeiro da surpresa que ninguém conhece. Como dito acima, Fran Karačić nasceu na Croácia, nunca foi pra Austrália, e jogou nas seleções de base do seu país natal. Seu pai é australiano e isso foi o suficiente para garantir a convocação, mas quem o descobriu foi o assistente técnico Ante Milicic, que tem ascendência croata e estava vendo jogadores da região que poderiam ajudar os Socceroos. Karačić era uma opção excelente para a maior deficiência da Austrália, a lateral direita. Na verdade ele joga como zagueiro central, só que em algumas oportunidades foi utilizado nessa posição e agradou Milicic e Van Marwijk. Aos 21 anos, Karačić já é capitão do NK Lokomotiva e foi presente em 10 jogos pela seleção sub-21 da Croácia. É alto, forte e tem boa velocidade. Pela lista final, a conclusão é que sua convocação foi apenas para que não o perdessem para a Croácia. Quem sabe em 2022 ele disputa a competição?

O segundo nome da lista é o sonho e esperança de todos por lá, Daniel Arzani. O jovem atacante de 19 anos do Melbourne City, explodiu no ano passado, conquistou a titularidade na equipe e começou a alimentar o debate sobre sua convocação. Arzani nasceu no Irã e sua família se mudou para Sidney quando ele era apenas uma criança. Jogou em todas as seleções de base da Austrália, mas quando começou a se destacar, chamou a atenção dos iranianos. Para garantir o que pode ser sua grande estrela, a Austrália decidiu convocá-lo na pré-lista e também o manteve na lista final. Isso fará com que as expectativas sejam altas e resta saber se todo o seu talento e habilidade se provarão contra grandes potências.

Caminho até a Copa

Como talvez você já saiba, desde 2007 a Austrália faz parte da AFC e disputa as eliminatórias asiáticas. Isso, claro, não caiu também para os asiáticos, pois viram um adversário forte para brigar pelas poucas vagas que tinham. O que de fato se comprovou, já que a Austrália se classificou em 2010, 2014 e agora, 2018. Mas não foi tão simples assim.

Nessas eliminatórias, a Austrália sofreu um pouco mais do que de costume. Pela primeira vez nas eliminatórias asiáticas, os “grandes” enfrentaram os pequenos, entrando uma fase antes do que o normal. No primeiro desafio, a Austrália ficou no grupo das seguintes potências: Jordânia, Quirguistão, Tadjiquistão e Bangladesh. As coisas mostraram que seriam esquisitas ao ver que a Austrália perderia para a Jordânia por 2 a 0. Mas fora essa susto, os australianos passaram o rodo. Foram 7 vitórias, 29 gols marcados e apenas 4 sofridos.

Ao passar para fase final, os Socceroos enfrentaram Arábia Saudita, Japão, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Aqui, a Austrália mostrou toda a fragilidade do sistema armado por Postecoglu e viu o empate com a Tailândia como o fundo do poço. Na verdade foram 4 empates na sequência: Arábia Saudita, Japão, Tailândia e Iraque. Isso somado à derrota para os japoneses na penúltima rodada culminou na Austrália terminando na 3ª posição do grupo, o que obrigaria os Socceroos a jogar algo que eles já eram acostumados na Oceania: repescagem.

O adversário foi a Síria, seleção que tinha a simpatia do mundo inteiro e que enfrentava uma guerra civil que há muito a destruíra. Já do lado australiano, nem mesmo seu povo queria muito saber da seleção. Além do futebol já não ser tão popular, os Socceroos vinham de uma fase péssima. O cenário era perfeito para uma eliminação. No primeiro jogo a Austrália abriu o placar com Kruse, mas viu sua vantagem ruir com Al Somah marcando de pênalti no final. A decisão ficaria para a Austrália.

Lá, Al Somah novamente causou pânico e abriu o placar para os sírios, mas logo depois Cahill recebeu de Leckie e fez de cabeça o gol de empate. A partida foi para a prorrogação e lá os Socceroos contaram com Cahill mais uma vez. Num cruzamento alto na entrada da pequena área feito por Kruse, Cahill testa firme e garante a Austrália na repescagem mundial.

Contra Honduras, a Austrália fez bem seu papel fora de casa e dominou todo o jogo, mas acabou ficando no 0 a 0. No segundo jogo, Jedinak fez três gols e garantiu os australianos na Rússia, sem a tensão e os sustos do confronto anterior.

Histórico em Copa do Mundo

A história da Austrália em Copas do Mundo não é muito extensa, afinal essa será a quinta participação dos cangurus na principal competição de seleções do mundo. Antes de 2018, foram as seguintes edições: 1974, 2006, 2010 e 2014.

Em 1974, os australianos nitidamente estavam a passeio. Os Socceroos caíram no grupo de Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental e Chile. Os dois primeiros jogos contra as duas Alemanhas resultaram em derrota: 2 a 0 (Alemanha Oriental) e 3 a 0 (Alemanha Ocidental). Já contra o Chile, empate, porém ainda sem marcar gol.

Depois de passar perto da classificação em 94 (caindo na repescagem para a Argentina), 98 (caindo para o Irã), 2002 (caindo para o Uruguai), finalmente a sorte sorriu para a Austrália e os mais 80 mil torcedores presentes em Sydney. Aloisi fez o gol na disputa de pênaltis e garantiu a vaga sobre o Uruguai.

Em 2006 a Austrália fez a sua estreia contra o Japão e lá marcou seu primeiro gol. O autor, Tim Cahill. Aliás, a Austrália marcou seus primeiros três gols na competição ao vencer por 3 a 1 os japoneses: Cahill (2) e Aloisi deram os números da partida. Na segunda rodada a Austrália teve um grande desafio, que foi enfrentar o Brasil. Não resistiu e perdeu por 2 a 0 com gols de Adriano Imperador e Fred, porém fez um bom jogo e teve algumas chances de abrir o placar. No segundo tempo o Brasil fez valer sua superioridade.

Na última partida da fase de grupos, contra a Croácia, a Austrália tinha a vantagem do empate. E num dos jogos mais malucos da história, os Socceroos garantiram sua vaga com um empate em 2 a 2. No jogo teve de tudo, gol de pênalti do zagueiro Moore, falha grotesca do goleiro reserva da Austrália, Simunic recebendo 2 cartões amarelos e ficando em campo e gol do que possivelmente foi o melhor jogador do futebol australiano (não o mais importante), Harry Kewell. Enfim, com muito suor a Austrália chegaria pela primeira vez às oitavas de final e não fez feio. Contra a Itália, os Socceroos fizeram uma grande exibição e o jogo estava indo para a prorrogação quando Fábio Grosso se joga na área, o juiz apita o pênalti e Totti decreta a eliminação australiana.

Em 2010, a participação dos Socceroos é mais humilde, mas ainda com vitória. Apesar de serem goleados pela Alemanha por 4 a 0, empatam com Gana por 1 a 1 – jogando com um a menos por 70 minutos – e ganham da Sérvia por 2 a 1. Pelo saldo de gols a Austrália não se classifica e vê Gana ir para a próxima fase. O grande destaque desta Copa foi Brett Holman, que marcou dois gols na competição. Já Cahill deixou sua marca pela segunda vez seguida.

No Brasil, a geração de ouro australiana já tinha embora, apenas o highlander Cahill continuava. O resultado em campo mostrou que os bons tempos haviam passado: três derrotas. Tudo bem que o grupo da Austrália não ajudava. Com os finalistas de 2010 Espanha e Holanda e uma potência em formação, o Chile, não tinha muitas chances de dar certo. Mas, principalmente no segundo jogo, a Austrália deu um aperto na Holanda e Cahill marcou um dos gols mais bonitos do ano. No geral, os resultados foram: 3 a 1 pro Chile, 3 a 2 pra Austrália e 3 a 0 pra Espanha, jogo que não valeu nada e que os Socceroos jogaram com reservas.

Com esse histórico em Copas, a Austrália se aventurará em sua 5ª participação e agora veremos o quão difícil será esse teste.

Copa 2018 – Grupo C

A vida da Austrália não será nada fácil. No grupo estão duas fortes seleções europeias (França e Dinamarca) e uma seleção sul-americana (Peru).

Do lado europeu, a França tem status de potência e de uma das favoritas ao título. É difícil achar alguma seleção com um plantel tão recheado como os Bleus. Griezmann, Pogba, Kanté, Mbappé, Lloris, Varane, Umtiti, Lacazette, Rabiot, Lemar, Matuidi, Martial, etc. Enfim, você pode até achar que um ou outro nome não são lá grandes coisas, mas são jogadores que impõem respeito e tem muito mais cancha que os australianos. Além disso, o momento é bom. Venceram os anfitriões russos no último amistoso, porém perderam para os colombianos por 3 a 2 em março. Mas a classificação para a Copa saiu de maneira relativamente tranquila num grupo que tinha Holanda e Suécia como competidores. A França será o primeiro desafio australiano.

Na segunda rodada os Socceroos pegam a Dinamarca. Outra seleção com bons nomes como Eriksen, Schmeichel e Christensen e outros jogadores que vêm em boa fase e que podem surpreender. Até pelo futebol ofensivo praticado pelos nórdicos, a Dinamarca parece ser um desafio ainda mais intragável que a França para o frágil sistema defensivo australiano.

Na última rodada, os sul-americanos. Se tudo sair como os prognósticos apontam, Peru e Austrália cumprirão serviços protocolares, já que estarão devidamente eliminadas. Porém, é Copa do Mundo e surpresas acontecem. O Peru tem um time muito determinado e um treinador que tem se provado um bom profissional. Gareca levou o desacreditado selecionado a uma Copa depois de mais de 30 anos e agora o céu é o limite para os peruanos. Guerrero de volta depois da polêmica do antidoping é a principal arma, mas ainda tem Tapia do Feyenoord e Carrillo do Watford, além dos “brasileiros” Cueva e Trauco e o experientíssimo Farfán. Não será um jogo fácil para os Socceroos, com toda certeza.

Expectativas

Se você chegou até o final do texto, deve ter percebido que a Austrália não vai disputar o título, mas se você leu atentamente, saiu do pensamento comum que serão saco de pancada no grupo. As derrotas até poderão acontecer, mas talvez sejam vendidos por um alto preço. No primeiro jogo de Van Marwijk, A noruega atropelou os australianos por 4 a 1. Ali o técnico holandês teve uma ideia do que pode ou não fazer com o time. Resultado? Um jogo bem jogado contra a Colômbia e um 0 a 0 com gosto de vitória.

Na minha humilde opinião, a Austrália não passará da fase de grupos, mas tem uma boa chance de vitória contra os peruanos. Resta saber se fará um papel decente como em 2006 e 2010 ou se viajará à Rússia a passeio como em 1974 e 2014. 

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