CL na Copa: Costa Rica é Davi buscando se firmar como Golias

Apenas uma zebra ou o início de uma história?
Por Hugo Netto

Não tem outra forma de começar falando da Costa Rica, senão relembrando a enorme surpresa que foi na última Copa. Em 2014, fazendo sua melhor campanha entre as, até então, quatro participações no Mundial, “El Mata Gigantes” terminou em 8º lugar, e com a justíssima nova alcunha. Caindo no grupo da morte, foram tidos como certamente eliminados, mas calaram a todos, vencendo o Uruguai logo na primeira partida por 3 a 1. Depois bateram Itália, por 1 a 0, e empataram com a Inglaterra em 0 a 0. Nas oitavas de final, após empate por 1 a 1 contra a seleção da Grécia, converteram todas as cobranças de pênalti, sendo parados pela terceira colocada, Holanda, na próxima fase, também nas penalidades, após empate sem gols no tempo normal.

Não bastasse o grande feito de conseguir duas vitórias e um empate, jogando contra três campeões mundiais, isso tudo se torna ainda mais surpreendente levando em conta o recente retrospecto de “Los Ticos”. Sua primeira Copa foi a de 1990, na Itália, onde conseguiram se classificar para as oitavas em segundo lugar, no grupo com Brasil, a inexpressiva Escócia, e Suécia – antes de Ibra e Larsson. Mas, em seus próximos mundiais, ficaram para trás já na fase de grupos, em 2002 e 2006, sendo a penúltima colocada na Alemanha. Em 2010, mais uma vez, nem obtiveram a classificação.

A Costa Rica se tornou o que a Islândia vem sendo desde a Eurocopa de 2016. Conquistou a simpatia de muitos, ao verem o entusiasmo, força de vontade e autoconfiança que os atletas demonstravam. Alguns deles foram postos em evidência, ganhando as manchetes dos jornais de todo o mundo, e, mais tarde, oportunidades melhores para atuar por clubes.

Os Destaques

Some a queda de um ídolo por anos intocável a uma Copa do Mundo com defesas excepcionais, por parte do goleiro menos vazado, com apenas 2 gols sofridos, e que esteve o tempo todo ali, disputando a mesma liga. Foi assim que o Real Madrid fez de Keylor Navas quem ele é hoje. O goleiro, que durante a competição tinha 27 anos, já havia sido observado pelos Merengues em 2012, quando foi emprestado do Albacete (ESP) para o Levante (ESP), que tratou de comprá-lo em definitivo; mas, na época, ainda não havia a necessidade de reposição, gerada pela decadência de Casillas. Eleito o melhor goleiro do campeonato espanhol já em sua última temporada pelo Levante, o arqueiro, contratado por 10 milhões de euros, é extremamente ágil e possui o reflexo como seu ponto forte – quando chegou ao Real, foi divulgado um vídeo onde treinava com bolinhas de tênis – embora falhe muitas vezes no posicionamento. Tricampeão mundial de clubes, bicampeão da Champions League (e em sua terceira final) e campeão espanhol, Navas é sem dúvida o grande representante costarriquenho na Rússia.

Outro jogador que deu um grande salto em sua carreira na última Copa do Mundo foi o capitão Bryan Ruiz. Ele atua com versatilidade no ataque, podendo fazer as funções de ponta-esquerdo, meia-atacante ou atacante. Atualmente com 32 anos, atua pelo Sporting (POR) desde julho de 2015, quando foi comprado do Fulham (ING), um ano após ter protagonizado e conduzido a epopeia de sua seleção. Em Portugal, conquistou uma vez a Taça da Liga e a Supertaça, mas foi no Twente, da Holanda, que viveu seus melhores momentos. Foi com ele que seu time conquistou pela primeira vez na história o Campeonato Holandês, além de vencer também uma Copa e uma Supercopa. Em seu primeiro ano, foi artilheiro e eleito melhor jogador da equipe na temporada (assim como já havia acontecido no Gent – BEL, seu clube anterior). Jogando pelo país, é o quinto atleta com mais partidas disputadas, e o sétimo com mais gols marcados.

Mas o que mais chama a atenção nele é a aleatoriedade, digna dos “rolês” de Ronaldinho Gaúcho. Bryan foi campeão pelo Real Madrid, quando tinha apenas 10 anos. Isso mesmo! Porém, disputando um esporte um pouco menos convencional e, ouso dizer, apaixonante do que o futebol: hóquei em patins. Além disso, poderia facilmente fazer parte da equipe da Cenas Lamentáveis, pois já publicou 228 colunas no jornal esportivo de sua terra natal Al Día, entre 2011 e 2014.

¡Allá vamos, Rusia!

Na fase de grupos, nenhuma surpresa. La Sele ficou em primeiro lugar, com um aproveitamento de quase noventa por cento, jogando contra Panamá, Haiti e Jamaica – todas boas seleções a níveis de CONCACAF, mas nenhuma que fosse páreo. Em 6 partidas, empataram apenas com a nação do reggae, e marcaram 11 gols, tendo sofrido apenas 3.

Já no hexagonal final, na real disputa pela vaga, contra Estados Unidos, Honduras, México, Panamá e Trinidad e Tobago, a classificação veio de forma tão surpreendente como a zebra de 4 anos atrás. Começaram bem, chegando a golear os Estados Unidos (que também fizeram bonito no Brasil) por 4 a 0, na segunda rodada. Já na terceira, perderam de 2 a 0 do favorito México, e a partir daí se desestabilizaram, conseguindo apenas duas vitórias nas outras sete rodadas. A classificação veio no penúltimo confronto, jogando em casa contra a concorrente direta Honduras. Os anfitriões precisavam apenas de um empate e, desde o início do jogo, esse objetivo ficou bem claro. Conseguiram segurar os visitantes até a metade do segundo tempo, quando Hernández recebeu um cruzamento da esquerda e colocou, com a cabeça, seu país na frente. Mas, como os costarriquenhos gostam mesmo é do heroísmo, aos cinquenta minutos do segundo tempo, o craque do time Bryan Ruiz fez uma linda finta pela ponta direita, e cruzou com a perna que não é a boa para o zagueiro Waston cabecear, subindo mais alto que todos – “assim como cada cidadão costarriquenho”, nas palavras do narrador – e cravar a classificação em segundo lugar geral.

https://twitter.com/TeleticaTD7/status/916817140065472513

Grupo E

O primeiro compromisso da Costa Rica na Copa do Mundo da Rússia é contra a Sérvia, no domingo, 17 de junho, às 09 da manhã. Será na cidade de Samara, no último estádio a ser concluído, e que foi erguido exclusivamente para a competição, a Arena Cosmos. Na segunda rodada (sexta-feira, 22 de junho, também às 09 horas), o objetivo é matar, dessa vez, o maior dos gigantes do futebol mundial. A seleção pega o Brasil no Estádio Krestovsky, que demorou dez anos para ficar pronto, em São Petersburgo, cidade que é considerada a metrópole mais “ocidentalizada” do país. E, fechando a participação costarriquenha na fase de grupos, encaram a Suíça, no estádio que tem, possivelmente, o nome mais difícil de todos: o Nizhny Novgorod Stadium, na cidade de Níjni Novgorod. Esse jogo acontece no dia 27 de junho, quarta-feira, às 15 horas.

Alguns números do comandante

O treinador Óscar Ramírez, que participou, como jogador, da primeira Copa do Mundo disputada por seu país, em 1990, tem 53 anos e ocupa o cargo desde o dia 18 de agosto de 2015. Nesse período de pouco mais de 1000 dias, já comandou a seleção em 40 partidas, saindo com 19 vitórias, 10 empates e 11 derrotas. A média de gols feitos pelo time, em seu mando, é de 1,18 por partida e, de gols sofridos, 0,9. Já utilizou 60 jogadores diferentes na busca pela seleção ideal, e seu esquema preferido para isso é o 5-4-1. Além da seleção, comandou apenas outros 3 clubes, desde 2002, 2 anos após sua aposentadoria como meio-campista.

Los Ticos de 2018

O auxiliar técnico Alejandro Larrea já deixou claro que espera que sua seleção consiga fazer como em 2014 e surpreender novamente. Para isso, prega que a chave é não subestimar, nem superestimar seus adversários. Para buscar resultados parecidos, o técnico Óscar Ramírez convocou treze, dos vinte e três jogadores que disputaram o último mundial. Um fato curioso é que o irmão de Bryan Ruiz, Yendrick Ruiz, foi um dos atletas convidados a participar dos treinos na concentração. Os que têm a missão de ampliar o legado iniciado quatro anos atrás são estes:

Goleiros: Keylor Navas – Real Madrid (Espanha), Patrick Pemberton – LD Alajuelense(Costa Rica) e Leonel Moreira – CS Herediano (Costa Rica);

Defensores: Cristian Gamboa – Celtic (Escócia), Ian Smith – Norrköping (Suécia), Ronald Matarrita – New York City F.C (Estados Unidos), Bryan Oviedo – Sunderland (Inglaterra), Óscar Duarte – Oviedo (Espanha), Giancarlo González – Bologna (Itália), Francisco Calvo – Minnesota (Estados Unidos), Kendall Waston – Vancouver Whitecaps (Canadá) e Johnny Acosta – Águias Douradas (Colômbia);

Meio-campistas: David Guzmán – Portland Timbers (Estados Unidos), Yeltsin Tejeda – FC Lausanne-Sport (Suíça), Celso Borges – La Coruña (Espanha), Randall Azofeifa – Herediano (Costa Rica), Rodney Wallace – New York City FC (Estados Unidos), Bryan Ruiz – Sporting (Portugal), Daniel Colindres – Saprissa (Costa Rica), Christian Bolaños – Saprissa (Costa Rica);

Atacantes: Johan Venegas – Saprissa (Costa Rica), Joel Campbell – Betis (Espanha), Marco Ureña – Los Angeles FC (Estados Unidos)

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