CL na Copa: No Peru, é hora de se reinventar

Seleção quer mostrar que pode passar de fase, mesmo sem seu principal jogador

Após 26 anos, a seleção blanquirroja volta a disputar uma Copa do Mundo (Foto: Reprodução / FPF)
Por Dudu Nobre, PR

A população peruana está em festa. Após 36 anos assistindo outros países celebrarem a maior competição futebolística do planeta, em 2018 ela poderá torcer novamente pela seleção blanquirroja em um mundial.

O caminho até a Rússia foi marcado pela superação. Os peruanos começaram mal, vencendo apenas uma partida nas sete primeiras rodadas. O desempenho foi melhorando ao longo do tempo, mas a grande “guinada” aconteceu após a 13ª rodada, em que a equipe saiu para o intervalo perdendo por 2 a 0 e foi buscar um empate contra a Venezuela, fora de casa.

A partir dali o Peru não perdeu mais, acumulando resultados importantes como as vitórias contra Uruguai (em casa) e Equador (fora), além do empate contra a Argentina em plena Bombonera.

A arrancada fez com que a seleção terminasse em 5° lugar na tabela, o que colocou a Nova Zelândia no caminho do sonho inca. Mesmo não sendo uma potência sul-americana, o Peru foi superior a equipe da Oceania, empatando em Wellington e vencendo em Lima para voltar ao principal torneio do futebol mundial.

Essa será a quinta participação peruana em Copas. Além da edição deste ano, La Blanquirroja jogou os mundiais de 1930, 1970, 1978 e 1982. Destas atuações, a única digna de aplausos foi a do torneio disputado no México, quando o time de Cubillas e companhia só parou na seleção brasileira, ficando na sétima posição.

Nas outras participações, duas campanhas ruins (10° lugar em 1930 e 20° em 1982) e uma Copa marcada por uma partida. Mesmo tendo uma equipe que havia conquistado uma Copa América naquele ciclo, o elenco de 1978 será sempre lembrado pela denúncia de entregar o resultado de 6 a 0 à Argentina, garantindo a anfitriã na decisão daquele mundial. A seleção terminou com o 8º lugar naquela edição.

Os torcedores queriam esquecer esse episódio nebuloso e encarar essa Copa como um momento de euforia. Porém, faltando um mês para o início da competição, a equipe peruana sofreu uma grande baixa.

Guerrero foi o artilheiro da seleção nas Eliminatórias com seis gols (Foto: Juan Mabromata / AFP)

A punição imposta a Guerrero e as alternativas de Gareca

Artilheiro peruano nas eliminatórias com seis gols, Paolo Guerrero ficou meio ano sem jogar como punição pelo uso da substância benzoilecgonina, um metabólito da cocaína e da folha de coca. Após ser julgado pela Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, no dia 14 de maio, Paolo foi condenado a cumprir mais oito meses de punição, ficando de fora da festa.

Com a ausência, a missão de manter o elenco peruano forte é de um velho conhecido do futebol brasileiro: Ricardo Gareca. Após ter uma carreira de pouco mais de quinze anos como atacante, El Tigre iniciou no comando técnico do Talleres-ARG, onde venceu a Copa Conmebol de 1999. De lá pra cá, dirigiu seis equipes de seu país natal (além do Talleres, Independiente-ARG, Colón-ARG, Quilmes-ARG, Argentinos Juniors-ARG e Velez Sarsfield-ARG), dois times colombianos (América de Cali-COL e Santa Fé-COL), um peruano (Universitario-PER) e um brasileiro (Palmeiras).

Após sair do alviverde, Gareca assumiu a seleção peruana em 2 de março de 2015, disputando a Copa América Centenário daquele ano (onde ficou em terceiro lugar, eliminando o Brasil) e as Eliminatórias para o Mundial da Rússia.

Nos 20 jogos em que dirigiu La Blanquirroja até a conquista da vaga à Copa (contando as duas partidas da repescagem contra a Nova Zelândia), El Tigre teve oito vitórias, seis empates e seis derrotas, viu seu time marcar 29 gols e sofrer 26.

Nas quatro partidas disputadas após a primeira condenação de Paolo, os confrontos contra o país oceânico mais dois amistosos (frente à Croácia e Islândia), o argentino testou dois jogadores na referência: Jefferson Farfán e Ruidíaz.

Pela experiência e o título recente do campeonato russo pelo Lokomotiv Moscou-RUS, marcando 10 gols na temporada, Farfán é o mais cotado para ser titular. Outro fator que reforça a preferência por Jefferson é o retrospecto de Ruidíaz com Gareca nas Eliminatórias: de 20 participações, em 16 o atacante do Monarcas Morella-MEX iniciou as partidas no banco.

O ataque não é o grande fator que interfere na variação de esquemas táticos da Seleção, mas sim o meio-campo. Quando Ricardo precisa de um poder maior de marcação e da precisão dos lançamentos de Yotún, ele opta por um 4-2-3-1, usado por dez vezes no ciclo.

Se for necessário privilegiar a criação de jogadas em passes rápidos, a opção é armar o time em um 4-1-4-1, usado três vezes. Atualmente, esse esquema possibilita que Cueva e Carrillo joguem próximos. Com a ida de Farfán para dentro da área, Hurtado e Andy Polo disputam uma vaga nas pontas.

O lateral Luis Abram foi transferido recentemente ao Vélez Sarsefield-ARG e já assumiu a titularidade no clube argentino (Foto: Reprodução / FPF)

Pré-convocação e disputa pelas últimas vagas

A decisão da Corte Arbitral do Esporte foi na mesma data em que Gareca deveria apresentar uma pré-lista de convocados. Naquele 14 de maio, ele convocou 24 atletas. Com a saída de Guerrero, foi especulado o nome do veterano Cláudio Pizarro, do Colônia-ALE, mas o centroavante de 39 anos não foi chamado.

O treinador precisará cortar um nome, e duas posições apresentam boas disputas. Na lateral-esquerda, Luis Abram, do Vélez Sarsefield-ARG, e Nilson Loyola, do Melgar-PER, brigam pela reserva de Trauco. Já na meia cancha, Sergio Peña, do Granada-ESP, e Wilder Cartagena, do Veracruz-MEX, buscam uma vaga.

Se Cartagena for chamado, será o sétimo atleta do futebol mexicano a integrar La Blanquirroja. Outros países da América Latina irão ceder atletas à seleção, casos de Colômbia e Brasil.

Do nosso futebol vem um dos atletas que tem a missão de ser uma liderança técnica na equipe. O meia são paulino Cueva é, de longe, o mais lembrado por Gareca nesse ciclo vitorioso. O jogador acumulou 21 convocações entre qualificatórias, repescagem e amistosos, sempre iniciando como titular. Jogando pela faixa central do campo, Cueva colecionou quatro gols e três assistências ao longo das eliminatórias.

Outro destaque peruano vem da MLS. O torcedor do Vasco certamente irá se lembrar de Yotún na lateral esquerda cruzmaltina. De 2013 pra cá o atleta passou por Sporting Cristal-PER e Malmo-SUE até desembarcar no Orlando City-EUA, seu atual clube. Deslocado da lateral para a “volância”, Yotún passou a se notabilizar pelas assistências: foram quatro nas eliminatórias, o melhor da seleção nesse quesito. No início da temporada 2018 da MLS, fez cinco em nove jogos.

Já citado anteriormente, Farfán é um dos mais “cascudos” da equipe. O atacante teve um ciclo instável, chegando a ficar de fora em nove convocações consecutivas durante as Eliminatórias. Todavia, cresceu no momento certo, estando presente nas quatro últimas listas antes da escolha final, marcando um dos gols na partida decisiva contra a Nova Zelândia.

Com incógnitas e méritos, a seleção peruana volta a um mundial. Tendo a França como principal seleção do grupo C, a missão do Peru é superar a Dinamarca, candidata a lutar com o país sul-americano pela segunda vaga. No entanto, o jogo contra Austrália é fundamental, pois um tropeço pode ser determinante para uma eventual eliminação.

Se mantiver o ritmo ofensivo que apresentou nas últimas partidas, pressionando a saída de bola, e corrigir o posicionamento da defesa em jogadas aéreas, La Blanquirroja tem boas chances de mostrar que não foi à Rússia a passeio.

Os 24 pré-convocados por Gareca para representarem o Peru na Rússia são:

GOLEIROS

Gallese (28 anos) – Veracruz-MEX

18 convocações, 16 jogos como titular

Cáceda (26 anos) – Deportivo Municipal-PER

16 convocações, quatro jogos como titular

Carvallo (32 anos) – UTC Cajamarca-PER

16 convocações

LATERAIS DIREITOS

Advíncula (28 anos) – Lobos Buap-MEX

16 convocações, 10 jogos como titular

Aldo Corzo (28 anos) – Universitario-PER

17 convocações, 12 jogos como titular

LATERAIS ESQUERDOS

Trauco (25 anos) – Flamengo

15 convocações, todas como titular

Nilson Loyola (23 anos) – Melgar-PER

16 convocações, uma como titular

Luis Abram (22 anos) – Vélez Sarsefield-ARG

Oito convocações, dois jogos como titular

ZAGUEIROS

Christian Ramos (29 anos) – Veracruz-MEX

21 convocações, 16 jogos como titular

Alberto Rodríguez (34 anos) – Junior Barranquilla-COL

15 convocações, 13 jogos como titular

Miguel Araujo (23 anos) – Alianza Lima-PER

11 convocações, um jogo como titular

Santamaría (26 anos) – Puebla-MEX

15 convocações, dois jogos como titular

VOLANTES

Tapia (22 anos) – Feyenoord-HOL

19 convocações, 17 jogos como titular

Yotún (28 anos) – Orlando City-EUA

19 convocações, 14 jogos como titular

Pedro Aquino (23 anos) – Lobos Buap-MEX

15 convocações, três jogos como titular

Wilder Cartagena (23 anos) – Veracruz-MEX

Seis convocações

MEIAS

Carrillo (26 anos) – Watford-ING

13 convocações, 12 jogos como titular

Cueva (26 anos) – São Paulo

21 convocações, todas como titular

Sergio Peña (22 anos) – Granada-ESP

11 convocações, um jogo como titular

Hurtado (27 anos) – Vitória de Guimarães-POR

12 convocações, um jogo como titular

Edison Flores (23 anos) – AaB Aalborg-DIN

17 convocações, 14 jogos como titular

Andy Polo (23 anos) – Portland Timbers-EUA

16 convocações, quatro jogos como titular

ATACANTES

Farfán (33 anos) – Lokomotiv Moscou-RUS

12 convocações, 10 jogos como titular

Ruidíaz (27 anos) – Monarcas Morelia-MEX

20 convocações, quatro jogos como titular

Tabela de Jogos

Grupo C

1ª rodada: Peru x Dinamarca, sábado (16) às 13h em Saransk.

2ª rodada: França x Peru, quinta (21) às 12h em Ecaterimburgo.

3ª rodada: Austrália x Peru, terça (26) às 11h em Sochi.

Fontes: AsDepor.comEl ComercioEl EspectadorEl UniversoGaúcha ZHGloboesporte.comLa RepublicaMLSOrlando CityPalmeirasUOLVeracruz.

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