CL na Copa: Portugal tenta afastar fantasma com time confiante

Por Victor Souza, CE

Os gajos de Portugal chegam a esta Copa do Mundo de 2018 no melhor momento da história de sua seleção. Com a conquista inédita da Eurocopa de 2016, os lusos irão à Rússia com uma equipe mesclada por experiência e juventude em todos os setores e com o sucesso recente que conseguiram será um dos times mais temidos em todo o mundial.

Quem é Portugal?

Portugal é um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes e que possui um campeonato que funciona como uma espécie de vitrine dos seus jovens talentos para as ligas mais ricas da Europa. Seus principais clubes têm tradição em revelar bons jogadores e também em pinçar boas revelações oriundas das Américas e da África, sendo reconhecido como uma porta de entrada no cenário europeu para os atletas que buscam se adaptar às terras europeias num torneio de menor competitividade em relação às grandes ligas continentais. As equipes portuguesas já não conseguem grandes feitos nas competições continentais há algum tempo e mesmo os times mais fortes do seu campeonato nacional se notabilizam mais pelos bons negócios que conseguem fazer ao vender atletas promissores para os esquadrões mais ricos dos outros países do que por boas campanhas europeias.

Por toda a sua tradição de ser um país desenvolvedor de talentos para os palcos mais importantes do futebol da Europa, Portugal se notabilizou em buscar talentos estrangeiros nos seus clubes. Sendo Sporting de Lisboa e Benfica os clubes com maiores tradições em desenvolver atletas lusitanos que pudessem contribuir para a seleção. Hoje os grandes jogadores do país jogam em times estrangeiros, muitos tendo saído do país ainda bem jovens, e com isso conseguem trazer a esperança para a torcida de que uma nova geração bastante promissora deve garantir o futuro da nação no esporte por mais alguns anos.

A mudança de patamar

Portugal sempre foi um time dependente dos destaques individuais em sua seleção de futebol, nunca conseguindo formar uma equipe que pudesse ser esteio e que acompanhasse o nível dos maiores jogadores que o país já produziu em suas respectivas gerações. Eusébio (o Pantera Negra) conseguiu conduzir sua seleção a um 3º lugar de Copa do Mundo em 1966 (melhor campanha lusa na história da competição) sendo o artilheiro, com nove gols. Esta foi a única oportunidade que ele teve de disputar o torneio na carreira.

Luís Figo nos anos 90 e no início dos anos 2000 até teve companheiros que tiveram relativo sucesso jogando no futebol europeu para além da terrinha, mas nunca o suficiente para conseguirem passar do vice-campeonato em casa na Eurocopa de 2004 e do quarto lugar na Copa do Mundo de 2006. Figo até chegou a dividir o vestiário da seleção portuguesa com Cristiano Ronaldo (hoje considerado o maior jogador da história de Portugal), mas o gajo ainda era uma jovem revelação e a convivência de ambos serviu mais para a preparação de uma passagem de bastão da liderança da seleção.

Cristiano Ronaldo durante muito tempo conviveu com as críticas de render muito mais pelos clubes em que atuava do que pela seleção portuguesa, visto que ainda era apenas uma revelação no fiasco da Eurocopa de 2004 e pouco pôde fazer para evitar a decepção da nação e um jogador instável nas aparições em Copas do Mundo. Somente a partir das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2014 que a situação começou a mudar para o gajo na visão da torcida lusa sobre ele, foram os seus três gols salvadores na repescagem contra a Suécia (naquele jogo épico) que classificaram o selecionado português para vir ao Brasil. Cristiano é hoje o recordista em jogos, o maior artilheiro, o capitão dos lusos e conseguiu ajudar o seu país a ganhar pela primeira vez um campeonato de seleções de expressão: a Eurocopa de 2016.

Foi o torneio disputado na França e vencido de forma surpreendente e inédita pelos portugueses que fez a equipe mudar de patamar no cenário mundial do futebol.

Pela primeira vez o time conseguiu mostrar que não dependia unicamente do seu principal jogador (no caso, Cristiano Ronaldo fez um torneio apagado e lesionou-se no primeiro tempo da final) e com um gol do seu atacante reserva, Éder, na prorrogação conquistou a Europa. Foi um momento simbólico por representar toda a quebra histórica de se tornar, enfim, uma seleção vencedora, de finalmente não depender de sua maior estrela para tentar conquistar algo e de se provar uma equipe capaz de produzir um bom elenco. Portugal passa a ser temido de fato e ser percebida como uma seleção capaz de ganhar campeonatos, não somente a fazer figuração.

Cristiano é o grande líder da equipe, mas sabe que agora tem companheiros ao seu lado que podem distribuir a responsabilidade de decidir jogos e que o time possui atletas com um futuro brilhante à frente (sendo o atacante do Real Madrid o grande responsável por tirar a pressão dos ombros dos garotos e trazer os holofotes para si). Portugal tem a perspectiva de talvez crescer ainda mais em termos de resultados, mas Ronaldo sabe que esta é a sua última chance de passar da condição de herói a de “Deus” para os seus compatriotas se conseguir conquistar a Copa do Mundo de 2018.

Como chegou à Copa?

A seleção portuguesa fez a melhor campanha da sua história nas eliminatórias europeias, ganhando 90% dos pontos possíveis e se classificando com tranquilidade para a Copa. Essa classificação sedimenta ainda mais a formação da equipe e o trabalho do técnico Fernando Santos a frente do selecionado português. O grande feito desta ida ao mundial é a quinta chegada consecutiva dos gajos a competição, visto que antes só haviam disputado a mesma em 1966 e 1986.

Foram 10 jogos disputados nas eliminatórias europeias e 27 pontos alcançados, dando aos lusos a confiança para chegar no melhor momento de sua história a Copa do Mundo. A seleção chega à Rússia com um forte apoio da torcida e da imprensa, uma boa leva de jogadores capazes de já fazerem a diferença em campo neste mundial, mas principalmente nos próximos torneios.

A impressão geral é de que esta é a equipe mais completa de Portugal na história, com bons jogadores em todos os setores do campo e peças de reposição a altura. Um trabalho técnico já consolidado e um grupo de atletas que já entendeu bem a proposta de jogo do treinador também fortalecem essa percepção de que os lusos chegam fortes e prontos a surpreender na Copa do Mundo de 2018.

Os destaques

Como já dissemos anteriormente, Portugal sempre foi uma equipe de um grande destaque individual e um ou dois jogadores que conseguiam serem os outros jogadores de bom nível do time. Mas desta vez é diferente, Cristiano Ronaldo, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva tem companheiros de um excelente nível em todas as posições – estes três jogadores portugueses foram os que obtiveram mais destaque nesta temporada europeia.

Cristiano Ronaldo chega sem lesões e bastante descansado em relação às duas últimas Copas que disputou, quando se esforçava ao máximo no Real Madrid durante a temporada e chegava muito desgastado para os compromissos da seleção. O gajo luta por sua sexta bola de ouro na carreira e uma boa Copa ajudaria bastante a encaminhar mais esta conquista na sua espetacular trajetória no futebol, visto que fez uma excelente Champions League ajudando seu time a chegar a final da competição pela terceira vez seguida (feito inédito na história moderna da competição).

Gonçalo Guedes conseguiu deixar o rótulo de promessa para trás e fez uma grande temporada pelo Valencia da Espanha, conduzindo a equipe a uma boa campanha no Campeonato Espanhol e gerando o interesse de equipes de maior expressão na Europa. Já Bernardo Silva conseguiu virar titular do badalado Manchester City de Pep Guardiola e provou o seu valor em um campeonato de maior expressão que o francês, de onde veio anteriormente do Mônaco. Mostrando ser um jogador de bastante qualidade e pronto para brilhar na Copa do Mundo, amadurecendo seu futebol e se tornando presença constante como titular da seleção.

André Silva é outro a ser mencionado. Desde a aposentadoria de Pauleta que Portugal vivia uma crise de atacantes na seleção, mas o jovem português fez uma excelente eliminatória e parece pronto para ser o companheiro de ataque ideal de Cristiano Ronaldo. Apesar da temporada ruim no Milan da Itália, chega com moral na seleção e sendo bancado como titular pelo técnico Fernando Santos. O veterano Pepe é a pedra-angular da defesa, tendo se tornado um jogador mais estável mentalmente e mantendo-se longe das confusões que sempre protagonizava. Há ainda Ruben Neves no meio de campo juntamente com João Moutinho como um equilíbrio entre juventude e experiência num setor vital da equipe, juntos ao eterno Ricardo Quaresma formam a espinha dorsal dos lusitanos.

O treinador

Fernando Santos assumiu o cargo de treinador da seleção portuguesa após o fiasco da Copa de 2014 sob o comando de Paulo Bento, onde os lusos foram eliminados na primeira fase. O comandante conseguiu classificar a equipe para a Eurocopa de 2016 em primeiro lugar do seu grupo, levando em seguida a desacreditada equipe lusitana à conquista inédita do torneio.

Fernando Santos tem conseguido conduzir muito bem o processo de renovação da seleção portuguesa, trazendo a esperança de que o melhor talvez ainda esteja por vir, aliando a juventude talentosa de alguns jogadores à experiência e qualidade dos jogadores que já estavam da geração anterior. O treinador é o grande responsável pelo amadurecimento da equipe para uma proposta de jogo e pela busca da independência da figura de Cristiano Ronaldo para bom o funcionamento do time.

O treinador luso tem muito respeito da mídia e de seus compatriotas pelo título conquistado e pela condução da equipe até aqui, conquistando resultados expressivos para a história do futebol português. Ele é responsável por fortalecer novamente o orgulho nacional pela sua seleção e fazer torcida e time jogarem juntos como há algum tempo não ocorria pelos lados da terrinha (desde o período de Felipão a frente do comando técnico).

Quem serão os jogadores na Copa?

Os escolhidos são:

Goleiros:

Anthony Lopes (Lyon-FRA)

Beto (Goztepe, TUR)

Rui Patrício (Sporting-POR)

Defesa:

Bruno Alves (Rangers, ESC)

Cédric Soares (Southampton, ING)]

José Fonte (Dalian Yifang, CHI)

Mário Rui (Napoli, ITA)

Pepe (Besiktas, TUR)

Raphael Guerreiro (Borussia Dortmund, ALE)

Rúben Dias (Benfica, POR)

Ricardo Pereira (Porto)

Meio-campistas:

Adrien Silva (Leicester, ING)

Bruno Fernandes (Sporting)

João Mário (West Ham, ING)

João Moutinho (Monaco, FRA)

Manuel Fernandes (Lokomotiv Moscou, RUS)

William Carvalho (Sporting)

Atacantes:

André Silva (Milan, ITA)

Bernardo Silva (Manchester City, ING)

Cristiano Ronaldo (Real Madrid, ESP)

Gelson Martins (Sporting)

Gonçalo Guedes (Valencia, ESP)

Ricardo Quaresma (Besiktas, TUR)

Jogos na Copa

Portugal está no Grupo B e terá o seu jogo mais difícil logo na estreia. Jogará contra a forte seleção da Espanha no dia 15 de Junho em Socchi. Em seguida, no dia 20, enfrentará o Marrocos em Moscou. Por último, na primeira fase, terá o jogo com a seleção iraniana, no dia 25, em Saransk.

É esperado que Portugal dispute a primeira posição do grupo com a seleção espanhola, mas terá que tomar cuidado com as seleções marroquina e iraniana para não escorregar e se perder numa primeira fase que tem tudo para ser fácil. Os comandados de Fernando Santos devem estar bem concentrados para evitar zebras e assim tentarem conseguir fazer história nas fases seguintes da competição.

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