Cláudio Coutinho: Pai de uma geração de ouro

O capitão do exercito que comandou um time extramente talentoso

Duas figuras icônicas do flamengo: Coutinho e zico Foto: (Arquivo/Flamengo)
Por: Lucas Bastos Gabriel, SC

Claudio Pecego de Moraes Coutinho é um dos técnicos mais importantes da história do futebol nacional, o gaúcho que foi capitão do exercito brasileiro, também se interessava pelos esportes e se formou na escola de educação física do exercito. Também foi o arquiteto do melhor esquadrão do flamengo de todos os tempos.

Coutinho nasceu dia 5 de janeiro de 1939, em Dom Pedrito no, cidade do Rio Grande do Sul que faz fronteira com o Uruguai, chegou ao Rio de Janeiro ainda criança. Já na antiga capital do Brasil, ingressou na escola militar, onde permaneceu e se tornou capitão, ainda se formou na Escola Superior de Educação Física do Exército (EsEFEx), após formado foi estudar nos Estados Unidos no laboratório de Estresse Humano da NASA e defendeu sua tese de doutorado na França.

Sua carreira no futebol começou da melhor forma possível, estava na delegação da seleção brasileira que disputou a Copa de 1970 como preparador físico, depois passou por Vasco da Gama e seleção peruana, voltou a seleção canarinho para Copa de 1974 como coordenador técnico e passou também pelo Olympique de Merseille como preparador físico.

Zagallo, Parreira e Coutinho integraram a delegação Técnica do Brasil em 1970 Foto: ( Reprodução/ blog Cosme Rimoli)
Zagallo, Parreira e Coutinho integraram a delegação Técnica do Brasil em 1970 Foto: ( Reprodução/ blog Cosme Rimoli)

Em 1976, teve sua primeira oportunidade como técnico, algumas semanas antes do inicio dos jogos olímpicos de Montreal e obteve o quarto lugar nas olimpíadas. Chegou no rubro-negro carioca em setembro de 1976, no lugar de Carlos Froner, estreou com vitória sobre o Sport por 3 a 0 no Maracanã.

A primeira passagem no mais querido não foi muito longa, pois no dia 27 de fevereiro de 1977, Coutinho é anunciado pela CBD como novo técnico da seleção no lugar de Osvaldo Brandão. O anúncio não foi bem recebido tendo em vista que Cláudio tinha pouca experiência como técnico, mas é entendível pois trabalhou em duas copas e comandou a seleção nos jogos olímpicos do ano anterior.

Trouxe conceitos europeus para o futebol da seleção, tinha como inspiração o carrossel holandês de Cruyff, no qual defendia que nenhum jogador podia guardar posição e sempre possa fazer mais de uma função durante o jogo. Essência de jogo muito usado na Europa até hoje.

Classificou a seleção para a Copa de 1978, seu espírito de jogo não estava dando certo, mas Coutinho não abandonou suas convicções. A maior crítica a ele foi quando anunciou os jogadores que iriam para a Copa e nela não estava Falcão, um dos melhores armadores da época, e levou Chicão do São Paulo, que não era técnico e sim bruto. A seleção estreou com um empate controverso com a Suécia em que o arbitro anulou um gol do Zico, alegando que já tinha apitado o término do jogo.

Os outro jogos também foram desanimadores. Empate em 0 a 0 com a Espanha, vitória simples sobre a Áustria, no jogo contra o Peru, fez algumas alterações que surtiram efeito e venceu por 3 a 0. Contra os argentinos, donos da casa, um jogo truculento que acabou em 0 a 0. O Brasil acabara eliminada da Copa, porém, ainda há duvidas sobre a goleada de 6 a 0 que a Argentina fez sobre os peruanos e da mudança de horário da FIFA do jogo argentino. O Brasil ainda ficou em terceiro com uma vitória sobre a Itália de 2 a 1, e foi a única seleção a terminar invicta. Coutinho falou uma frase que ficou marcada na história da canarinho: “Fomos os campeões morais dessa Copa”. Coutinho foi responsabilizado pelo fracasso pela imprensa e população brasileira, ficou no cargo de técnico da seleção até a semifinal da Copa América de 1979, no empate contra o Paraguai em 2 a 2.

Flamengo    

Com sua saída da seleção, Coutinho retornaria ao Flamengo, onde fez o seu melhor trabalho como treinador. Tinha em mãos o time mais talentoso do Brasil e quiçá do mundo para trabalhar, com uma geração de grandes jogadores criados na base rubro-negra como Zico, Junior, Andrade e outros, e com a experiência de Raul Plassmann, Carpegiani. Ganhou o tri-campeonato estadual de 1978 e os dois de 1979, e o primeiro campeonato nacional rubro-negro em 1980. Coutinho, de fato, foi o criador do Flamengo campeão da América e do mundo em 1981.

Coutinho e Zico com o primeiro titulo nacional do Flamengo Foto: ( O Globo)
Coutinho e Zico com o primeiro titulo nacional do Flamengo Foto: ( O Globo)

No fim de 1981, já fora do Flamengo, mas amado por todos os torcedores e jogadores do clube, Coutinho se despediu do mundo. De férias no Rio de Janeiro praticando o esporte que mais gostava, a pesca submarina, foi encontrado morto por afogamento próximo a praia de Ipanema, muito jovem, tinha só 42 anos.

Fontes: Flamengo, Terceiro Tempo, Esquadrão Imortal e exercito Brasileiro

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