Club Atlético Talleres: Momentos que significam mais que “apenas” um título

Como o que parecia ser improvável se transformou em um momento excepcional

Jogadores comemoram acesso após 12 anos (Foto: Reprodução)
Por: Sérgio Kind, RJ

Aqui no Brasil, costuma ser muito comum comparar o desenvolvimento do futebol nacional com o que de melhor acontece na Europa, tendo o velho continente como referência para o desenvolvimento do esporte em terras latinas. Porém, o que é possível perceber quando direcionamos nossos olhos para os campos ainda menos badalados da América do Sul? Nada de “Monumental de Núñez” ou “Defensores del Chaco”. Estamos falando de times mais modestos (mas não pouco tradicionais) que podemos encontrar em nossos vizinhos.

Como exemplo, nesta coluna, falaremos um pouco sobre o Talleres-ARG, ou se preferir, sobre Club Atlético Talleres, carinhosamente chamados pelos adeptos de “Los Tallarines”.

Torcida apoiando o Talleres (Foto: Reprodução/Site oficial)
Torcida apoiando o Talleres (Foto: Reprodução/Site oficial)

Localizado na cidade de Córdoba (mais extensa e segunda mais populosa da Argentina), a equipe azul e branca foi fundada no dia 12 de outubro de 1913 pelo britânico Tomas Lawson e tem o Club Atlético Belgrano como seu maior rival. Sua origem, assim como a de boa parte dos clubes sul-americanos, tem inspiração em um clube europeu, mais precisamente inglês: o Blackburn Rovers. Naquela época, diversos ingleses trabalhavam na construção de trilhos para ferrovias, usando seus intervalos para bater uma bolinha. Lawson, apaixonado pelo esporte, fundou o então “Atlético Central Talleres Córdoba”, nome alterado para “Club Atlético Talleres” apenas em 1917.

Apesar de contar com o apoio de uma torcida fanática, tipicamente sul-americana, o Talleres amargava mais de uma década como cliente fiel da Segunda Divisão da Argentina, algumas vezes passando perto do acesso e em outras nem tanto. Até que chegou 2016 e o inicio de uma temporada que parecia mais promissora do que as anteriores. Contando com um apoio financeiro não confirmado pelo clube, divulgado pelo jornal argentino “Olé”, chegaram nomes de peso para a companhia, que ficava cada vez mais competitiva para o nível da competição: Guiñazu, volante internacionalmente conhecido, ex-atleta do Inter e do Vasco da Gama, além de capitão da equipe; o goleiro Caranta, vencedor da Taça Libertadores 2007 pelo Boca Juniors; Nazareno Solís, artilheiro da competição… Todos sob o comando do treinador Frank Darío Kudelka, no comando desde 2015.

Com uma campanha digna de reconhecimento, a Primeira Divisão não parecia mais ser um objetivo tão distante. Mas apesar da ótima campanha, era preciso lidar também com as novidades do calendário argentino, que passava com mudanças tentando se adaptar ao calendário europeu. Com isso, fazendo com que apenas o campeão conseguisse a vaga.

Guiñazu volta a marcar depois de 7 anos (Foto: Reprodução)
Guiñazu volta a marcar depois de 7 anos (Foto: Reprodução)

A fatídica partida, que definiria os caminhos do Talleres na temporada seguinte, aconteceu diante do All Boys, fora de casa. Atrás no placar e com um jogador a menos até os 39 minutos do segundo tempo, uma luz no fim do túnel apareceu quando Gonzalo Klusener empatou o jogo. Mas ainda não era suficiente. O incrível do futebol é que, quando tudo parece perdido, quando o relógio parece não colaborar, aquilo que pode ser considerado mais inacreditável acontece. Lembra do reforço Guiñazu, que havia chegado assumindo a braçadeira de capitão? Tem um detalhe que poderia até não fazer diferença, afinal, estamos falando de um volante de marcação. “El Cholo” estava há “apenas” sete anos sem saber o que é fazer um gol. O final da história já dá pra adivinhar, né? Coube ao marcador, que tocava de lado ao invés de chutar até em cobrança de pênalti, acertar uma bomba de fora da área aos 49 minutos da etapa final, garantindo a virada e o sonhado acesso que não chegava há 12 anos.

Ambos estão longe de seus respectivos momentos de auge. Guiñazu foi campeão da Libertadores e da Copa Sul-Americana pelo Internacional, sendo lembrado como um dos grandes ídolos da torcida Colorada, enquanto Talleres vivera uma época de glórias nos anos 70 e conquistou a Copa Conmebol em 1999. Mas, apesar disso, jogador e clube têm uma coisa incomum: o título de uma Série B. Friamente, pode parecer algo pequeno, mas só quem viveu aquele momento, apenas quem fez parte daquela atmosfera envolvendo tantos personagens e tantos sonhos, sabe o tamanho dessa conquista. Uma taça que pode não ter o mesmo prestígio de uma Champions League, mas que mostra que pelo menos em emoção a América do Sul não está atrás da Europa.

Fontes: Site Oficial Talleres e Globoesporte.com

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