Clube Atlético Mineiro: a emoção centenária

(Foto: Reprodução/Internet)

O Clube Atlético Mineiro fundado na cidade de Belo Horizonte é um dos maiores times de futebol do Brasil. Os seus 108 anos de história marcaram gerações de apaixonados por futebol e fizeram parte da vida de muitos alvinegros. O time tem como seu mascote e segundo nome o Galo, e suas vestes são listras pretas e brancas. Desde seus primórdios o time foi abraçado pelos mineiros e apoiado por uma torcida que seguiu o clube fielmente.

A fundação do clube aconteceu em 25 de março de 1908, quando um grupo de estudantes se encontrou no Parque Municipal de Belo Horizonte. Liderados por Margival Leal, o Vate, os estudantes que tinham em média 14 anos e queriam praticar futebol, esporte em ascensão na época. Os vinte e dois garotos não sabiam que seu hobby se tornaria uma das equipes mais prestigiadas do cenário esportivo nacional.

A agremiação disputou seu primeiro jogo um ano depois, contra o mais antigo clube mineiro do seu tempo: o Sport Clube Football. No dia 21 de março de 1909 na Avenida Afonso Pena, a primeira partida foi disputada e vencida pelo Atlético pelo placar de 3 a 0 e o autor do primeiro alvinegro foi Aníbal Machado, que se tornaria escritor no futuro. Na semana seguinte o time atendeu o pedido de uma revanche e venceu novamente por 2 a 0 e na semana após a revanche um terceiro jogo vencido pelo expressivo placar de 4 a 0. O Sport Clube foi extinto após estas derrotas.

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Clube Atlético Mineiro em 1914 (Foto: Reprodução/Atlético Mineiro/Divulgação)

A primeira conquista viria em 1914, com a Taça Bueno Brandão, campeonato que era organizado pela Liga Mineira de esportes Terrestres (Hoje FMF). Era disputado pelas equipes mineiras América Mineiro e o extinto Yale Club. Os alvinegros sagraram-se campeões invictos após cincos jogos, onde foram quatro vitórias e um empate. Os jogos foram disputados no Campo do Prado Mineiro, onde hoje se localiza o 12° Batalhão do Exército Brasileiro.

O primeiro jogo internacional que o Atlético disputou foi em 1929 contra o Victória de Setúbal de Portugal. A partida aconteceu em Belo Horizonte no novo estado Antônio Carlos, no bairro de Lourdes. Os gols foram marcados por Said e pelo primeiro ídolo do time Mário de Castro.

A alcunha de Galo viria em 1935 graças ao chargista Fernando Pieruccetti que desenhava para o jornal “A Folha de Minas”. A cultura das rinhas de galo era comum na década, e devido a boa fase que o time teve ele foi comparado a galos de brigas que não se entregavam nas batalhas. Junto do desenho veio a frase:

“O Atlético sempre foi um time de raça. Mais parece um galo de briga, que nunca se entrega e luta até morrer!”

Fonte: Os porquês do esporte (divulgação)

                A primeira conquista interestadual viria logo na primeira competição organizada pela FBF (Fundação Brasileira de Futebol) em 1937. O torneio seria um embrião para os campeonatos interestaduais dos futuro e reuniu os campeões estaduais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Disputado entre Portuguesa (SP), Fluminense (RJ) e Rio Branco (ES), a campanha vitoriosa teve quatro vitórias, um empate e uma derrota. O feito seria eternizado no Hino ao Clube em 1969 por Vicente Motta.

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Foto: Time campeão do campeões em 1937 Fonte: Superesportes (Divulgação)

O primeiro feito internacional inédito viria em 1950 quando Galo saiu em excursão por um mês na Europa. Foi a primeira vez que um clube brasileiro viajou pelo velho mundo e disputou partidas em cinco países no inverno do hemisfério norte: Alemanha, Áustria, Bélgica e Luxemburgo. As vitórias vieram contra Munich 1860, Hamburgo, Shalcke 04, Saarburcken (ALE), Stade Français (FRA) e Anderlecht (BEL), empates com a Seleção de Luxemburgo e Eintracht Braunschweig e as derrotas com Rapid de Viena e Werder Bremen.  A seção vitoriosa de jogos recebeu o título simbólico de “Taça do Gelo” devido ao inverno rigoroso e os jogos na neve que a equipe enfrentou.

O título se perdeu na história sendo lembrado apenas no hino e é pouco conhecido pelos que não são adeptos do clube.  Em 2015 o último dos jogadores que compôs o elenco ainda vivo Vavá deu entrevista para o jornal Estado de Minas e ressaltou:

“Lamento a falta de conhecimento do setor esportivo de modo geral. Aquela excursão foi um dos primeiros passos de grandeza de um clube brasileiro. Foi muito mais importante do que um simples título”.

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Foto: Campeões do Gelo (Reprodução: Atlético Mineiro/Divulgação)

O Hino ao Clube Atlético Mineiro que é usado até hoje viria em 1968 quando a diretoria do time contratou o compositor Vicente Motta para escrever as letras que retratassem o espírito do clube e de sua torcida. Um hino narrado na primeira pessoa exaltando os valores do que é ser atleticano e suas conquistas.

Em 1971 na estreia do Campeonato Brasileiro viria um feito impressionante. O Atlético se consagrou o primeiro campeão nacional da história. O time capitaneado por Oldair faria história no estádio do Maracanã com gol de Dario, o Dadá Maravilha em cima do Botafogo de Careca e Jairzinho. O título imortalizaria Telê Santana na história do Galo como um dos seus técnicos mais vencedores. O Galo ainda seria vice-campeão nas edições de 1977, 1980, 1999, 2012 e 2015.

A década de oitenta foi marcada pelo Hexa Campeonato do mineiro (1978 a 1983) e mais três títulos estaduais na mesma época. A torcida viria a conhecer dois de seus maiores ídolos: Reinaldo e Cerezo. O primeiro conhecido pela veia goleadora e dribles ousados, o segundo por sua marcação e espirito guerreiro.

O anos noventa não foram muito vitoriosos, o Atlético conseguiu apenas os campeonatos mineiro de 1991, 1995, 2000. No final da década o time capitaneado por Guilherme Alves (hoje técnico do Vila-GO) e Marques bateram na trave no campeonato brasileir perdendo a final para o Corinthians de Marcelinho Carioca e Vampeta.

A década de 2000 iria comemorar o centenário do clube. Estes foram os anos mais difíceis para a torcida e para a agremiação. A mudança do campeonato brasileiro para pontos corridos traria o drama do rebaixamento em 2005. Em jogo histórico contra o São Caetano o Galo iria conhecer pela primeira vez em sua história a série B. Em 2006 faz grande campanha comandada por Levir Culpi e conquista o título e o acesso de volta a elite.

Os anos 2010 poderão ser lembrados como uma década extremamente vitoriosa na história do clube. O vice campeonato em 2012 e chegada de craques como Ronaldinho Gaúcho e Victor possibilitaram que o Galo jogasse a Libertadores de 2013. O time se sagrou campeão após campanha emocionante com final decidida nos pênaltis contra o Olimpia do Paraguai. Ainda com a base do time campeão continental, o Atlético chegou a final da Copa do Brasil contra seu maior rival e venceu embalado pela torcida. O time ainda conquistou os estaduais de 2010, 2012, 2013, 2015.

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Foto: Time campeão da Libertadores de 2013 (Foto: Superesportes/Divulgação)

O Atlético Mineiro será sempre conhecido pelo seu Hino e sua torcida apaixonada. Os seus valores de lutar e nunca desistir, acreditar no improvável serão suas marcas sempre presentes na história do futebol brasileiro.

 

Lendas do Clube

Mário de Castro (1926-1931)

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Trio Maldito: Said, Jairo e Mairo de Castro (Fonte: Atlético MG/Divulgação)

Mário foi o primeiro ídolo da torcida. Fez trio temido de ataque com os jogadores Said e Jairo e até hoje é um dos maiores artilheiros do Galo. O jogador foi convocado para a seleção brasileira e recusou vestir a camisa amarelinha pois negava vestir uma camisa que não a do Atlético. Sempre foi lembrado na história do Galo pelo espírito guerreiro e pelos gols.

Dadá Maravilha (1968-1972, 1978-1979, 1983)

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Foto: Dadá Maravilha (Reprodução: ESPN/Divulgação)

Um dos maiores artilheiros do campeonato brasileiro Dario José dos Santos marcou a década de 70. Suas atuações marcantes pelo Atlético, Internacional e Sport o colocam em grande status perante aos atacantes históricos. Como jogador era conhecido principalmente pela capacidade aérea e os gols. Fora do campo era muito querido e carismático autor de frases célebres como “Esse jogo foi mamão com açúcar” e ” Não existe gol feio, feio é não fazer gols”. O Beija-Flor Peito De Aço (seu apelido quando jogador) marcou o gol do título em 1971 contra o Botafogo e disputa ponto a ponto a idolatria da torcida junto com Reinaldo.  Dadá também fez parte do esquadrão brasileirão campeão do mundo no México em 1970.

Reinaldo (1973-1985)

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Foto: O jovem Reinaldo (Divulgação: Uol/Reprodução)

Muitos atleticanos o colocam como o maior da história. A torcida quando o vê canta “rei, rei, rei, Reinaldo é o nosso rei”. José Reinaldo de Lima é natural de Ponte Nova – MG e é o maior artilheiro do Atlético Mineiro. Dono de dribles ousados, grande finalização Reinaldo marcou época pelo Galo. Sua carreira como futebolista foi profícua mas encurtada devida a lesões no joelho causadas pelos fortes desarmes que sofria. Fez parte da seleção brasileira que conquistou o 3° lugar em 1978 e fez parte do esquadrão lendário de 1982.  Reinaldo foi também Deputado Estadual em Minas Gerais de

Marques (1997-2002, 2005-2006, 2008-2010)

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Foto: Marques coma camisa do Galo (Reprodução: Atlético Mineiro/Divulgação)

” Olê, olê, olê, Marques, Marques” foi o que a torcida entoava em seus jogos. Marques Batista de Abreu foi o Xodó da Massa no fim da década de 90 e fez grande parceria com Guilherme Alves. A grande campanha de 1999 do time e a torcida mereciam o título que escapou pelos dedos contra o Corinthians. É o 9° maior artilheiro do clube e seu embaixador oficial.

Victor ( 2012 – atualmente)

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A defesa histórica (Foto: Superesportes/Divulgação)

Um bom time começa por um bom goleiro. São Victor do Horto é a alcunha  que o goleiro recebeu após a histórica defesa de penalty aos 49 do segundo tempo contra o Tijuana nas quartas de finas da copa Libertadores. O paulistano foi contrato em 2012 do Grêmio e fez parte das campanhas vitoriosas da Libertadores de 2013 e da Copa do Brasil 2014 e hoje goza de grande status na memória recente do clube. Victor também será lembrado pelo espírito de liderança e a grande capacidade de decisão em momentos críticos. Fez parte também do grupo brasileiro que disputou a Copa do Mundo de 2014.

Texto e pesquisa: Lucas Poeiras (@pueira)

2 Comentários em Clube Atlético Mineiro: a emoção centenária

  1. Gostei muito do texto, e faço algumas observações:
    – Além da sugestão feita pelo Rodolfo Juliani, não se pode esquecer que o Galo foi campeão mineiro em 1999. O texto só lista os campeonatos mineiros de 91, 95 e 2000.
    – Se não me falha a memória, a estreia do Galo na série B foi contra o Marília, não contra o São Caetano, time que jogava a série A nessa época. O jogo que determinou a queda para a série B foi contra o Vasco, naturalmente, no ano anterior.
    – No Campeonato Brasileiro da Série B de 2006, o time do Galo foi treinado, também, pelo falecido técnico Lori Sandri.

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