Tiro de meta: uma revolução da logística

O Tiro de Meta correspondia à expectativa inglesa da época

(Foto: Divulgação/Internet)

Atualmente, o tiro de meta aos olhos leigos remete a uma regra que agiliza a reposição da bola em jogo com o destino de chegar o mais próximo possível da área adversária. Estratégia, inclusive, que vem sendo evitada com o florescimento do jogo de posse de bola, difundido mundialmente pelo neerlandês Hendrik Johannes Cruijff, ou Johan Cruyff, como era conhecido. Essa jogada correspondia, portanto, o grande desejo inglês no ano de 1869, durante a época em que a Revolução Industrial era transitada da Inglaterra para os Estados Unidos. A ideia de se alcançar um ponto com o menor esforço e em um curto espaço de tempo, era nítido tanto no ritmo frenético das fábricas e ferrovias inglesas, como nos firmes tiros de meta cobrados pelos goleiros ao redor da ilha.

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Nos séculos XIX e XX, a Inglaterra passou por profundas transformações promovidas pela descoberta do uso do vapor como uma inovadora fonte de energia. Com isso, uma nova forma de ligar a casa dos operários ao seu local de trabalho ou as fábricas aos clientes foi ganhando espaço, as ferrovias. Através das linhas de ferro, a incipiente burguesia industrial inglesa garantiu um intenso e constante fluxo de capitais. Com a construção das vias férreas de Liverpool e Manchester, em 1831, para realizar o primeiro transporte de passageiros no mundo, seguido de Londres e Bright, em 1841, a inovação do sistema do metrô londrino, em 1863, e a criação da bicicleta, em 1865, as trocas de informações entre as pessoas eram grandiosas.

 

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O reflexo disso no jogo? Com a grande movimentação de pessoas, o futebol proliferou-se pelo mundo. Um esporte que não era visto com bons olhos pelas classes mais abastadas, comumente praticado por estudante ou operários, conseguiu, apoiado pelo apitar das locomotivas, um lugar de destaque na sociedade inglesa, transformando-se em um verdadeiro orgulho nacional.

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Se observarmos a difusão do futebol na terra da rainha na década 20, esse processo fica nítido. O desenvolvimento e consolidação dos clubes ingleses caminhavam sob o revolucionário traçado das recém-ferrovias. Movidas pela intensa acumulação de capitais, favorável situação geopolítica e rápido intercambio de pessoas, o futebol apresentou durante essa época sua verdadeira fase de inflação, solidificando-se como o principal esporte mundial.

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A Revolução Industrial, com suas diversas mazelas e virtudes, revelou ao mundo as novas facetas de uma sociedade cada vez mais atenta a vida terrena em detrimento da espiritual. O futebol, portanto, viu-se em franca expansão, afinal de contas, ele representa os anseios de todo um povo. E dentro da sua fluida dinâmica, o esporte bretão assimilou de maneira brilhante, a maior de todas as revoluções vistas pela humanidade.

 

Texto: Pedro Portugal

3 Comentários em Tiro de meta: uma revolução da logística

    • Talvez precise de maquiagem cultural, mas não deixa de cumprir seu papel de mostrar o admiro do escritor pelo seu esporte, e a importância da evolução ferroviária na sua promoção. O tiro de meta não é a forma de chegar mais rápido ao seu destino? Pra mim faz todo sentido.

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