Cocada: em 4 minutos, a eternidade

Cocada, ao lado de Bismarck e Fernando, comemora o gol do título vascaíno: em 4 minutos, a eternidade. (Foto: Otávio Magalhães / Arquivo O Globo)
Cocada, ao lado de Bismarck e Fernando, comemora o gol do título vascaíno: do banco de reservas para a História (Foto: Otávio Magalhães / Arquivo O Globo)

Um dos maiores ídolos do Vasco, que tem uma galeria repleta deles, chama-se Edmundo. Sim, o Animal é um legítimo representante CL, mas não, não é desse Edmundo que estou falando. Falo de um Edmundo, digamos, mais doce: Luiz Edmundo Lucas Corrêa, o Cocada.

Em 22 de junho de 1988, Cocada entrava para a história do Vasco por causa de um enredo improvável. Vasco e Flamengo jogavam no Maracanã a final do Campeonato Carioca daquele ano e empatavam em 0 a 0. Aos 41 minutos do segundo tempo, Cocada, sempre reserva, entra em campo substituindo Vivinho. Aos 44, após ser lançado por Bismarck pela direita, Cocada enfrenta Edinho no mano-a-mano. Finta de corpo, drible pra dentro, chute e golaço! O lance, nas palavras do próprio Cocada: “Eu fiz que fui, cortei pra dentro, chutei de esquerda e nem vi. Quando olhei, a bola tava lá dentro”. Que homem.

Na comemoração, Cocada tira a camisa e corre para o banco do Flamengo, a fim de provocar o técnico Carlinhos, que o dispensara do rubro-negro cinco anos antes (atitude: CORRETA). Aos 45 (quatro minutos depois de entrar em campo), é expulso pelo árbitro por tirar a camisa, o que inicia Cenas Lamentáveis no mítico gramado do antigo Maracanã: Renato Gaúcho provoca Romário, que acerta um pontapé em Renato; o rubro-negro Alcindo revida chutando Romário, mas leva uma voadora de PC Gusmão, o então goleiro reserva do Vasco (SIM! GOSTAMOS!). Após o fim da confusão, Renato e Romário também são expulsos. Um verdadeiro SUCO DE CL, confrades!

As entrevistas depois do jogo que confirmou o bicampeonato carioca do Vasco são cheias de provocações de ambos os lados: “Não se contentaram com o 1 a 0 e querem confusão? Então eles vão ter”, afirmou Renato Gaúcho. “O Renato é muito engraçadinho”, retrucou Romário. Tais declarações revelam uma atitude CORRETA dos jogadores dos dois times, o que era comum numa época sem selfies nem redes sociais, mas com muito DESCUBRA.

Abaixo, a matéria do Globo Esporte (com Leo Batista!) sobre o jogo. QUERO MORAR NOS ANOS 1980.

Cocada, que é irmão de Muller, ex-jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira, vive hoje em Campo Grande-MS, onde dá aulas na rede pública para alunos da periferia.

Mas há 28 anos, ele entrou em campo aos 41, fez o gol do título aos 44 e foi expulso aos 45. Em 4 minutos, entrou pra história. Como não amar esse homem?

Texto: Marcelo David (marcelod82)

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